O ritmo de melhora dos ratings da América Latina tem desacelerado, embora as condições externas continuem favoráveis à região. A avaliação é da agência de classificação de risco Fitch, que considera improvável que o Brasil ingresse na categoria "grau de investimento" no curto prazo.
"A maioria dos créditos da América Latina não deve entrar na categoria 'grau de investimento' nos próximos 12 meses", apontou a Fitch em relatório especial nesta terça-feira.
"Mas crescimento acima do esperado e melhora nos indicadores de solvência fiscal e externa podem gerar maior dinamismo nos ratings desses países."
Segundo a agência, Brasil e Colômbia não devem estrear no "grau de investimento" no curto prazo devido ao pesado endividamento. "O crescimento do PIB do Brasil, que é menos dinâmico que o de seus pares, limita a velocidade com que pode reduzir o peso do endividamento."
No ano passado, a agência promoveu apenas três upgrades (Brasil em "BB", República Dominicana em "B" e Peru em "BB+"), frente a cinco em 2005.
"A ausência de reformas estruturais combinada a uma moderação do ambiente externo deve levar a uma estagnação nos ratings da região", apontou a Fitch em relatório especial sobre a região.
A agência prevê que o crescimento da América Latina recue de 4,8 por cento em 2006 para 4,2 por cento este ano.
"Esse ambiente deve resultar em um forte declínio no crescimento das receitas externas, provocando uma redução do superávit em conta corrente para perto do equilíbrio em 2007", acrescentou.
Os principais riscos para a região continuam sendo, segundo a agência, um salto na taxa de juro norte-americana, desaceleração mais forte que o previsto da economia global, um "pouso forçado" da China e um choque político com aumento do populismo e do nacionalismo.
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