quarta-feira, 14 de fevereiro de 2007

Nuclear: Brasil pode erguer quatro a seis centrais até 2030

O governo brasileiro está a avaliar um programa de energia nuclear que prevê a construção de quatro a seis centrais termonucleares a partir da próxima década e até 2030, divulgou hoje o jornal Estado de São Paulo.

O plano inclui também a conclusão da central Angra 3, a 130 quilómetros do Rio de Janeiro.

De acordo com o jornal, a proposta de retoma dos investimentos em energia nuclear no Brasil prevê a construção de uma nova central a cada três anos, até que a tecnologia responda por 5% do parque gerador.

A primeira central seria instalada na região Nordeste e a segunda em local a ser ainda definido.

O presidente da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), Odair Gonçalves, admitiu ao Estado de São Paulo que o programa já foi encaminhado para avaliação do governo.

Gonçalves disse também que o projecto apresenta soluções para questões polémicas, como o destino dos rejeitos radioactivos, a principal crítica dos ambientalistas, e detalha as fontes de recursos para o desenvolvimento das tecnologias necessárias.

A viabilidade do plano depende, entretanto, da decisão sobre a retoma das obras da central Angra 3, com capacidade de 1,3 mil megawatts (MW), que, se iniciadas agora, poderão estar concluídas entre 2012 e 2013.

O Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), divulgado no mês passado pelo Presidente Lula da Silva, prevê que as obras de Angra 3, paralisadas há 20 anos, sejam reiniciadas em seis meses.

No ano passado, o ministro da Ciência e Tecnologia, Sérgio Rezende, já havia admitido que o governo brasileiro pretendia diversificar a sua matriz energética e que o funcionamento de Angra 3 é considerado importante para garantir o suprimento de energia do país a partir de 2012.

As razões que levaram o governo brasileiro a uma reavaliação favorável da opção nuclear foram a crise do petróleo e o encarecimento da energia de outras fontes de produção, incluindo a hidroeléctrica.

Para além disso, com o problema do aquecimento global, a tecnologia nuclear ganha espaço ante alternativas como petróleo e carvão.

Segundo Rezende, a aposta em energias renováveis em substituição aos combustíveis fósseis ainda não se mostrou viável em larga escala, sendo a energia nuclear a alternativa capaz de atender a demanda energética mundial de forma limpa e segura.

No início deste mês, uma delegação francesa liderada pela ministra de Comércio Exterior, Christine Lagarde, visitou as centrais em Angra dos Reis, complexo nuclear instalado perto de três grandes pólos consumidores de energia - Rio de Janeiro, São Paulo e Belo Horizonte.

O governo francês está interessado numa parceria com o Brasil na área nuclear e já anunciou a abertura do país da Agência Francesa de Desenvolvimento para financiar projectos nomeadamente neste sector.

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