Se o Brasil crescer uma média de 4,8% pelos próximos quatro anos, o País enfrentará uma falta de energia de 764 megawatts médios em 2010, ou 1,3% do mercado, considerando os projetos de geração atualmente em andamento, apontou nesta terça-feira a Empresa de Pesquisa Energética (EPE).
Mas essa escassez poderá ser suprida com projetos que participarão do próximo leilão A-3 (que começam a fornecer energia após três anos), que já tem 16 mil megawatts inscritos, a maior parte vindo de termelétricas.
"Em maio vai ter um leilão justamente para contratar demanda para 2010, e ainda tem o mercado livre", afirmou o presidente da EPE, Maurício Tolmasquim, num seminário da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), em que foi debatido o balanço de oferta de energia.
Dos 16 mil megawatts inscritos para o leilão, cujo prazo de inscrição ainda não se encerrou, 85% são projetos novos e o restante, "botox" (já em operação mas sem contrato), disse ele.
No seminário, representantes da indústria expressaram preocupação quanto a uma possível escassez de energia dentro dos próximos anos.
"Desde que se execute os projetos em andamento ou programados e os investimentos da Petrobras forem executados... não é para ter problema de energia. Mas se isso não ocorrer, devemos ter problemas por volta de 2010", afirmou Paulo Skaf, presidente da Fiesp, num intervalo do seminário.
A EPE, ligada ao Ministério de Minas e Energia, também apresentou uma projeção de consumo se o crescimento da economia ficar numa média de 4%. Nesse caso, haveria em 2010 um excedente de energia de 585 megawatts médios, o equivalente a 1%do mercado total.
Tolmasquim afirmou ainda que, devido aos expressivos volumes de chuva nos últimos meses, haverá pouca necessidade de energia de termelétricas neste ano e no próximo - justamente o período necessário, segundo ele, para que se estabilize a oferta de gás natural no País.
A Petrobras pretende ampliar a produção nacional de gás natural dos atuais 25 milhões para 70 milhões de metros cúbicos, assim como tornar disponíveis 20 milhões de metros cúbicos de gás natural liquefeito (GNL) - 14 milhões no Rio de Janeiro e 6 milhões no Ceará.
"Os reservatórios estão vertendo em todo o País. (A hidrelétrica de) Itaipu está vertendo uma quantidade de água igual à que passa pela usina. (A Companhia Hidrelétrica) São Francisco (Chesf) vai ter de verter proximamente", disse o presidente da EPE.
"Estamos numa situação que há muitos anos não se via no Brasil", afirmou ele a jornalistas.
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