quarta-feira, 14 de fevereiro de 2007

António Mexia alerta para risco de apagão no Brasil em 2010

O presidente do Conselho de Administração do grupo Energias de Portugal (EDP), António Mexia, alertou na última sexta-feira, 9, que o Brasil corre o risco de enfrentar uma nova crise de abastecimento de energia elétrica a partir de 2010.

Ao falar durante o Fórum Brasil 2007, ele salientou que o setor de geração vai exigir investimentos de R$ 85 bilhões até 2015 para que a oferta de eletricidade seja compatível com o crescimento da economia nesse período. "Mas para isso é preciso que os preços dos leilões de energia nova deixem de ser artificialmente mantidos baixos pelas estatais", disse.

"Os subsídios através das estatais reduzem o incentivo aos investimentos."

No entanto, segundo Mexia, o grande desafio do governo é remover os obstáculos ambientais para a construção de novas hidrelétricas. "Apenas vinte quatro horas de um leilão não sabemos se uma liminar ambiental foi derrubada ou não", disse. "É um sistema difícil quando se quer investir 300 ou 400 milhões de euros em barragens."

A Energias do Brasil, subsidiária da EDP, vai investir um mínimo de 1,2 milhões de euros até 2010 e está interessada em projectos de geração com capacidade entre 300 e 400 Mega Watts (MW), disse António Mexia.

Segundo Mexia, em 2007, "70% da contribuição para o EBITDA da Energias do Brasil virá do setor de distribuição e 30% da geração", realçando que, "mesmo assim, a participação da geração neste ano será o dobro da de 2006, com a entrada em funcionamento de Peixe Angical".

Em 2005, a geração da Energias do Brasil tinha uma capacidade instalada de 530 megawatts (MW) e está a expandir a capacidade em 556 MW com a construção da central hidrelétrica de Peixe Angical - 452 MW - que já arrancou e de mais três projectos de produção.

O objectivo da Energias do Brasil é atingir uma capacidade instalada de 1.500 MW e cerca de 3,5 milhões de clientes. Atualmente, tem cerca de três milhões de clientes.

"Entre 2006 e 2010 vamos fazer um investimento significativo de 1.2 milhões de euros (M€), este é o mínimo de investimento, talvez consigamos fazer mais", disse António Mexia, no Fórum Brasil 2007.

"O Brasil tem um bom ambiente macroeconômico e bom ambiente regulatório (...) e estamos interessados em desenvolver projetos entre 300 e 400 MW ", afirmou o presidente da Energias de Portugal.

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