A instabilidade nos mercados internacionais de petróleo e de commodities metálicas (cobre alumínio, chumbo, zinco e níquel, por exemplo) e a tensão causada pelo anúncio de nacionalização de empresas na Venezuela provocaram impacto menor sobre a taxa de risco-país e no câmbio do Brasil do que em outras nações emergentes.
O risco-país (indicador da confiança do investidor externo na economia) e moedas de emergentes como Turquia, México e África do Sul foram mais atingidos.
Para economistas, o desempenho brasileiro deve-se ao maior vigor dos indicadores externos do Brasil. “O país está passando no teste”, disse Alessandra Ribeiro, economista da consultoria Tendências. “Os bons fundamentos permitem que o câmbio atravesse o cenário atual praticamente incólume”, afirmou Álvaro Bandeira, diretor da corretora Ágora.
Nos primeiros dias de janeiro, o real teve desvalorização de 0,58% em relação ao dólar norte-americano. Foi uma queda menor do que a registrada por outras divisas, como o peso mexicano (1,9%), a lira turca (1,34%) e o rande sul-africano (5,5%) - e sem a volatilidade que pressionou essas moedas. Da mesma forma, a oscilação do risco-país, de 3,6% entre a máxima e a mínima, foi a menor desses quatro países.
Para o deputado Devanir Ribeiro (PT-SP), a política econômica adotada pelo governo nos últimos anos permitiu, apesar das críticas de opositores e mesmo de parte dos aliados, a estabilização da moeda e a contenção da inflação, aliada à crescente auto-suficiência na produção de petróleo.
“Nossa economia está hoje mais blindada e alguns países em desenvolvimento vão realmente sofrer mais com as oscilações internacionais, inclusive quanto ao fornecimento de petróleo. A política econômica brasileira está no rumo certo e acredito que deverá ser mantida, o que não significa que não haja espaço para mudanãs graduais e seguras, como a redução continuada da taxa de juros”, afirmou.
Segundo ele, deve-ser pensar também na intensificação dos investimentos em infra-estrutura tanto por parte do governo como da iniciativa privada. “Mas qualquer alteração na atual condução econômica deve seguir a proposta de fortalecer o desenvolvimento com responsabilidade. Há países que crescem muito, como a China, mas sem distribuição de renda. O Brasil cresceu menos, mas tem buscado e alcançado mais distribuição de renda”, afirmou.
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