O argentino Machinea alertou que, se os países latino-americanos não avançarem nesses campos, a região ficará atrasada no cenário mundial frente a outras nações emergentes. Destacou, entretanto, que nos últimos anos houve significativos avanços na área social.
O secretário-executivo da Comissão Econômica Para a América Latina e o Caribe (Cepal) afirmou que estes países, cujas economias cresceram em conjunto 5,3% em 2006, devem aproveitar o bom momento dos preços das matérias-primas que exportam para consolidar um crescimento sustentável.
"Se não formos capazes de dar o salto qualitativo qualificando mais os recursos, com melhor infra-estrutura e inovando mais do que no passado, vai ser muito difícil que possamos disputar a corrida mundial, pois há muitos países que estão fazendo isso, na Ásia e na Europa Oriental", indicou o ex-ministro da Economia da Argentina.
"Se não avançarmos neste processo muito fortemente, ficaremos em uma situação complicada. Acho que, nesse sentido, a América Latina está ficando atrasada no mundo", advertiu.
Machinea disse que, apesar de a América Latina e o Caribe terem crescido em 2006 pelo quarto ano consecutivo, o nó econômico ainda não foi desfeito porque não estão sendo feitos investimentos de forma crescente em recursos humanos e físicos.
No entanto, destacou que, na area social, têm havido importantes avanços, como um aumento da despesa social de 40% por habitante entre o começo dos anos 90 e 2003.
"Nesta área há programas mais eficientes do que os que tínhamos há 10 ou 15 anos. Embora ainda haja muito a ser feito, estamos gastando mais dinheiro e estamos gastando um pouco melhor do que no passado", disse.
Machinea defendeu a criação de mecanismos mais transparentes e universais de proteção social, especialmente em questões como saúde, previdência e pobreza extrema.
Segundo os dados da Cepal, a pobreza atinge 205 milhões na América Latina e no Caribe. O número equivale a 38,5% da população.
Isso representa uma melhora em relação aos 39,8% de 2005.
Machinea destacou ainda que o crescimento dos dois últimos anos ajudou a região a avançar no cumprimento do primeiro Objetivo de Desenvolvimento do Milênio das Nações Unidas: a erradicação da pobreza extrema e da fome até 2015.
"Essa é uma boa notícia. A região progrediu em 64% na redução da pobreza, e o tempo transcorrido foi de 60%. Até agora, só cumpriram a meta Chile e Brasil, mas há vários países com chances de cumprir se mantiverem alguns programas sociais e as taxas de crescimento", avaliou.
José Luis Machinea descartou a possibilidade de que a eleição de uma série de Governos de esquerda na região gere instabilidade.
"Sinceramente, se estes Governos demonstraram algo em todo este tempo é que são muito responsáveis. Do ponto de vista fiscal, o gasto público na região não aumentou quase nada em comparação com a receita, ao contrário do que acontecia nos anos 90 quando, teoricamente, pessoas mais responsáveis governavam", disse.
"Acho que os Governos foram mais responsáveis do ponto de vista macroeconômico. Falar de populismo na região é um exagero absoluto e total".
Machinea pediu que a análise seja feita caso a caso, e que os fatos sejam bem avaliados antes que sejam tiradas conclusões precipitadas.
No caso da Venezuela, destacou que apesar de o presidente Hugo Chávez ter um discurso forte, "ninguém pode negar que, do ponto de vista fiscal, até agora (seu Governo) tem sido bastante razoável, e há muitos programas sociais realmente efetivos".
Machinea, no entanto, mostrou-se pessimista sobre a integração da região, especialmente na América do Sul.
"O processo caminha em ritmo lento, em alguns casos houve retrocessos. A América Central está indo melhor do que a América do Sul", disse, pedindo ações concretas para levar à prática a vontade política de integração. EFE mw ep
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