O Brasil pode se tornar uma potência de álcool, substituindo 10% da gasolina consumida no mundo por etanol produzido no país até 2025, de acordo com pesquisa apresentada, ontem, na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). Para atingir essa meta, o país terá que multiplicar por cinco a atual área plantada destinada à cana-de-açúcar. Essa é uma das avaliações do Projeto Etanol, uma parceria do Nipe (Núcleo Interdisciplinar de Planejamento Energético) da Unicamp com o Ministério de Ciência e Tecnologia para estudar cenários da produção de álcool etílico no Brasil num prazo de 20 anos - o projeto começou em 2005.
Seria necessário um investimento anual de R$ 20 bilhões, que viria essencialmente do setor privado, embora o BNDES também possa financiar. O retorno viria nos últimos sete ou oito anos desse período. Apesar do aumento da área plantada de cana dos atuais 5,6 milhões a 6 milhões de hectares para 30 milhões de hectares até 2025, não seria necessária a utilização de áreas florestais. “Para viabilizar a substituição de 10% da gasolina por etanol brasileiro, seria necessário ocupar menos de 10% da área agricultável do Brasil com cana-de-açúcar”, afirmou ontem Rogério Cezar de Cerqueira Leite, coordenador do Projeto Etanol e professor emérito da Unicamp.
O cenário para substituir 10% prevê que o volume exportado de etanol salte dos atuais 2,8 bilhões de litros para até 200 bilhões de litros nesse período, por meio da maior área plantada, da construção de usinas, da melhoria da infra-estrutura e do desenvolvimento de novas tecnologias. Cerqueira Leite ressaltou que novos processos de hidrólise, que permitam, por exemplo, utilizar o bagaço da cana e aumentar a eficiência na produção do combustível, tendem a ser tornar comercialmente viáveis em até 15 anos.
Para o presidente do Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool de Pernambuco (Sindaçúcar-PE), Renato Cunha, o projeto é audacioso, mas é preciso atentar para a concentração da produção. “A cana não pode ficar toda no Oeste de São Paulo ou no Mato Grosso do Sul porque isso pode criar gargalos no escoamento da produção”, comentou. No Nordeste, a expansão só seria possível nas áreas próximas do Rio São Francisco, no Sertão, porque no Litoral não há mais espaço para plantar. “Em Pernambuco, seriam mais 130 mil hectares e de 10 a 12 milhões de toneladas de cana-de-açúcar no Vale do São Francisco”, completou Cunha.
Mas, para substituir 10% da gasolina do mundo por etanol, seria preciso mais do que apenas produzir o combustível no Brasil, lembrou Cunha. “É necessária a criação de um padrão internacional de etanol, para regular a produção, a instituição de novos marcos regulatórios em diversos países do mundo, como o Japão, e a queda das barreiras tarifárias para exportação do álcool em países como os Estados Unidos”, concluiu.
(Folha de Pernambuco)
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