Muito se ouviu falar das chamadas economias Bric, e com razão. Agora que Japão, Estados Unidos e Europa estão oferecendo menos oportunidades de ganhar, iniciou-se uma caça às próximas fronteiras do capitalismo. As economias Bric (Brasil, Rússia, Índia e China) foram descobertas há muito tempo mas ainda estão longe potencial máximo.
As ecomomias Bric (termo popularizado pelo documento de Goldman de 2003) são países com potencial para converter-se em economias dominantes e com boas possibilidades de transformar essa promessa em realidade. Daí se justifica o alvoroço.
Atualmente a China parece receber cerca de 90% da atenção. E graças à importância e caprichos dos preços do petróleo, Rússia parece atrair uma boa quantia de interesse.
Significa que o Brasil e a Índia precisam trabalhar ainda mais para chamar a atenção. Depois de tudo, em 40 anos todos têm o mesmo potencial para juntar-se ao Grupo dos Sete países mais industrializados. Talvez a resposta para o Brasil e a Índia seja aprender um com o outro.
No momento a Índia é a quarta maior economia da Ásia. "O Brasil está onde a Índia se encontrava há 25 anos, em discussões políticas socialistas e com mercados deficientes", disse Maya Bhandari, economista para Lombard Street Research Ltd. em Londres. "O momento de mudanças é agora."
SEMELHANÇAS
Certo, o Brasil e Índia não são em absoluto uma comparação perfeita. E devido a magnitude dos problemas da Índia - extrema pobreza, enorme burocracia e infra-estrutura pouco confiável - os políticos de Nova Déli parecem ter muito que aprender.
No entanto, eis algumas semelhanças que valem a pena explorar, e não só porque Brasil e Índia são economias Bric. Em uma pesquisa de maio, por exemplo, o economista Jorgen Dige Pedersen da Universidade de Aarhus da Dinamarca descobriu o fato de que ambas expandiram no início de 90.
Bhandari disse que ambas têm um enorme potencial de crescimento sustentado por vastos recursos naturais e mão-de-obra, mercado de consumidores de classe média potencialmente fortes e a possibilidade de receber grandes investimentos no futuro.
O Brasil e a Índia dependem mais da agricultura do que a média mundial, que Bhandari estabelece em 3,5% do Produto Interno Bruto por valor agregado. Em 2005, a dependência do Brasil da agricultura era de 10% frente aos 19% da Índia. Ambas são vítimas da desigualdade social extrema, históricos de governos com doutrinas socialistas, transição difícil à democracia e desanimadores desafios educacionais.
DIFERENÇAS, TAMBÉM
E, naturalmente, existem fatos que a Índia pode aprender com o Brasil, como o uso de metas inflacionárias para evitar um super-aquecimento da economia e conseguir controle da política social.
No entanto, as diferenças pareciam maiores na semana passada, quando Brasil e Índia anunciaram seu PIB. O Brasil cresceu 3,2% no terceiro trimestre. Apesar do índice ser considerável para uma economia que não pertence ao G-7, não o é para uma economia em desenvolvimento que combate a pobreza. No dia 29 de novembro o banco central do Brasil diminuiu a taxa de juros de referência ao menor nível em 20 anos.
O banco central da Índia tem um problema inverso, após a notícia de que o crescimento se acelerou para 9,2% no mesmo período. Economistas de Mumbai estão falando de um aumento nas taxas por parte do banco central que seria o quarto este ano.
MUDANÇAS NECESSÁRIAS
As expectativas a longo prazo ainda são difíceis. O crescimento brasileiro registrou uma média de 2,5% nos últimos 10 anos em comparação aos 6,2% da Índia.
Isso não é motivo para diminuir os méritos do Brasil desde 1999: um controle maior da inflação e, em menor grau, da dívida pública. "Mas uma comparação com a Índia é construtiva", disse Bhandari.
Pelo menos poderia fazer com que os governantes de Brasília levem mais a sério a economia. Bhandari destaca que a conta de investimento no PIB do Brasil é de 19%, muito abaixo do nível da Índia (de 30%) e da média mundial de 20%. O consumo do governo representa 20% do PIB do Brasil frente aos 11% da Índia.
Como sugestões para aquecer o Brasil, a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômicos cita três: uma política fiscal mais eficiente, um setor empresarial mais competitivo e melhora nas condições de trabalho e capacitação. Duas mudanças de política lideram a lista de desejos de Bhandari: injetar estímulo monetário à economia e distanciar-se do socialismo econômico.
Talvez a principal característica que o Brasil e a Índia compartilham é que ambas são consideradas superpotências. Como tais, virarão alvos das atenções tanto de investidores como de executivos de todo o mundo.
Essa dinâmica significa tanto oportunidades como riscos. É momento para que os responsáveis políticos do Brasil e da Índia ofereçam resultados para demonstrar que suas economias são capazes de acolher maiores fluxos de capital.
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