Ainda existem algumas dúvidas em torno do PAC (Programa de Aceleração da Economia), lançado na segunda-feira, dia 22, pelo governo. A principal delas diz respeito à projeção de crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) – a soma das riquezas produzidas no país - já que todos os indicadores apresentados no programa se baseiam em taxas de 4,5% em 2007 e 5% ao ano, de 2008 a 2010. Considerado “otimista demais” pelo setor produtivo, o número é defendido como certo pelo governo.
“Não haverá ainda um efeito dessas medidas de estímulo de investimento capaz de garantir a consecução dessa meta de crescimento”, diz o presidente da CNI (Confederação Nacional da Indústria), Armando Monteiro Neto, para quem o crescimento em 2007 será de 3,5%.
“A partir de 2007, se o plano for bem gerido, os investimentos começarem a acontecer e o governo sinalizar claramente a sua disposição para retomar a agenda de reformas estruturais, aí, sim, será possível pensar em taxas de crescimento superiores a 4%”, acrescenta Monteiro Neto.
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, rebate dizendo que as medidas anunciadas vêm em um momento em que a economia espontaneamente já apresenta sinais de crescimento superior a 2006 e se somam a um cenário já bastante positivo.
O ministro lembrou que as projeções dos especialistas divulgadas até esta semana para o crescimento da economia não levam em conta as novas medidas. “Acho muito difícil que em 2007, pelas condições que já estão estabelecidas, não tenhamos um crescimento substancialmente maior que em 2006”.
Mantega argumenta que janeiro de 2007 já se inicia com juros bem menores que os do ano passado. O crédito fechou 2006 em 48% do PIB (Produto Interno Bruto) e sua estimativa é que, com as medidas de estímulo aos empréstimos, essa relação ultrapasse os 50%. “Além, disso temos vários setores aquecidos, como o automobilístico, que é o carro-chefe da economia, setor de construção civil, as vendas ao varejo cresceram 6,3%. As exportações e as importações continuam se ampliando”, acrescentou o ministro.
Segundo Mantega, a intenção do governo é que o aumento dos investimentos públicos puxe a participação do setor privado, elevando a taxa de juros em aproximadamente 1% a cada ano. Com isso, a taxa de investimento estaria em 25% do PIB em 2010.
A própria ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Roussef, afirmou no lançamento do programa, que os R$ 503,9 bilhões previstos de investimentos nos três eixos (logística de transporte, energia e infra-estrutura social e urbana) são um valor coerente, estimado com base no que o setor público pode desembolsar e no ambiente favorável ao investimento que o PAC criou.
“Não estamos aumentando, não estamos inventando, estamos construindo mecanismos que uma parte é de responsabilidade da União e a outra parte, ao criar condições para setor privado investir. Por isso, o programa garante juros mais baixos, financiamento de longo prazo, instrumentos creditícios e fundos de participação em investimento que são passíveis de ser realizados, sem alteração substantiva nas condições vigentes”, observou.
As medidas previstas no PAC, anunciado dia 22, são “extremamente positivas”, na opinião do professor de economia Cláudio Dedecca, da Unicamp (Universidade de Campinas). O desafio, agora, será cumpri-las e implementá-las efetivamente, disse.
Em entrevista à Rádio Nacional, o professor listou uma série de indagações para essa implementação, como: ‘O governo tem capacidade, está devidamente organizado para isso? Tem estratégias claras?’. E disse esperar que ‘o Congresso seja sensível ao PAC e o aprove rapidamente’, além do trabalho dos ministérios, ‘de forma articulada e convergente’.
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