terça-feira, 23 de janeiro de 2007

Sem apoio da Argentina, Brasil libera R$ 20 milhões para Paraguai

Diante dos obstáculos impostos pela Argentina para ajudar os sócios menores do Mercosul, o Brasil tomou uma decisão unilateral para ajudar o Paraguai. O governo liberou R$ 20 milhões para o país vizinho aplicar na redução de burocracias aduaneiras entre as duas nações e em projetos sociais.

A disponibilização dos recursos foi publicada no Diário Oficial desta terça-feira (23) e será liberado a partir da aprovação pelo Paraguai de projetos de administração tributária e aduaneira, segundo informou a assessoria do Ministério das Relações Exteriores. Durante a última reunião de cúpula do Mercosul, o país vizinho reclamou da burocracia que seus produtos enfrentam para entrar no mercado nacional

“A finalidade é fomentar a modernização da administração tributária e aduaneira e a redução de desequilíbrios locais, principalmente nas áreas sociais e econômicas, buscando melhor integração entre os países membros do Mercado Comum do Sul”, consta do texto da lei que permite a liberação.

A verba soma-se aos US$ 47,28 milhões aprovados pelo Mercosul que serão destinados ao Paraguai através do Fundo para a Convergência Estrutural do Mercosul (Funcem). Os recursos foram garantidos durante a última reunião de cúpula do bloco econômico que terminou na semana passada.

O valor total dos 11 projetos para o Fundo é de US$ 72,18 milhões. O Uruguai receberá US$ 8,46 milhões. O restante será destinado para o bloco aplicar em programas técnicos e no combate de febre aftosa.

A liberação dos R$ 20 milhões é o primeiro passo do governo brasileiro na direção de medidas unilaterais para favorecer os sócios menores. O Brasil estuda também dar benefícios a setores específicos de Paraguai e Uruguai para reduzir o desequilíbrio comercial com os dois países.


Argentina e Brasil, segundo Duhalde


O ex-presidente da Comissão de Representantes Permanentes do Mercosul, o argentino Eduardo Duhalde, instou os maiores países do bloco a dar concessões aos dois sócios menores, mas reconheceu que diante dos problemas internos de Brasil e Argentina é mais difícil ajudar.

“A União Européia está concedendo ajuda às ex-nações comunistas para que elas integrem a comunidade. Devemos seguir esse exemplo que é o nosso modelo de integração, mas sabemos que a dificuldade encontrada no Brasil e na Argentina são maiores porque temos problemas internos”, disse Duhalde. “Todo o esforço e inteligência devem ser direcionadas para superar as assimetrias do bloco”, acrescentou.


O ex-presidente argentino elogiou a decisão do bloco de criar um grupo de trabalho para integrar a Bolívia como membro-pleno e disse que a meta deve ser a integração física de todo o subcontinente. Duhalde encontrou-se com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta terça-feira para pedir apoio no lançamento de uma edição em português do livro sobre a Comunidade Sul-Americana de Nações.

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