sexta-feira, 19 de janeiro de 2007

Brasil está pronto para "maior esforço" na OMC, diz embaixador

O Brasil está preparado para abrir seus mercados para mais produtos estrangeiros, se houver um acordo para reduzir os subsídios agrícolas globais nos próximos meses, disse o embaixador brasileiro em Washington, Roberto Abdenur.

"O Brasil está pronto para fazer um esforço extra na abertura de seus mercados, desde que primeiro tenhamos... um acordo satisfatório na questão maior, o maior obstáculo das negociações até agora, que é a agricultura", disse o diplomata ao Conselho de Negócios Brasil-Estados Unidos.

As negociações sobre o comércio global foram suspensas em julho por causa das enormes divergências sobre o montante de redução de subsídios aos agricultores.

As negociações mostraram sinais para uma retomada recentemente, num momento em que os países avaliam que uma outra chance de acordo poderá demorar anos para acontecer, caso a oportunidade atual não seja aproveitada.

Enquanto as negociações ganham força de novo, "o que me deixa satisfeito é o fato de haver tanta convergência entre o Brasil e os Estados Unidos sobre a Rodada Doha", disse o embaixador.

"Quando não há acordo na substância, há acordo no método a ser usado para lidar com as questões... para trazer outros países e talvez se conseguir uma retomada nas negociações nos próximos meses", disse o embaixador.

Ao lado da Índia, o Brasil lidera o G20, grupo de países em desenvolvimento, que tem pressionado por maiores cortes nos subsídios e tarifas agrícolas européias e norte-americanas.

As frustrações de parlamentares norte-americanos com as posições brasileiras na Organização Mundial do Comércio (OMC) levaram o Congresso dos EUA, no ano passado, a realizar esforços para tirar o Brasil do Sistema Geral de Preferências (SGP), que permitiu ao país exportar cerca de 3,63 bilhões de dólares aos EUA, em 2005, sem o pagamento de tarifas.

O projeto final, aprovado pelo Congresso, foi muito menos rígido, mas o Brasil ainda pode perder a isenção de tarifas para o equivalente a centenas de milhões de dólares em exportações aos Estados Unidos.

Abdenur reconheceu que o Brasil foi alvo de suspeitas no parlamento norte-americano, particularmente entre legisladores de Estados agrícolas, que vêem o Brasil como um concorrente. Mas, no geral, as relações bilaterais nunca foram melhores, segundo o embaixador.

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