É pouco provável que o Brasil consiga o "investment grade" ("grau de investimento", para países que representam baixo risco de calote) devido ao "pesado fardo do endividamento", informou nesta terça-feira a agência de classificação de risco "Fitch Ratings", em um relatório.
Segundo o documento, com déficits fiscais de 3% do PIB (Produto Interno Bruto) e um crescimento entre 3% e 4%, "a dinâmica não aponta para uma redução significativa do endividamento governamental". A nota da Fitch para o Brasil é "BB" --"estável", a dois degraus do grau de investimento.
A estimativa da Fitch de endividamento do governo brasileiro em 2006 é de 72% do PIB, enquanto para os países com a classificação BBB (já no território do "investment grade", que inclui, entre outros, o México e a Rússia) a previsão é de 34%.
"O desempenho do crescimento do Brasil é consideravelmente mais fraco que o da maioria dos países com grau de investimento", diz o relatório. Apesar de pontos positivos --como um superávit primário acima da meta do governo, inflação baixa e a menor vulnerabilidade às flutuações da taxa cambial--, o país precisa reduzir sua carga tributária, de uma reforma trabalhista e melhorar seus marcos regulatórios.
A agência recomenda ainda a independência do Banco Central. "A independência do Banco Central poderia reforçar mais a credibilidade de sua política monetária, e com isso reduzir os juros reais", diz o documento.
O texto acrescenta, no entanto, que o cenário político "volátil" torna tais reformas "bastante difíceis". "Para complicar ainda mais, a Constituição brasileira regula minúcias das políticas públicas, o que requer emendas constitucionais para reformas econômicas ordinárias", diz o documento. "Um feito difícil dada a atual composição do Congresso."
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