sexta-feira, 29 de dezembro de 2006

Kirchner defende ampliação do Mercosul

O presidente da Argentina, Néstor Kirchner, declarou hoje que o "Mercosul tem que se ampliar" para não ser "meramente um acordo econômico". O presidente argentino também afirmou que "construir o poder popular" é o grande desafio para a região. Kirchner concedeu entrevista à rádio das Mães da Praça de Maio. A entrevistadora foi Hebe de Bonafini, presidente dessa organização de direitos humanos.

"O Mercosul não pode ser um acordo meramente econômico, tem que se ampliar e ser dos países da América do Sul. Para isso, Brasil e Venezuela serão muito importantes", expressou. Atualmente, compõem o Mercosul, como membros permanentes, Argentina, Brasil, Paraguai, Uruguai e Venezuela.

Kirchner disse que, tanto para a Argentina como para a América Latina, "o grande desafio é a construção do poder popular, de um movimento nacional e popular, mas não populista, uma aliança da classe média com a classe trabalhadora, com os empresários nacionais, os intelectuais". Ele citou como exemplo Venezuela, Equador e Nicarágua. "Temos que acompanhar a luta de Rafael Correa (presidente eleito do Equador). Já na Nicarágua, (o presidente eleito) Daniel Ortega fez algumas alianças que não nos agradam, mas vamos esperar que ele vá bem."

Kirchner também elogiou o presidente Evo Morales, da Bolívia, "a quem estamos ajudando em tudo o que podemos". "Com Evo, estamos trabalhando extraordinariamente bem. Temos o projeto do gasoduto do sul, cujo início é também o gasoduto do nordeste, que conecta a Bolívia, com o que vamos comprar 20 milhões de metros cúbicos diários. Os grandes empreendimentos não se fazem de um dia para o outro."

Em relação à situação argentina, Kirchner reiterou a tese de que o país precisa de uma reorganização de suas estruturas políticas. "A crise que tivemos pulverizou todas as estruturas políticas. Temos que tratar de dotá-las de novas idéias, pensamentos, debates e sínteses", disse o presidente, que reiteradas vezes tem manifestado disposição para encabeçar uma nova coalizão de centro-esquerda.

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