quarta-feira, 31 de janeiro de 2007

Com expansão de 5%, Brasil pode ter falta de energia em 2010

Se o Brasil crescer uma média de 4,8% pelos próximos quatro anos, o País enfrentará uma falta de energia de 764 megawatts médios em 2010, ou 1,3% do mercado, considerando os projetos de geração atualmente em andamento, apontou nesta terça-feira a Empresa de Pesquisa Energética (EPE).


Mas essa escassez poderá ser suprida com projetos que participarão do próximo leilão A-3 (que começam a fornecer energia após três anos), que já tem 16 mil megawatts inscritos, a maior parte vindo de termelétricas.

"Em maio vai ter um leilão justamente para contratar demanda para 2010, e ainda tem o mercado livre", afirmou o presidente da EPE, Maurício Tolmasquim, num seminário da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), em que foi debatido o balanço de oferta de energia.

Dos 16 mil megawatts inscritos para o leilão, cujo prazo de inscrição ainda não se encerrou, 85% são projetos novos e o restante, "botox" (já em operação mas sem contrato), disse ele.

No seminário, representantes da indústria expressaram preocupação quanto a uma possível escassez de energia dentro dos próximos anos.

"Desde que se execute os projetos em andamento ou programados e os investimentos da Petrobras forem executados... não é para ter problema de energia. Mas se isso não ocorrer, devemos ter problemas por volta de 2010", afirmou Paulo Skaf, presidente da Fiesp, num intervalo do seminário.

A EPE, ligada ao Ministério de Minas e Energia, também apresentou uma projeção de consumo se o crescimento da economia ficar numa média de 4%. Nesse caso, haveria em 2010 um excedente de energia de 585 megawatts médios, o equivalente a 1%do mercado total.

Tolmasquim afirmou ainda que, devido aos expressivos volumes de chuva nos últimos meses, haverá pouca necessidade de energia de termelétricas neste ano e no próximo - justamente o período necessário, segundo ele, para que se estabilize a oferta de gás natural no País.

A Petrobras pretende ampliar a produção nacional de gás natural dos atuais 25 milhões para 70 milhões de metros cúbicos, assim como tornar disponíveis 20 milhões de metros cúbicos de gás natural liquefeito (GNL) - 14 milhões no Rio de Janeiro e 6 milhões no Ceará.

"Os reservatórios estão vertendo em todo o País. (A hidrelétrica de) Itaipu está vertendo uma quantidade de água igual à que passa pela usina. (A Companhia Hidrelétrica) São Francisco (Chesf) vai ter de verter proximamente", disse o presidente da EPE.

"Estamos numa situação que há muitos anos não se via no Brasil", afirmou ele a jornalistas.

terça-feira, 30 de janeiro de 2007

Mantega: Brasil não precisa crescer como Índia e China

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse nesta segunda-feira em Londres que o Brasil não tem condições nem precisa crescer nos mesmos níveis da Índia e da China.

"Não precisamos crescer a 10% ao ano e nem temos condições para isso", afirmou Mantega.

O ministro argumentou que só países com mercados consumidores internos relativamente pouco desenvolvidos e num estágio menos avançado de industrialização conseguem crescer a taxas tão elevadas.

Mantega sugeriu que o Brasil está partindo de um estágio econômico mais avançado e usou uma metáfora automobilística para falar do crescimento brasileiro.

"Agora temos um carro melhor com uma estrada boa e podemos aumentar a velocidade de 80 km/h para 120 km/h."

Investimentos

Em relação aos investimentos públicos, o ministro da Fazenda disse que, embora o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) projete um aumento dos atuais 0,6% para 1,1% do PIB em 2007, esse porcentual pode chegar a 2% ou 2,5% se somados os investimentos das empresas estatais.

Segundo Mantega, apesar de a taxa de investimentos públicos ser de cerca de 10% na Índia e na China, "não cabe às condições do Brasil algo dessa magnitude".

O ministro descartou também comparações com a Argentina, que segundo ele, conseguiu ter elevadas taxas de crescimento nos últimos anos apenas porque está se recuperando da crise de 2001/2002.

"Temos que olhar as nossas condições e objetivar o máximo possível", disse o ministro.

"Com um crescimentom médio de 5% ao ano, será possível gerar empregos, fortalecer o mercado interno e o Brasil se tornar uma das maiores economias do mundo."

Encontro com Gordon Brown

Mantega reuniu-se nesta segunda-feira com o ministro das Finanças britânico, Gordon Brown, na residência oficial do britânico, no número 11 da Downing Street.

Segundo Mantega, o principal objetivo no encontro com Brown foi conhecer o sistema de confecção do Orçamento introduzido há dez anos pelos trabalhistas britânicos, e que permite ao governo aumentar seus gastos com investimentos sem comprometer o equilíbrio fiscal.

As regras adotadas na Grã-Bretanha na década passada determinam que o governo não pode se endividar a não ser para custear investimentos e estabelecem um teto para o endividamento público.

No caso do Brasil, disse Mantega, o governo não pretende se endividar para custear investimento. "O Brasil teve que conquistar a confiança dos investidores e não tem como fazer o mesmo que a Grã-Bretanha", afirmou o ministro.

Segundo ele, os dois governos coincidem na filosofia de que o investimento é um ativo, não um passivo.

"O modo de implementar é diferente, porque não vamos aumentar endividamento. Os dois governos concordam que o Estado precisa fazer mais investimentos não para substituir o setor privado, mas para melhorar as condições criadas pela globalização"

O conceito já foi utilizado em parte na confecção do PAC, que destina meio ponto percentual do PIB para investimentos considerados essenciais sem que esse gasto seja deduzido das contas para o superávit primário.

Mantega diz ter conversado com Brown também sobre a Rodada de Doha da Organização Mundial do Comércio (OMC), relançada neste fim de semana durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça.

Brown teria reiterado a intenção do governo britânico de contribuir para o sucesso das negociações.

Além disso, os dois trataram das Parceria Público Privadas, as PPPs, outro conceito britânico que serviu de modelo ao governo brasileiro.

Mantega e Brown discutiram, por exemplo, a dificuldade de estabelecer uma remuneração justa os investidores privados.

Finalmente, os ministros concordaram com a formação de um grupo técnico regular de discussões entre Grã-Bretanha e Brasil para tratar de iniciativas comuns, incluindo a proposta de um fundo internacional de vacinação.

Gordon Brown é considerado o provável sucessor do atual primeiro-ministro, Tony Blair, quando este deixar o cargo neste ano.

domingo, 28 de janeiro de 2007

Tony Blair pede Brasil no Conselho de Segurança da ONU

“Um Conselho de Segurança da ONU [Organização das Nações Unidas] sem Alemanha, Japão, Brasil ou Índia, sem falar nos países africanos ou nações islâmicas irá, com o tempo, não apenas perder legitimidade aos olhos do mundo, mas seriamente inibir qualquer ação efetiva”, disse o primeiro-ministro inglês Tony Blair, de acordo com nota oficial do Fórum Econômico Mundial.

O apoio ao pedido brasileiro de participar do conselho foi feito na sessão de encerramento do fórum em Davos, na Suíça. Blair disse que o futuro dos três principais assuntos da reunião – comércio mundial, mudanças climáticas e África – ainda não está definido, mas houve progresso em cada um deles. “O que realmente ocorre é que as nações, até as maiores, estão percebendo que não podem ter interesses nacionais estreitos sem perceber os amplos valores globais”.

O primeiro-ministro britânico afirmou ainda, segundo a nota do Fórum Econômico Mundial, que tem um “otimismo cauteloso” sobre as negociações na Organização Mundial de Comércio (OMC). Ele teve reuniões em Davos com o presidente George W. Bush, dos Estados Unidos, Luiz Inácio Lula da Silva, do Brasil, e a chanceler alemã Angela Merkel.

Blair disse que a nova atitude dos EUA sobre o clima é uma mudança “muito importante”.

sábado, 27 de janeiro de 2007

Brasil está disposto a fazer concessões comerciais, diz Lula

O Brasil está disposto a fazer concessões no comércio de bens industriais e no setor de serviços se houver chance de um acordo até abril nas negociações da Rodada Doha, disse hoje o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Para isso, os Estados Unidos e a União Européia deverão melhorar suas ofertas para o comércio agrícola. Ele discutiu a rodada numa reunião com diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Pascal Lamy, o primeiro-ministro britânico, Tony Blair, e vários dos principais negociadores.

Se americanos e europeus mostrarem disposição para um acordo, o Brasil tentará convencer os parceiros do Grupo dos 20 (G-20) a fazer as concessões necessárias a um entendimento, prometeu o presidente. Serão naturalmente, ressalvou Lula, ofertas proporcionais às possibilidades de cada país. A Rodada Doha, afirmou, é um empreendimento político, mais do que econômico. Sua conclusão poderá abrir oportunidades de crescimento econômico nas áreas mais pobres, incluída a África, insistiu o presidente em vários momentos de sua participação no Fórum Econômico Mundial.

A conversa sobre as negociações comerciais, numa reunião fechada, foi parte da programação do Fórum. Se houver acordo até abril sobre os pontos mais complicados, será politicamente mais fácil concluir a rodada - este é o raciocínio, No fim de junho vence a autorização do Executivo americano para assinar acordos sujeitos apenas a aprovação, mas não a emendas, pelo Congresso. Se as grandes questões ainda estiverem abertas será mais difícil conseguir uma prorrogação ou renovação da autoridade para negociar. Esta é, pelo menos, uma suposição corrente entre os negociadores.

Amanhã, em Davos, cerca de 25 ministros - há quem fale em número maior -- deverão reunir-se para mais uma tentativa de levar adiante a rodada. Nenhum resultado notável deverá sair desse encontro, segundo as avaliações ouvidas nos últimos dias, mas há quem aposte num avanço importante nos próximos meses. A representante dos Estados Unidos para Comércio Exterior, Susan Schwab, declarou essa esperança numa entrevista publicada hoje pelo jornal O Estado de S. Paulo. "Dependerá deles", disse ontem o chanceler Celso Amorim, referindo-se aos americanos.

O Brasil continua a cobrar dos Estados Unidos maiores cortes dos subsídios internos à agricultura. Alguns desses subsídios causam distorções no comércio internacional, estimulando a superprodução e deprimindo os preços. Além disso, continua em debate a criação de uma lista de produtos "sensíveis", defendida pelos governos europeus e americanos. O Brasil admite a criação da lista, mas com muita cautela. Uma relação extensa poderia incluir a maior parte dos produtos em que os brasileiros têm vantagem competitiva. Outros governos do Mercosul têm a mesma preocupação.

O comissário de Comércio da União Européia, Peter Mandelson, também tem dado declarações moderadamente otimistas, admitindo que algum resultado importante possa surgir nos próximos meses. É uma esperança fantasiosa, segundo a ministra do Comércio da França, Christine Lagarde. Lula defendeu a conclusão da rodada, em todas as manifestações, alegando sempre que os países mais pobres serão beneficiados com a abertura dos grandes mercados para seu produtos agrícolas. Não fez uma única referência direta aos interesses brasileiros. Disse mais de uma vez que falava principalmente a favor dos pobres, porque a agricultura brasileira, insistiu, é competitiva. Os pobres poderão ser beneficiados consideravelmente, exemplificou, se os europeus comprarem etano da África e os Estados Unidos, da América Central. Haverá mais milho para suínos e frangos, argumentou Lula, se os americanos deixaram de usá-lo para produzir álcool. O etanol de cana exportado pelos pobres das Américas e da África, explicou, será produzido com tecnologia transferida pelo Brasil. Se a Europa comprar etanol da África e os Estados Unidos, da América Central, quem comprará do Brasil: só os asiáticos? A essa pergunta o presidente respondeu com um sorriso, afirmando que a demanda européia será enorme, se adotarem 5% de álcool na gasolina, e que o Brasil nesse campo é imbatível.

sexta-feira, 26 de janeiro de 2007

Indústrias brasileiras investem mais em questões ambientais

As indústrias brasileiras estão investindo mais na chamada tecnologia limpa (que não agride o meio ambiente). É o que constata pesquisa divulgada hoje (26) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

De acordo com a pesquisa, de 1997 a 2002, o investimento em controle ambiental (aquisição de máquinas e equipamentos, construção de estações de tratamento e despesas com o funcionamento de aparelhos que não poluem o ecossistema) deu um salto de 83,9%, descontando-se a inflação no período. Em 1997, as empresas destinaram a essa área R$ 10,5 bilhões. Em 2002, os investimentos no setor já somavam R$ 22,1 bilhões.

Para o técnico do IBGE Paulo Gonzaga, esse movimento reflete uma maior consciência ambiental por parte das empresas, mas também pressões do mercado.

“Há vários determinantes, como aumento da consciência ambiental, pressões da sociedade através de leis e os desastres ambientais que levaram as empresas a adotar uma postura mais ativa nessa área. É uma estatística só de esforço, e não de resultados, mas percebemos claramente que há um esforço crescente entre as indústrias brasileiras, e isso se traduz em maiores investimentos”, diz.

Gonzaga destacou que o mercado externo é cada vez mais exigente em relação ao cumprimento de normas ambientais. Segundo a pesquisa, o receio das organizações de que danos ambientais prejudiquem a imagem corporativa e o maior rigor das agências de regulação ambiental também influenciaram esse crescimento.

A pesquisa revela que aumentou o número de empresas que direcionam parte de seus recursos à questão ambiental, e elas são principalmente grandes organizações. Em 1997, as indústrias com esse tipo de preocupação, que somavam 3.823 empresas, representavam 34,1% do total da produção industrial; em 2002, já havia 6.691 indústrias que investiam em controle ambiental e elas respondiam por 48,2% do total da produção.

Outra constatação é que o valor investido pelo conjunto das empresas aumentou de 13,9% para 18,7% no período. O movimento foi puxado, principalmente, pela indústria de transformação, cujo aumento nesses investimentos foi de 92,6%.

No primeiro ano de investigação, os setores de alimentos e bebidas eram os principais investidores em controle ambiental, já em 2002 a maior concentração dos investimentos passou para as divisões de fabricação de coque, refino de petróleo, elaboração de combustíveis nucleares e produção de álcool.

Polícia Federal investiga desaparecimento de ex-miss Brasil

SÃO PAULO - A Polícia Federal de Joinville, em Santa Catarina, investiga o sumiço da ex-miss Brasil Taiza Thomsen, de 24 anos. Os pais da moça registraram o desaparecimento na quinta-feira, 25.

Segundo a família, o último contato com Taiza aconteceu no primeiro semestre de 2006. Na ocasião, a ex-miss disse que estava em Londres. A Polícia Federal vai pedir ajuda aos agentes britânicos para começar as buscas, segundo informações do Jornal Hoje, da TV Globo.

Brasil poderá ensinar os países pobres a produzir biodiesel

O governo brasileiro está disposto a transferir para os países pobres a tecnologia de produção de biodiesel, segundo afirmou o presidente Lula em Davos, na Suíça. Durante discurso no Fórum Econômico Mundial, Lula sugeriu que os países ricos financiem tais projetos nos países em desenvolvimento como forma de diminuir a desigualdade no mundo.

"O biodiesel gera emprego, gera renda, gera desenvolvimento. E o nosso programa poderia ser um exemplo a ser financiado pelos países ricos aos países africanos e da América Central", disse Lula.

Um dos principais temas em discussão no Fórum Econômico Mundial 2007, que começou no dia 24 e termina neste domingo são as mudanças climáticas. Como são provocadas principalmente pela emissão de gases poluentes, o biodiesel aparece com uma das alternativas para reduzir esse processo.

Lula citou que os EUA, por exemplo, em vez de produzir etanol do milho, deveriam financiar projetos de biodiesel nos países pobres, o que poderia ser inclusive mais barato.

O professor Mário Ferreira Presser, coordenador do Curso de Diplomacia Econômica da Unicamp, disse à Agência Brasil que “isso tem vários atrativos: contempla os africanos, os europeus, o Brasil. Resolve a questão do clima, da pobreza e da liberação do mercado de açúcar e álcool”.

“A estratégia dos empresários brasileiros é mostrar que não se tornarão os grandes produtores de etanol sozinhos, que muitos outros países em desenvolvimento podem se beneficiar desta abertura de mercado”, analisa. “Há entusiasmo com isso inclusive no Banco Mundial. Uma vez que ninguém sabe bem o que fazer com a África, inserir o continente como produtor de um produto com demanda certa seria um tremendo avanço e seria um grande gol para o Brasil”, acredita Presser.

Com Agência Brasil

Lula chama estrangeiros para conhecer medidas do PAC

Aproveitando-se da presença dos mais de mil empresários internacionais no Fórum Econômico Mundial de Davos, na Suíça, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva convidou-os a visitar o Brasil a partir de fevereiro, para conhecer de perto as oportunidades de investimento oferecidas pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). "O Brasil vive um momento de auto-estima interna e de confiança externa, porque a nossa economia nunca esteve numa situação privilegiada como está hoje", afirmou Lula aos estrangeiros, apresentando o país como um lugar estável para investimentos.

"Não vou aqui fazer merchandising para o Brasil. E não vou pedir para vocês: 'Vem para o Brasil, investe no Brasil'. Isso só vai fazer quem quiser ganhar dinheiro e ter segurança no investimentos", disse. De acordo com a Agência Brasil, Lula incentivou seus ministros a também convidarem empresários estrangeiros.

Ao comentar sobre política econômica, o presidente se esforçou em explicar que o país aprendeu a combinar políticas de crescimento de exportações com crescimento do mercado interno, controle da inflação com crescimento econômico, superávit comercial com superávit na conta corrente. Segundo ele, "o Brasil alcançou um nível de reservas que nunca imaginou". Lula lembrou ainda que a primeira aparição pública que fez em fóruns internacionais foi no Fórum Econômico de 2003, além de discursar sobre os compromissos de seu segundo mandato.

Tecnologia é pauta importante para ministro brasileiro em Davos

Tecnologia da informação está sendo um dos temas principais da agenda do ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan, no Fórum Econômico Mundial, que acontece até esta sexta-feira (26/01) em Davos, na Suíça.

Na quarta-feira (24/01), o ministro já se encontrou com o vice-presidente da Hewlett-Packard (HP), Todd Bradley, e com o vice-presidente de Desenvolvimento Corporativo do Google, David Drummond.

Nesta quinta-feira (25/01), Furlan encontra o presidente da empresa da AMD, Hector Ruiz, e também o professor indiano Soumitra Dutta, nome de destaque no setor de tecnologia da informação.

Segundo informações do MDIC, inclusão digital e crescimento econômico deverão ser o tema principal das conversas com representantes das empresas e de governos de outros países. Um painel a ser realizado na sexta-feira debaterá especialmente oportunidades de investimento no Brasil.

Outro integrante do governo brasileiro que está direcionado ao tema de tecnologia da informação é o assessor especial da Presidência da República, Cezar Alvarez. O executivo participará de reuniões com outros países interessados no projeto One Laptop per Child, que prevê a utilização de notebooks de baixo custo para utilização de escolas públicas.

Vacina contra HPV já está no Brasil

A primeira e única vacina aprovada contra o HPV, vírus responsável por 70% dos casos de câncer de colo do útero, chegou ontem à rede privada de saúde do país. O preço final ao consumidor vai ficar em torno de R$ 500 por dose em clínicas e laboratórios de análise, mas ele pode subir em breve.

O valor é mais baixo do que previa o fabricante, o laboratório Merck. A idéia era de que a dose saísse da fábrica com valor próximo disso e que as clínicas a vendessem por até R$ 700. Há uma semana, no entanto, conforme adiantou o jornal "O Estado de S. Paulo" no dia 19, a Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos, órgão do governo federal que estabelece os preços dos remédios no País, definiu o preço da dose: R$ 364,16.

O laboratório entrou com recurso contra o valor do governo e vai mantê-lo, mesmo com o produto no mercado - a Merck importou inicialmente 45 mil doses. “A referência de preço usada pelo governo foi o valor da vacina nos Estados Unidos (US$ 120), onde ela é fabricada. Não podemos vender pelo mesmo valor aqui”, analisa João Sanches, diretor de Comunicação da Merck.

O fabricante estuda formas de facilitar o acesso da vacina ao consumidor com empresas reguladoras de crédito. Enquanto isso, algumas clínicas parcelam o valor da vacina. Marília Gimenez, de 23 anos, trainee de uma multinacional, tomou a primeira dose ontem na Clínica Cepidi e dividiu o preço. “Há dois meses estou atrás da liberação dessa vacina”, diz Marília. “Sei o que é a doença, minha amiga tem HPV e não quero passar por isso.”

Mesmo antes da chegada ao mercado, pacientes já faziam “fila” para comprar o produto. Nos laboratórios Delboni, 50 mulheres aguardavam a vacina. Por causa do preço, a encomenda na maioria dos centros será pela demanda. É remota a possibilidade de estoque. No Fleury, uma das maiores redes do País, a compra inicial será de cem doses.

A vacina Gardasil protege contra quatro tipos de HPV - dois deles oncogênicos (tipos 16 e 18), que respondem pelos casos de câncer de útero, e os tipos 6 e 11, responsáveis por 90% das verrugas genitais. A aplicação é feita em três doses - a segunda é dada dois meses depois da primeira e a terceira, após seis meses da inicial. Estudos clínicos mostraram que ela imuniza mulheres de 9 a 26 anos - a eficácia em pacientes mais velhas está em teste. O tempo de proteção é de cinco anos. A vacina da Merck é vendida em 50 países.

Nos próximos meses, chegará outra vacina contra HPV ao mercado - ainda em análise nas agências reguladoras de saúde, incluindo o Brasil. É a Cervarix, do laboratório GlaxoSmithKline. Para mulheres de 10 a 55 anos, ela protege contra quatro tipos de HPV (16, 18, 31 e 45), todos oncogênicos.

A contaminação do HPV pode ocorrer em qualquer tipo de contato com a área genital, mesmo oral ou por manuseio. Os homens atuam como vetores da doença. Na maioria das vezes a infecção não tem sintomas. O vírus pode ser detectado pelo exame papanicolau. Para 2006, o Instituto Nacional de Câncer (Inca) esperava 20 mil novos casos de câncer de colo de útero no Brasil.

Brasil volta ao Fórum Econômico Mundial em momento favorável e importante, afirma Meirelles

O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, destacou hoje ao chegar a Zurique, capital da Suíça, a presença do Brasil no Fórum Econômico Mundial e disse que a posição do país é bastante diferente desde a primeira participação do atual governo no evento.

“O Brasil volta agora a Davos com outro discurso, outra postura e outra situação em relação aos demais países. Acho que é um momento favorável e importante”.

Meirelles lembrou que o presidente Lula esteve em Davos no início do primeiro mandato, no momento em que o país estava em crise e que todos se preocupavam com o Brasil.

“Hoje o Brasil deixou de ser preocupação: é uma economia estável que agora se dedica a crescer a uma velocidade cada vez mais acelerada. Está buscando o caminho para fazer isso com estabilidade, confiança e solidez”.

Para Meirelles, participar de um evento como esse é uma “oportunidade interessante” para debater os rumos da economia global e ao mesmo tempo deixar a mensagem de que o Brasil está no rumo certo.

Meirelles, que chegou a Zurique no mesmo vôo que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou que hoje, a presença do país no fórum tem outro significado.

A agenda de Meirelles em Davos inclui encontros com dirigentes de grandes corporações e de bancos.

O presidente Lula chegou a Zurique às 14 horas (11 horas em Brasília) e já embarcou de helicóptero para Davos, onde cumpre agenda a partir das 18 horas (21 horas no Brasil).

Ainda hoje Lula tem encontro com quatro executivos de grandes corporações, entre elas o Citi Group e o Google, além de audiência com o ministro de Economia e Finanças do Reino Unido, Gordon Brown.

quinta-feira, 25 de janeiro de 2007

Copom reduz a taxa Selic para 13,00% ao ano

Dando prosseguimento ao processo de flexibilização da política monetária, o Copom decidiu reduzir a taxa Selic para 13% ao ano, sem viés, por cinco votos a favor e três votos pela redução da taxa Selic em 0,50 p.p. Diante das incertezas associadas ao mecanismo de transmissão da política monetária, e considerando que os efeitos das reduções de juros desde setembro de 2005 ainda não se refletiram integralmente na economia, o Copom avalia que a decisão contribuirá para aumentar a magnitude do ajuste a ser implementado.

Crescimento é ponto divergente

Ainda existem algumas dúvidas em torno do PAC (Programa de Aceleração da Economia), lançado na segunda-feira, dia 22, pelo governo. A principal delas diz respeito à projeção de crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) – a soma das riquezas produzidas no país - já que todos os indicadores apresentados no programa se baseiam em taxas de 4,5% em 2007 e 5% ao ano, de 2008 a 2010. Considerado “otimista demais” pelo setor produtivo, o número é defendido como certo pelo governo.

“Não haverá ainda um efeito dessas medidas de estímulo de investimento capaz de garantir a consecução dessa meta de crescimento”, diz o presidente da CNI (Confederação Nacional da Indústria), Armando Monteiro Neto, para quem o crescimento em 2007 será de 3,5%.
“A partir de 2007, se o plano for bem gerido, os investimentos começarem a acontecer e o governo sinalizar claramente a sua disposição para retomar a agenda de reformas estruturais, aí, sim, será possível pensar em taxas de crescimento superiores a 4%”, acrescenta Monteiro Neto.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, rebate dizendo que as medidas anunciadas vêm em um momento em que a economia espontaneamente já apresenta sinais de crescimento superior a 2006 e se somam a um cenário já bastante positivo.

O ministro lembrou que as projeções dos especialistas divulgadas até esta semana para o crescimento da economia não levam em conta as novas medidas. “Acho muito difícil que em 2007, pelas condições que já estão estabelecidas, não tenhamos um crescimento substancialmente maior que em 2006”.

Mantega argumenta que janeiro de 2007 já se inicia com juros bem menores que os do ano passado. O crédito fechou 2006 em 48% do PIB (Produto Interno Bruto) e sua estimativa é que, com as medidas de estímulo aos empréstimos, essa relação ultrapasse os 50%. “Além, disso temos vários setores aquecidos, como o automobilístico, que é o carro-chefe da economia, setor de construção civil, as vendas ao varejo cresceram 6,3%. As exportações e as importações continuam se ampliando”, acrescentou o ministro.

Segundo Mantega, a intenção do governo é que o aumento dos investimentos públicos puxe a participação do setor privado, elevando a taxa de juros em aproximadamente 1% a cada ano. Com isso, a taxa de investimento estaria em 25% do PIB em 2010.

A própria ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Roussef, afirmou no lançamento do programa, que os R$ 503,9 bilhões previstos de investimentos nos três eixos (logística de transporte, energia e infra-estrutura social e urbana) são um valor coerente, estimado com base no que o setor público pode desembolsar e no ambiente favorável ao investimento que o PAC criou.

“Não estamos aumentando, não estamos inventando, estamos construindo mecanismos que uma parte é de responsabilidade da União e a outra parte, ao criar condições para setor privado investir. Por isso, o programa garante juros mais baixos, financiamento de longo prazo, instrumentos creditícios e fundos de participação em investimento que são passíveis de ser realizados, sem alteração substantiva nas condições vigentes”, observou.

As medidas previstas no PAC, anunciado dia 22, são “extremamente positivas”, na opinião do professor de economia Cláudio Dedecca, da Unicamp (Universidade de Campinas). O desafio, agora, será cumpri-las e implementá-las efetivamente, disse.

Em entrevista à Rádio Nacional, o professor listou uma série de indagações para essa implementação, como: ‘O governo tem capacidade, está devidamente organizado para isso? Tem estratégias claras?’. E disse esperar que ‘o Congresso seja sensível ao PAC e o aprove rapidamente’, além do trabalho dos ministérios, ‘de forma articulada e convergente’.

Lojas Americanas compram Blockbuster no Brasil por R$186,2 mi

As Lojas Americanas anunciaram nesta quarta-feira que compraram por 186,2 milhões de reais as 127 lojas da rede de locadoras Blockbuster no Brasil.

Com a aquisição, as Lojas Americanas aumentam em 54 por cento seu número de lojas no país, atualmente em cerca de 230, e elevam em 330 mil a base de clientes ativos. Somente na região metropolitana de São Paulo, o número de lojas passa de 41 para 100, informou a assessoria de imprensa da rede.

O acordo, fechado com a Unibanco Empreendimentos e Participações, envolve a compra pelas Lojas Americanas de 99,99 por cento das ações da BWU, empresa que explora o desenvolvimento e subfranquia as atividades da Blockbuster no Brasil. O valor da transação deve ser pago em maio.

As Lojas Americanas informaram que pretendem ampliar a oferta de produtos e serviços nas unidades Blockbuster por meio do formato "Americanas Express", que são lojas menores com os produtos mais vendidos em cada região.

O negócio também inclui um contrato de licença da marca Blockbuster no país por 20 anos, fechado entre as Lojas Americanas e a Blockbuster International .

A operação precisa de aprovação de assembléia de acionistas das Lojas Americanas, que será realizada em 60 dias. A companhia é controlada pelo grupo de investidores bilionários Jorge Paulo Leman, Carlos Alberto Sicupira e Marcel Telles. Em novembro do ano passado, eles participaram da união do site Americanas.com com o site de varejo Submarino.

A rede de locadoras chegou ao Brasil em 1994, por meio de um acordo de franquia entre o Grupo Moreira Salles, do Unibanco, e a Blockbuster Entertainment Corporation, que criou a BWU Video. A primeira loja no Brasil foi inaugurada em 22 de março de 1995, no bairro paulistano do Itaim Bibi.

Brasil terá moedas comemorativas aos Jogos Pan-americanos

O governo vai lançar duas moedas comemorativas alusivas aos Jogos Pan-americanos 2007. O Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou ontem, dia 24, as características físicas e layouts da moeda.

Uma delas - com valor de face de R$ 5 e feita em prata - trará a logomarca oficial da 15ª edição do campeonato. O reverso terá dois ícones representativos da cidade do Rio de Janeiro, sede do evento: à esquerda, o Pão de Açúcar e à direita, as linhas da calçada de pedras portuguesas da praia de Copacabana. A tiragem máxima será de 20 mil moedas, cada uma no valor de R$ 106.

A outra moeda, no valor de face de R$ 2, será confeccionada em cobre e níquel. Também trará, no anverso, a logomarca oficial do Pan. No reverso, haverá a imagem de um atleta correndo, tendo ao fundo linhas representativas das raias da pista de atletismo. Serão emitidas no máximo 50 mil moedas, no valor de R$ 15 cada.

O projeto gráfico foi desenvolvido pelas equipes do Banco Central e da Casa da Moeda, com a colaboração do ministério do Esporte e do Comitê de Gestão das Ações Governamentais do Pan.

O lançamento está previsto para o dia 4 de abril, data escolhida pelo comitê organizador dos jogos para a realização de uma série de eventos que darão início à contagem regressiva de 100 dias para o início do campeonato, marcado para 13 de julho.

quarta-feira, 24 de janeiro de 2007

Com Lojas Americanas, "cara" da Blockbuster no Brasil deve mudar

As Lojas Americanas licenciaram a marca Blockbuster pelos próximos 20 anos no Brasil. Segundo a Blockbuster norte-americana, empresa que administra 8 mil lojas em 24 países, o acordo permitirá que as Americanas usem a marca da maneira que melhor entenderem: as locadoras de vídeo poderão ser modificadas para abrigar mais produtos, especialmente eletrônicos, e as unidades de grande porte do grupo brasileiro poderão ter quiosques da Blockbuster.



"Trata-se da união da empresa líder em locação e vendas de DVDs com a principal revendedora de aparelhos do gênero no Brasil", disse Karen Raskopf, vice-presidente de comunicações da Blockbuster Inc. A empresa não revelou o valor do acordo para uso da marca, mas afirmou estar satisfeita com o negócio.


Americanas Express


O acordo com a Blockbuster faz sentido dentro da estratégia do grupo brasileiro de ampliar suas lojas de pequeno porte, batizadas de Americanas Express. A assessoria de imprensa das Lojas Americanas confirmou que as duas marcas passarão a dividir o mesmo espaço. Um grupo foi formado para analisar a melhor forma de unir os dois conceitos. Como as lojas Blockbuster têm tamanhos diferentes, o estudo será feito caso a caso.


Sem as amarras de uma franquia, o consumidor pode esperar muitas mudanças nas 127 unidades da Blockbuster no Brasil. "As Lojas Americanas são uma marca conhecida e respeitada no Brasil e faz sentido que ela use sua marca e a da Blockbuster sob o mesmo teto", afirmou Karen Raskopf ao G1.

Brasil capta US$ 500 mi com Global 2037

BRASÍLIA, 23 de janeiro de 2007 - O Brasil captou mais US$ 500 milhões no mercado internacional. Na primeira oferta de papéis no mercado internacional em 2007, o Tesouro Nacional comemorou o menor juro pago na emissão do Global 2037. Com a operação desta terça-feira, o estoque desse papel acumula US$ 2,5 bilhões.

De acordo com comunicado do Tesouro, os títulos com vencimento em 2037 foram emitidos com preço de 106,338% de seu valor de face e taxa de retorno ao investidor (yield) de 6,635% ao ano. O spread da operação - diferença de juro ante a taxa paga nos papéis da dívida norte-americana - ficou em 173 pontos-base. Esse papel paga cupons semestrais de 7,125% ao ano nos dias 20 de janeiro e julho até o vencimento, em 20 de janeiro de 2037.

As condições obtidas na primeira operação do ano foram as melhores entre as observadas nas quatro emissões do Global 2037. Na emissão anterior, ocorrida em março de 2006, o preço era de 103,747%, retorno de 6,831% e spread de 204 pontos. Técnicos do Tesouro destacaram que o resultado sinaliza boa demanda pelo Brasil, mesmo com possível preocupação que poderia ter sido gerada pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). "Reafirma a confiança externa no Brasil", disse um dos técnicos do órgão.

Com a operação desta terça-feira, o Tesouro Nacional acumula US$ 2,5 bilhões no Global 2037. O papel foi lançado há pouco mais de um ano, em 10 de janeiro de 2006, quando foram colocados US$ 1 bilhão com taxa de retorno de 7,557% ao ano. Em março, foi reaberta a operação com mais US$ 500 milhões e yield de 6,831%. Em agosto, o papel foi novamente emitido, com US$ 500 milhões, em uma operação de troca de títulos da dívida externa. Na ocasião, o retorno voltou a cair, para 7,15%. (Fernando Nakagawa - Gazeta Mercantil Tempo Real)

terça-feira, 23 de janeiro de 2007

Sem apoio da Argentina, Brasil libera R$ 20 milhões para Paraguai

Diante dos obstáculos impostos pela Argentina para ajudar os sócios menores do Mercosul, o Brasil tomou uma decisão unilateral para ajudar o Paraguai. O governo liberou R$ 20 milhões para o país vizinho aplicar na redução de burocracias aduaneiras entre as duas nações e em projetos sociais.

A disponibilização dos recursos foi publicada no Diário Oficial desta terça-feira (23) e será liberado a partir da aprovação pelo Paraguai de projetos de administração tributária e aduaneira, segundo informou a assessoria do Ministério das Relações Exteriores. Durante a última reunião de cúpula do Mercosul, o país vizinho reclamou da burocracia que seus produtos enfrentam para entrar no mercado nacional

“A finalidade é fomentar a modernização da administração tributária e aduaneira e a redução de desequilíbrios locais, principalmente nas áreas sociais e econômicas, buscando melhor integração entre os países membros do Mercado Comum do Sul”, consta do texto da lei que permite a liberação.

A verba soma-se aos US$ 47,28 milhões aprovados pelo Mercosul que serão destinados ao Paraguai através do Fundo para a Convergência Estrutural do Mercosul (Funcem). Os recursos foram garantidos durante a última reunião de cúpula do bloco econômico que terminou na semana passada.

O valor total dos 11 projetos para o Fundo é de US$ 72,18 milhões. O Uruguai receberá US$ 8,46 milhões. O restante será destinado para o bloco aplicar em programas técnicos e no combate de febre aftosa.

A liberação dos R$ 20 milhões é o primeiro passo do governo brasileiro na direção de medidas unilaterais para favorecer os sócios menores. O Brasil estuda também dar benefícios a setores específicos de Paraguai e Uruguai para reduzir o desequilíbrio comercial com os dois países.


Argentina e Brasil, segundo Duhalde


O ex-presidente da Comissão de Representantes Permanentes do Mercosul, o argentino Eduardo Duhalde, instou os maiores países do bloco a dar concessões aos dois sócios menores, mas reconheceu que diante dos problemas internos de Brasil e Argentina é mais difícil ajudar.

“A União Européia está concedendo ajuda às ex-nações comunistas para que elas integrem a comunidade. Devemos seguir esse exemplo que é o nosso modelo de integração, mas sabemos que a dificuldade encontrada no Brasil e na Argentina são maiores porque temos problemas internos”, disse Duhalde. “Todo o esforço e inteligência devem ser direcionadas para superar as assimetrias do bloco”, acrescentou.


O ex-presidente argentino elogiou a decisão do bloco de criar um grupo de trabalho para integrar a Bolívia como membro-pleno e disse que a meta deve ser a integração física de todo o subcontinente. Duhalde encontrou-se com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta terça-feira para pedir apoio no lançamento de uma edição em português do livro sobre a Comunidade Sul-Americana de Nações.

Defesa Civil alerta para chuva forte no Distrito Federal e em seis estados

A Secretaria Nacional de Defesa Civil (Sedec), do Ministério da Integração Nacional, alerta para chuva forte hoje (23) no sul do Piauí, centro-sul do Maranhão, Tocantins, norte e nordeste de Mato Grosso do Sul e Bahia. Amanhã (24), o alerta é válido para o centro-norte de Mato Grosso do Sul. Segundo a Sedec, até quinta-feira (25), a chuva permanecerá no Distrito Federal e em Mato Grosso.

Em alguns momentos, a chuva poderá vir acompanhada de descargas elétricas no oeste da Bahia, no centro-sul do Maranhão, no sul do Piauí e em Tocantins. As rajadas de vento podem chegar até 60 km/hora no Distrito Federal e em Mato Grosso e, hoje, no norte e nordeste de Mato Grosso do Sul e, amanhã, no centro-norte desse estado. A Sedec recomenda que se evitem áreas de alagamento e locais com pouca ou nenhuma proteção contra raios e ventos fortes. Alerta-se, também, para o risco de deslizamento de encostas, morros e barreiras.

Informações do Centro de Previsão de Tempo (Cptec) e do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) serviram de base para os alertas enviados a Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Distrito Federal. Os demais estados tiveram seus alertas baseados em informações do Cptec.

Governo mantém exclusividade da ZFM para a produção de set top box

A Zona Franca de Manaus (ZFM) continua com a exclusividade na concessão de incentivos fiscais para a produção de conversores de sinal digital, o set top box, abrindo ainda caminho para a futura fabricação da TV Digital. Isso porque a Medida Provisória (MP) nº 352, editada na última segunda-feira (dia 22) pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, como parte do Pacote de Aceleração do Crescimento (PAC) não inclui os dois produtos nos programas de Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico da Indústria de Semicondutores (PADIS) e de Apoio ao Desenvolvimento da Indústria de Equipamentos para a TV Digital (PATVD). Ou seja, TV Digital e set top box continuam sendo incentivados exclusivamente pela legislação do modelo ZFM.

Com relação à produção de displays, qualquer Estado brasileiro pode produzi-los, desde que o investidor cumpra todas as etapas do processo: do projeto ao desenvolvimento dos insumos. "Não há alteração nos benefícios já existentes no Pólo Industrial de Manaus. Na Zona Franca tudo vai ser feito como já tem sido feito. A isenção visa estimular as empresas para que elas invistam em transmissão", ressaltou o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan.

“A MP foi extremamente favorável a Zona Franca. O presidente Lula e o ministro Furlan (Luiz Fernando Furlan, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior – MDIC) honraram com a palavra dada ao governador Eduardo Braga e à região: disseram que a Zona Franca não seria prejudicada com o pacote de incentivos fiscais e cumpriram. Essa vitória é resultado da parceria entre Suframa, MDIC, Governo do Amazonas, trabalhadores e lideranças empresariais de nosso Estado”, destaca a superintendente da Suframa, Flávia Skrobot Grosso.

A busca pelo desenvolvimento com o objetivo de reduzir as diferenças regionais norteou o PAC, que tem como meta maior fazer o Produto Interno Bruto (PIB) do País crescer 5% ao ano, até 2010. Além de trabalhar a atração de uma indústria de semicondutores para o Brasil e estimular a produção da TV Digital e seus componentes para o início das transmissões em sinal digital da TV aberta a partir do fim desse ano, o governo pretende investir R$ 503 bilhões em infra-estrutura e saneamento nos próximos quatro anos. “Crescer de forma correta é crescer diminuindo a diferença entre as pessoas e regiões”, destacou o presidente Lula.

Indústria de displays

Com relação a produção de displays, a superintendente da Suframa afirma que a Zona Franca passa a ter vantagem em relação aos demais Estados brasileiros na disputa pela atração de fabricantes do segmento. Isso porque, explica, Manaus detém a totalidade da produção brasileira de televisores – até novembro de 2006 o PIM produziu mais de 12 milhões de unidades, incluindo modelos com tela de plasma e cristal líquido -, e um ambiente científico-tecnológico favorável. Flávia Grosso se refere às parcerias firmadas pela Suframa com os institutos de pesquisa de renome internacional Fraunhofer IZM e Leti-Minatec.

O alemão Fraunhofer IZM, por exemplo, é o maior em pesquisa de alta tecnologia da Europa, com atuação específica na área de microtecnologia, incluindo a TV Digital. Já o francês Leti-Minatec atua na formação de capital intelectual voltado ao segmento. Além desses dois, a Capital do Amazonas conta com outros institutos locais, como o Genius, Instituto Nokia de Desenvolvimento Tecnológico (INDT), a Fundação Centro de Análise, Pesquisa e Inovação Tecnológica (Fucapi), Centro Tecnológico do Pólo Industrial de Manaus (CT-PIM) e a Fundação Paulo Feitoza, entre outros.

A MP diz que para se produzir displays será preciso fazer todas as etapas no País, ou seja, o projeto do produto (inclusive seu design), o desenvolvimento dos insumos e as etapas de montagem e acondicionamento final. Em Manaus, esse tipo de investidor encontra um pólo de TVs consolidado e a possibilidade de atuar com os institutos de pesquisa internacionais e locais. “A chegada da TV Digital ao Pólo Industrial de Manaus inaugura uma nova fronteira de negócios, a partir dos novos produtos que poderemos fabricar na era digital”, acrescenta Flávia Grosso.

Sindicato da construção civil já prevê crescimento de até 6% em 2007

O presidente do Sindicato da Indústria de Construção Civil do estado de São Paulo (Sinduscon-SP), João Cláudio Robusti, afirmou ontem (22) que as medidas previstas no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) podem fazer com que o setor cresça até 6% em 2007. Antes do anúncio do programa, a previsão era a de crescimento de 4,9%.

“Com essas medidas, muito na base do sentimento e pelo fato de as medidas motivarem a iniciativa privada a se movimentar, eu particularmente acho que o país terá condição de crescer 4% e a construção civil poderia bater na casa dos 6%”, disse Robusti, para quem o programa deve começar a render resultados em seis meses.

O presidente do Sinduscon disse ainda que o programa acerta quando combina a desoneração dos investimentos produtivos com estímulos à expansão da infra-estrutura e da oferta de habitação. Mas criticou a decisão de destinar R$ 5 bilhões de recursos do patrimônio líqüido do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para o novo fundo de investimento em infra-estrutura.

“Como o Sinduscon-SP e outras entidades da construção civil e dos trabalhadores têm reiteradamente manifestado, os recursos do FGTS deveriam continuar sendo integralmente destinados à habitação e ao saneamento", disse.

Robusti também considerou que as medidas apresentadas pelo governo poderiam ser mais arrojadas, principalmente em relação à queda da taxa de juros e à da dívida pública. “Poderiam existir mecanismos para que isso fosse reduzido mais significativamente, de tal sorte que a gente pudesse ter mais dinheiro para investir”, afirmou.

PAC poderá auxiliar em economia do PIM

Setor de TV digital, que ainda busca se firmar no cenário nacional, poderá ganhar diversos benefícios a partir dos anúncios que foram realizados ontem por Lula.

Uma das medidas dará incentivos para a fabricação de equipamentos de transmissão de sinais e para televisores digitais e conversores ("set-top boxes"), que farão a transformação do sinal digital em analógico. Esse aparelho permitirá que o telespectador continue usando o televisor que tem em casa, mas com melhora significativa na qualidade da imagem e do som, que será similar à de um DVD.

Outra será a ajuda na implementação de antigas demandas já impostas ao PIM (Pólo Industrial de Manaus). Os "set-top boxes", e posteriormente os televisores digitais, deverão ter desoneração fiscal para fabricação na Zona Franca de Manaus. A previsão é de que a produção de conversores movimentará R$ 9 bilhões em três anos, segundo informação divulgada ontem.

“A economia japonesa registrou em janeiro cinco anos consecutivos
de crescimento.

Relatório mensal do escritório do
Gabinete divulgado pela agência "Kyodo"”

Economia Nacional: Mantega nega venda de ação da Caixa, mas admite BB

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, negou veementemente que o governo pense em vender ações da Caixa Econômica Federal. A suposta intenção do governo circulou nos últimos dias e chegou a ser divulgada como uma das fontes de financiamento do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).


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Apesar de rejeitar a venda de parte da Caixa, Mantega admitiu que o governo deve se desfazer de parte do capital do Banco do Brasil nos próximos meses, além de outros ativos como imóveis. Em conversa reservada com colunistas de jornais, o ministro negou que o Palácio do Planalto pense em vender ações da Caixa - instituição que tem 100% do capital nas mãos do governo federal.

"Podemos vender ativos, mas ações da Caixa Econômica e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico Social (BNDES), jamais", disse. Sobre a chance de o governo se desfazer de ativos, o ministro da Fazenda citou que os papéis do BB podem ser alvo de ofertas no mercado.

O secretário-executivo da Fazenda, Bernard Appy, lembrou que o banco aderiu recentemente ao Novo Mercado da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). Nessa condição, é obrigatório que o controlador coloque 25% do capital da empresa em mercado até dois anos após a entrada nesse segmento do mercado de ações - o chamado free float.

Atualmente, o BB tem 14,8% do capital em mercado. Sendo assim, é preciso que o banco venda 10% do capital para se enquadrar à condição.

Governo espera R$504 bi até 2010 para fazer economia deslanchar

O governo lançou nesta segunda-feira o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e espera da iniciativa privada e de estatais boa parte dos investimentos considerados essenciais para fazer a economia deslanchar.

O PAC prevê 503,9 bilhões de reais em investimentos até 2010 --sendo 436,1 bilhões de reais das estatais e do setor privado e o restante, do Orçamento federal.

Somente a Petrobras deverá ser responsável por 144 bilhões de reais, quase 30 por cento do total. Da cifra, 55 bilhões de reais estão previstos para este ano.

"(O PAC) vai estimular o aumento do investimento privado assim como o do investimento público, principalmente no setor de infra-estrutura", estimou o ministro da Fazenda, Guido Mantega, em cerimônia no Palácio do Planalto.

"Outro objetivo é desobstruir os gargalos que existem nas áreas administrativa, burocrática, jurídica e mesmo legislativa que impedem os investimentos."

Parte das medidas depende do Congresso, mas os impasses políticos antes da definição da presidência da Câmara podem atrasar a tramitação.

As centrais sindicais também prometem barulho, posicionando-se contra o projeto de destinar, inicialmente, 5 bilhões de reais do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para um fundo de investimentos em projetos de infra-estrutura.

O PAC prevê ainda a injeção de 5,2 bilhões de reais na Caixa Econômica Federal (CEF) para ampliar a capacidade de concessão de crédito do banco, e um compromisso de redução "consistente" da TJLP, taxa de juro usada nos financiamentos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

O governo também espera melhorar o ambiente para o investimento, agilizando a concessão de licenças ambientais para projetos e organizando as agências reguladoras. Haverá desoneração tributária de 6,6 bilhões de reais este ano.

"O pacote é benigno, é bem-vindo e as medidas estão na direção correta", comentou o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Armando Monteiro Neto, pedindo, no entanto, mais atenção à área fiscal.

"Na área fiscal é preciso aprofundar as medidas sob pena de o programa poder perder a consistência ao longo do tempo."

SUPERÁVIT FISCAL MENOR?

Mantega disse que a meta de superávit fiscal será mantida em 4,25 por cento do Produto Interno Bruto (PIB), mas na prática poderá cair a 3,75 por cento para abrigar o chamado Projeto Piloto de Investimentos (PPI).

Esse mecanismo, que conta com o respaldo do Fundo Monetário Internacional, permite que os gastos com determinados projetos de infra-estrutura, que se provem viáveis, sejam considerados como investimentos e não despesas.

"Pode não ser necessário (acomodar todo o PPI no superávit)... Mas, se for necessário, nós estamos dispostos a reduzir e poderemos, sim, caminhar para um primário de 3,75 por cento, mas a sustentabilidade das contas públicas está garantida."

Para Jason Vieira, economista-chefe da Máxima DTVM, não se pode dizer que as medidas sejam ambiciosas. "São necessárias, mas me pergunto de onde vão sair esses recursos." "Não vi nenhuma medida efetiva de longo prazo, não me passou essa solidez, 2010, para mim, é curto prazo", completou.

Mantega assegurou que a trajetória da relação dívida/PIB, indicador de solvência acompanhado de perto por investidores, é decrescente. A expectativa é de que recue de cerca de 50 por cento atuais para menos de 40 por cento em quatro anos.

Para o déficit nominal do setor público, que será o foco do governo, a trajetória prevista é de 1,9 por cento do PIB este ano, 1,2 por cento em 2008, 0,6 por cento em 2009 e 0,2 por cento em 2010.

Veja como o pacote vai mexer no bolso do consumidor

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou nesta segunda-feira o aguardado Plano de Aceleração do Crescimento (PAC), que prevê a redução de impostos de vários setores, principalmente os ligados à infra-estrutura, e investimentos de cerca de R$ 500 bilhões até 2010. Algumas das medidas para acelerar o crescimento têm efeito direto no bolso de boa parte da população.

Entre os destaques estão a redução de impostos para computadores, um sistema de reajuste acima da inflação para o salário mínimo e para a remuneração de servidores públicos e o reajuste da tabela do Imposto de Renda nos próximos três anos.

Em seu discurso, Lula confirmou a criação de um fundo de investimento em infra-estrutura com R$ 5 bilhões do FGTS e a ampliação do capital da Caixa Econômica, em R$ 5,2 bilhões, aumentando a capacidade de concessão de crédito do banco, o que poderá facilitar a compra da casa própria.

O PAC traz 19 medidas legais, entre as quais sete medidas provisórias e sete decretos.

Salário Mínimo

O Plano de Aceleração do Crescimento prevê uma nova fórmula de reajuste do salário mínimo. Segundo o ministro da Fazenda, Guido Mantega, os proventos serão corrigidos com base na variação da inflação (IPCA) do ano anterior mais a expansão do Produto Interno Bruto (PIB) da economia de dois anos antes.

- A correção de 2008, por exemplo, será feita com base na inflação de 2007 mais o crescimento do PIB de 2006 - ilustrou.

Despesa com funcionalismo

Os gastos com o pagamento da folha do funcionalismo terão um teto de ganho real (acima da inflação) de 1,5%. A idéia é manter o crescimento dos gastos controlado.

- Pela primeria vez na história estamos nos comprometendo em repor a inflação e dar um aumento real para o funcionalismo. Mas, ao mesmo tempo, estamos dando um parâmetro para esta elevação, para que ela não seja excessiva e desmensurada e comprometa os recursos de que precisaremos para fazer mais investimentos e para prosseguir com a desoneração tributária - disse Mantega.

Impostos para computadores

A isenção de impostos para computadores que já está em vigor ajudou o setor a ser um dos com maior crescimento no ano passado. Com o sucesso da medida, o governo decidiu ampliar a isenção de dois impostos para micros.

Até agora, computadores de até R$ 2,5 mil e laptops de até R$ 3 mil recebiam isenção dentro do Programa de Integração Social (PIS) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins). A isenção desses impostos significou até hoje, na prática, preços cerca de 10% mais baratos para o consumidor.

Pelo decreto assinado nesta segunda-feira pelo presidente Lula, computadores que custam até R$ 4 mil estão incluídos no benefício.

Imposto de renda

Pela Medida Provisória nº 340 de 2006, a tabela de Imposto de Renda para pessoas físicas será reajustada em 4,5% por ano entre 2007 e 2010.

Se a inflação continuar nos atuais patamares, isso significaria um alívio para o bolso do contribuinte na hora de pagar imposto. No ano passado, por exemplo, a inflação medida pelo IPCA ficou em 3,14%, abaixo portanto dos 4,5%.

Brasil se alia a 32 países para pressionar EUA na OMC

Genebra, 22 - Uma aliança formada por Brasil, Argentina, Austrália, Canadá, Uruguai, Guatemala e os 27 países da União Européia (UE) foi criada para pressionar os Estados Unidos a reduzir seus subsídios no setor agrícola.

Depois de Brasil e Argentina se unirem ao processo na sexta-feira, como antecipou a Agência Estado, ontem foi a vez de os europeus, centro-americanos e uruguaios também enviarem uma carta à Organização Mundial do Comércio (OMC) solicitando a participação em uma queixa contra a ajuda dada pelo governo norte-americano a seus produtores agrícolas, principalmente no setor do milho.

O Canadá havia entrado com a queixa depois de ter constatado que os subsídios americanos ao milho violam as regras internacionais, afetam as exportações canadenses e ainda geram uma depressão nos preços internacionais do produto.

Com a adesão do bloco de outros 32 países que se queixam dos Estados Unidos, a disputa foi além e passou a atacar não apenas os subsídios ao milho, mas os créditos aos produtores e o teto estabelecido para que os americanos possam subsidiar seus produtores no setor de soja e cana-de-açúcar.

Diante da queixa generalizada contra praticamente todos os subsídios americanos aos principais setores agrícolas, o caso tem tudo para se tornar um dos mais polêmicos dos últimos anos.

Washington se recusa desde julho a aceitar um corte maior em seus subsídios domésticos, o que paralisou a rodada de negociações da OMC. Os americanos querem estabelecer um teto de US$ 22,5 bilhões por ano a seus subsídios, mas países europeus, Brasil e outros pedem que o teto seja inferior. O caso ainda promete ter uma repercussão importante na formulação da nova lei agrícola americana, que está em debate no Congresso americano e que estipulará o volume de subsídios nos próximos cinco anos.

A esperança dos países que abriram a queixa é de que os parlamentares americanos sejam pressionados a rever seus subsídios diante do caso na OMC.

Etanol

Para o Brasil, o caso também é o primeiro a tocar em uma disputa internacional pelo futuro mercado de etanol. Nos Estados Unidos, o milho subsidiado está sendo o usado para a produção de etanol. "Há dezenas de usinas sendo criadas nesse esquema", acusa Clodoaldo Hugueney, embaixador do Brasil na OMC. Os Estados Unidos são, hoje, o segundo maior produtor de etanol do mundo, superados apenas pelo Brasil.

segunda-feira, 22 de janeiro de 2007

Com o PAC, Lula promete "romper barreiras e superar limites" na economia

O presidente deixou para os ministros Guido Mantega (Fazenda) e Dilma Roussef (Casa Civil) o detalhamento das medidas e metas econômicas do Programa. Limitou-se a comentar o seu "conteúdo político" e estimular "todos os setores da nação".
"Quando falamos em acelerar, não se trata, como dizia aquela antiga canção da Jovem Guarda, de entrar na Rua Augusta a 120 km por hora, mas de acelerar com firmeza, na estrada certa, na hora certa, mantidos os limites ideais de segurança. O que não podemos é ter medo de andar na velocidade correta, mesmo que para isso tenhamos que ultrapassar os retardatários e nos livrar de algum peso no meio do caminho", disse Lula.


Veja a íntegra da fala de Lula



"No nosso primeiro governo, conseguimos implantar um modelo de desenvolvimento firmado na estabilidade, no crescimento do emprego e do salário, na diminuição da pobreza e na melhoria da distribuição de renda.


O desafio agora é acelerar o crescimento da economia, com a manutenção e ampliação destas e outras conquistas obtidas nos últimos anos. É hora, acima de tudo, de romper barreiras e superar limites. Por isso, estamos hoje aqui para lançar o programa de Aceleração do Crescimento.


Queremos continuar crescendo de maneira correta, porém, de forma mais acelerada. Crescer de forma correta é crescer diminuindo as desigualdades entre as pessoas e entre as regiões, é crescer distribuindo renda, conhecimento e qualidade de vida.
Crescer de forma acelerada é arrancar as travas e colocar o País em um ritmo mais compatível com sua capacidade e com sua força. Crescer de forma correta é crescer com equilíbrio fiscal, com redução da dívida e da vulnerabilidade externa. Crescer de forma acelerada é gerar mais emprego e produzir mais riqueza. Crescer de forma correta é crescer sem inflação e sem controle de preços. Crescer de forma acelerada é estimular a indústria, o campo e o setor de serviços em todas as suas escalas e configurações. Crescer de forma correta é crescer mantendo e ampliando as liberdades civis e os direitos democráticos. É implantar uma nova cultura de produção e trabalho que reforce os valores fundamentais da sociedade brasileira.


Meus amigos e minhas amigas,
O programa de Aceleração do Crescimento engloba um conjunto de medidas destinadas a desonerar e incentivar o investimento privado, aumentar o investimento público e aperfeiçoar a política fiscal. O detalhamento técnico do Programa será feito logo após esta minha fala pelos ministros Guido Mantega e Dilma Rousseff. O meu papel aqui é enfatizar o seu conteúdo político e a sua força mobilizadora. A minha intenção hoje é estimular todos os setores da nação a participar deste esforço de aceleração do crescimento, pois uma tarefa destas não pode ser uma atitude isolada de um governo, mas sim de toda a sociedade brasileira.


Um governo pode tomar iniciativas, pode criar os meios, mas para que qualquer projeto amplo tenha sucesso, é preciso o engajamento de todos. Temos que ver o PAC não apenas como um conjunto de medidas, mas como um foco de novas atitudes.


Quando falo em mudança de atitudes, não estou dizendo que não estávamos no caminho certo, mas sim que criamos a hora e o ambiente para mudar e avançar. Quando falamos em acelerar, não se trata, como dizia aquela antiga canção da Jovem Guarda, de entrar na Rua Augusta a 120 km por hora, mas de acelerar com firmeza, na estrada certa, na hora certa, mantidos os limites ideais de segurança. O que não podemos é ter medo de andar na velocidade correta, mesmo que para isso tenhamos que ultrapassar os retardatários e nos livrar de algum peso no meio do caminho.


O Programa de Aceleração do Crescimento é apenas uma peça de uma grande engrenagem. Ele mesmo vai se ampliar e desdobrar em várias etapas. Como os Ministros vão explicar, as medidas do PAC estão organizadas, nesta primeira etapa, em cinco blocos: medidas de investimento em infra-estrutura, medidas de estímulo ao crédito e ao financiamento, medidas de desenvolvimento institucional, medidas de desoneração e administração tributária, e medidas fiscais de longo prazo.


Na área da infra-estrutura, junto com medidas nas áreas tradicionais, estamos introduzindo um novo conceito: o de infra-estrutura social. É assim que passamos a denominar investimentos em alguns setores, como habitação e saneamento, transporte de massa, além de determinados programas de água e eletricidade, como o Luz para Todos, que representam, de forma direta, melhoria da qualidade de vida da população mais pobre.


Antes que os porta-vozes do óbvio comecem a dizer que falta isso ou que falta aquilo, repetimos que o PAC vai ser implantado em módulos, dada a magnitude do universo a atingir. O Programa faz parte de um grande esforço de crescimento que pressupõe, igualmente, a aceleração da reforma política, a aceleração da reforma tributária e a aceleração do aperfeiçoamento do sistema previdenciário, para o qual, aliás, o PAC já traz medidas específicas.


As soluções óbvias nem sempre são as mais fáceis. Elas, muitas vezes, são as mais difíceis de implantar. Muitos falam em disciplina de gastos, diminuição de impostos e baixa de juros. Nós, mais que ninguém, defendemos e praticamos isso, só que não estamos na posição cômoda dos que apenas se contentam em falar, mas no papel difícil e responsável de encontrar os meios adequados para fazer. Estamos mostrando que, com esforço e planejamento, as soluções aparecem. Os juros estão caindo, estamos ampliando as desonerações e vamos continuar racionalizando os gastos correntes, sem prejudicar setores vitais nem áreas estratégicas. O mais importante, e o lançamento do PAC é uma demonstração disso, é que as condições fiscais permitem o aumento do investimento do governo federal sem comprometer a estabilidade.


Minhas amigas e meus amigos,
Tenho forte esperança de que o PAC seja o início de um novo processo de mobilização coletiva que estimule uma mentalidade produtiva em todos os setores sociais e que ajude a fundamentar uma verdadeira cultura produtiva: a cultura do trabalho. Iremos fazer, cada vez mais, a nossa parte para canalizar e catalizar a incrível energia empreendedora que se espalha Brasil afora. Para isso, temos que contagiar, de forma especial, o ambiente interno do governo, porque só avançaremos se conseguirmos melhorar, cada vez mais, o padrão de eficiência do setor público.


Faz parte desse esforço coletivo, portanto, a melhoria de serviços públicos básicos, como segurança, educação e saúde, introduzindo, a médio e longo prazo, nesses setores, a filosofia de metas de produção, de gerenciamento por resultados e controle de qualidade. Nenhum país pode se desenvolver sem incorporar toda a sociedade nesse esforço de superação e crescimento. A política de desenvolvimento, como temos repetido, tem que ser inclusiva e não segregadora de setores inteiros da sociedade. Mais desenvolvimento não é somente o crescimento do PIB e melhoria de variáveis macroeconômicas, tampouco é só acumulação de renda e capital. Ela deve ser, antes de tudo, desenvolvimento humano. Para alcançarmos isso, temos que aperfeiçoar nosso sistema de idéias e nossas instituições. A cultura produtiva, aliada a um novo humanismo, deve ser o motor para transformar o País. O melhor de tudo é que conseguimos implantar bases bem sólidas para que isso aconteça. Hoje, na síntese final e completa da soma dos resultados econômicos, social e político, o Brasil, sem sombra de dúvida, se coloca em uma posição privilegiada no mundo. Aqui não se cresce sacrificando a democracia, aqui não se fortalece a economia enfraquecendo o social, aqui não se cria ilusões de distribuir o que não se tem, nem de gastar o que não se pode pagar. Aqui, o econômico, o político e o social estão plenamente enlaçados em um moderno projeto de nação.


Meus colegas de política e de missão pública,
Mais que nunca é hora de nós, políticos, mostrarmos que nossa principal tarefa é a de liderar as mudanças que a sociedade exige. A disputa política é envolvente e apaixonante, mas não podemos deixar que nossa energia se dissipe e a oportunidade histórica se perca. O Programa de Aceleração do Crescimento depende de forma vital do apoio do Congresso, seja provando e aperfeiçoando propostas do Executivo, seja oferecendo novas idéias. O PAC precisa ser e será sustentado por uma ampla coalizão política de forças democráticas que defendem uma idéia de nação justa e independente. Sei que contaremos, mais uma vez, com o apoio livre e soberano do Legislativo na construção de um novo Brasil. Sei também que contaremos com a compreensão e apoio dos governadores, que de certo apoiarão o Programa, que tem como um dos seus eixos a diminuição dos desequilíbrios regionais e que prevê obras e ações em todo o território nacional.


A democracia é um ambiente mais saudável para o crescimento. Pouco me interessaria um aumento expressivo do PIB se isso implicasse, o mínimo que fosse, redução das liberdades democráticas, assim como não adianta crescer sem distribuir, não adianta crescer sem democratizar.


Assim como vamos conseguir evoluir para o crescimento acelerado com estabilidade, também vamos continuar aperfeiçoando nossas práticas políticas para termos uma democracia cada vez mais participativa. Mas este esforço de crescimento do PAC precisará ser completado por um incremento na qualidade da educação, na implantação da política nacional, da política social e na implantação de uma nova política nacional de segurança pública. Por isso, dentro de curto prazo, será lançado um conjunto de medidas específicas na área de educação e ações importantes no setor da segurança pública, a serem compartilhados pela União e pelos estados brasileiros.


Minhas amigas e meus amigos,
É tempo de ampliarmos ainda mais a nossa esperança no Brasil. Na verdade, o Brasil é um dos países do mundo que não deu margem nos últimos tempos à perda de esperança. Mesmo aquelas pessoas que, por precipitação emocional ou volúpia interesseira, viram em problemas passageiros alimento para uma retórica da desesperança, mesmo elas não tiveram combustível para prosperar em seu pessimismo.


É tempo, outra vez, de acumularmos matéria-prima de sonho e de utopia. Nas décadas que se avizinham, o Brasil será cada vez mais um semeador de novos caminhos para si mesmo e para o mundo. Para isso, é imprescindível que criemos projetos e programas como o PAC, que não se esgote em um governo, mas que seja um trabalho a ser completado e aperfeiçoado pelas próximas gerações.


O Brasil tem que ser o palco de experimentação social profunda, e a transformação social não é feita pelo condão mágico dos governos, mas sim pela força criativa e mobilizadora da sociedade. Não desperdicemos esta chance. Mais que nunca é tempo de sonhar e progredir, tempo de acelerar, tempo de crescer e tempo de incluir."

Mantega: crédito na economia subiu para 33,7% do PIB

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse hoje que o volume de crédito na economia cresceu, desde 2002 até hoje, de 24% para 33,7% do Produto Interno Bruto (PIB). "E nós vamos continuar crescendo", disse, durante o anúncio do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Ele comentou que, se for levado em conta o crédito mercantil, a participação dos empréstimos no PIB estaria próxima os 50%.

Ele lembrou também que, no ano passado, o mercado de capitais se constituiu uma importante fonte de financiamento para o setor privado. Foram cerca de R$ 120 bilhões em lançamento de debêntures (títulos) e ações. O ministro também destacou que, ao lado disso tudo, as taxas de juros estão sendo reduzidas.

De acordo com ele, a regulamentação do artigo 23 da Constituição, no que diz respeito ao meio ambiente - uma das medidas propostas no programa - ajudará a definir melhor as competências entre os entes da federação, na concessão das licenças ambientais para projetos de infra-estrutura. "Essa melhor definição agilizará os investimentos a serem feitos, por exemplo, em hidrelétricas", afirmou.

sexta-feira, 19 de janeiro de 2007

BNDES aprova criação de fundo de investimento para MPEs inovadoras

A direção do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou a criação do programa de Capital Semente (Criatec) com o objetivo de garantir suporte financeiro e gerencial adequado às micro e pequenas empresas inovadoras em estágio nascente. O programa tem como foco, basicamente, negócios voltados para tecnologia da informação, biotecnologia, novos materiais, mecânica de precisão, nanotecnologia e agronegócios.

O Criatec terá orçamento de R$ 80 milhões, com um período de investimento de quatro anos. As perspectivas são de que o programa permita a capitalização de até 60 micro e pequenas empresas inovadoras, com investimento médio entre R$ 500 mil e R$ 1 milhão. A iniciativa representará a geração de cerca de 3 mil postos de trabalho especializados.

A importância estratégica do apoio do BNDES está associada à estruturação de uma cadeia produtiva de empresas inovadoras. Além disso, a participação do banco auxiliará na indispensável transformação do investimento nacional em ciência e tecnologia em produtos e processos que farão parte dos diferentes setores da economia, contribuindo dessa forma para a inserção do país em um novo patamar no campo da inovação.

É insuficiente, no Brasil, o apoio permanente e sistemático, por intermédio de capital de risco, às empresas em estágio nascente voltadas para inovação. O BNDES entende que o Estado brasileiro, à semelhança da experiência internacional, deva ter papel fundamental no apoio ao setor, por meio de suas instituições de fomento, já que o mercado de capitais privado do país ainda não possui instrumentos adequados voltados para esse tipo de empresa.

O programa prevê a constituição de um fundo mútuo de investimento fechado, cujas cotas poderão ser subscritas, além do BNDESpar, por outros parceiros interessados em aderir ao programa, cabendo destacar em especial a Finep. O fundo capitalizará as empresas inovadoras em estágio nascente com grande potencial de crescimento. O fundo nacional, que será um tradicional fundo mútuo de investimento em empresas emergentes, será gerido por um gestor privado, a ser escolhido por um processo de seleção que ocorrerá ainda neste trimestre.

Caberá ao gestor responsável pelo fundo selecionar gestores regionais nos principais pólos inovadores do país, que serão responsáveis pela realização dos investimentos e monitoramento nas empresas alvo.

O regulamento do Criatec estabelecerá as principais regras a serem atendidas pelas empresas a serem investidas, cabendo destacar:

– Poderão ser apoiadas empresas com faturamento líquido de, no máximo, R$ 6 milhões, no ano anterior à capitalização do programa.

– No mínimo 25% do patrimônio do fundo deverá ser investido em empresas com faturamento de até R$ 1,5 milhão.

– No máximo 25% do patrimônio do fundo deverá ser investido em empresas com faturamento entre R$ 4,5 milhões e R$ 6 milhões.

De Lula para Kirchner

Em recado direto para o presidente da Argentina, Néstor Kirchner, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu ontem que os dois países, os maiores do Mercosul, sejam “mais generosos” com os vizinhos mais pobres e afirmou que integração significa, sobretudo, “despojamento de interesses pessoais e até de um interesse nacional”. Em discurso na abertura do Foro de Governadores e Prefeitos do Mercosul, ele também criticou indiretamente o Uruguai, que discute a possibilidade de negociar um Tratado de Livre-Comércio com os Estados Unidos.

“A minha tese é a de que os países mais fortes têm que ser sempre mais generosos, ter políticas para ajudar os países mais pobres. Foi assim que a União Européia conseguiu ajudar o desenvolvimento da Espanha, ajudar o desenvolvimento de Portugal da Grécia, e agora está ajudando outros novos 15 parceiros. Esse é um gesto que os países maiores têm que fazer.”

A declaração ocorre após a tentativa da Argentina de bloquear a estratégia do governo Lula de favorecer o ingresso pleno da Bolívia no Mercosul sem exigir o cumprimento da Tarifa Externa Comum (TEC), instrumento que confere ao bloco o caráter de união aduaneira. Lula disse que o desafio é “gigantesco” e reconheceu que há problemas de assimetria e desigualdade “muito fortes” entre as economias dos países, mas afirmou que a solução “não depende da Europa, não depende do Japão, não depende da China e não depende dos Estados Unidos”. “É um desafio que vai precisar de despojamento. Despojamento de interesses pessoais, despojamento até, de vez em quando, de um interesse nacional, para reparti-lo com alguém que precisa um pouco mais do que nós.”

Lula disse que Brasil e Argentina são os que têm mais responsabilidade no processo. “Os dois maiores é que têm mais responsabilidade. Nós é que temos que ser mais generosos, nós é que temos que ter maiores compreensões, mas muitas vezes, também não podemos ser vítimas de que a desgraça daqueles países dependa dos nossos países.”

Segundo ele, a compreensão da necessidade só vem com a maturidade e a evolução da classe política. “Integração significa, sobretudo, despojamento, ou seja, eu não quero tudo para mim, eu quero para mim apenas aquilo que eu preciso. Uma outra parte daquilo que eu quero tem que ir para outro”, declarou. “Vira e mexe eu ouço dizer: ‘é melhor fazer acordo com os Estados Unidos do que com o Brasil’. Se estiver pensando no imediato, até pode ser, para um mês ou para um ano. Mas este continente já tem muita experiência, muitas frustrações e muitas decepções.”

Lula admitiu que hoje há uma “debilidade” na integração. “Nós fomos repúblicas colonizadas e todos nós tivemos a nossa cabeça voltada, num primeiro momento, para a Europa, e, depois, para os EUA. Nós nos víamos como inimigos. Até pouco tempo, a Argentina era considerada uma ameaça imperialista e o Brasil foi considerado imperialista.”

Ele citou conversa que teve com um ex-presidente da Bolívia, em 2002: “Ao me visitar, ele disse: ‘Lula, eu passei 50 anos acreditando que o Brasil era uma ameaça, e dediquei 20 anos a acreditar que os EUA iriam salvar a Bolívia. Agora, quero dedicar esses quatro anos a acreditar que o Brasil pode ser melhor para a Bolívia do que foram os EUA.”

Brasil está pronto para "maior esforço" na OMC, diz embaixador

O Brasil está preparado para abrir seus mercados para mais produtos estrangeiros, se houver um acordo para reduzir os subsídios agrícolas globais nos próximos meses, disse o embaixador brasileiro em Washington, Roberto Abdenur.

"O Brasil está pronto para fazer um esforço extra na abertura de seus mercados, desde que primeiro tenhamos... um acordo satisfatório na questão maior, o maior obstáculo das negociações até agora, que é a agricultura", disse o diplomata ao Conselho de Negócios Brasil-Estados Unidos.

As negociações sobre o comércio global foram suspensas em julho por causa das enormes divergências sobre o montante de redução de subsídios aos agricultores.

As negociações mostraram sinais para uma retomada recentemente, num momento em que os países avaliam que uma outra chance de acordo poderá demorar anos para acontecer, caso a oportunidade atual não seja aproveitada.

Enquanto as negociações ganham força de novo, "o que me deixa satisfeito é o fato de haver tanta convergência entre o Brasil e os Estados Unidos sobre a Rodada Doha", disse o embaixador.

"Quando não há acordo na substância, há acordo no método a ser usado para lidar com as questões... para trazer outros países e talvez se conseguir uma retomada nas negociações nos próximos meses", disse o embaixador.

Ao lado da Índia, o Brasil lidera o G20, grupo de países em desenvolvimento, que tem pressionado por maiores cortes nos subsídios e tarifas agrícolas européias e norte-americanas.

As frustrações de parlamentares norte-americanos com as posições brasileiras na Organização Mundial do Comércio (OMC) levaram o Congresso dos EUA, no ano passado, a realizar esforços para tirar o Brasil do Sistema Geral de Preferências (SGP), que permitiu ao país exportar cerca de 3,63 bilhões de dólares aos EUA, em 2005, sem o pagamento de tarifas.

O projeto final, aprovado pelo Congresso, foi muito menos rígido, mas o Brasil ainda pode perder a isenção de tarifas para o equivalente a centenas de milhões de dólares em exportações aos Estados Unidos.

Abdenur reconheceu que o Brasil foi alvo de suspeitas no parlamento norte-americano, particularmente entre legisladores de Estados agrícolas, que vêem o Brasil como um concorrente. Mas, no geral, as relações bilaterais nunca foram melhores, segundo o embaixador.

quinta-feira, 18 de janeiro de 2007

Telefónica investirá 5,5 mil milhões de euros no Brasil em quatro anos

Os investimentos serão feitos nas áreas de telefonia fixa e móvel, sectores em que a empresa é líder no mercado brasileiro, além das áreas de "call center" e Internet.

A companhia espanhola controla a maior empresa de telefonia fixa do Estado de São Paulo e detém em partes iguais com a Portugal Telecom (PT) a operadora Vivo, líder do mercado de telefonia móvel.

O comunicado informou ainda que, nas próximas semanas, será inaugurado em São Paulo um "call center" da empresa Atento, controlada pelo grupo espanhol, com a criação de 5000 postos de trabalho.

Nos últimos oito anos, a Telefónica investiu cerca de 29 mil milhões de reais (10,6 mil milhões de euros) no mercado brasileiro, o que coloca a empresa como o maior investidor privado no Brasil.

Até 2010, os investimentos da Telefónica no Brasil vão ascender a 44 mil milhões de reais (16,12 mil milhões de euros).

O investimento no Brasil, o maior da Telefónica fora da Espanha, será feito nomeadamente na construção de uma rede GSM de telefonia móvel.

Ontem, o presidente mundial da Telefónica, César Alierta, e o novo presidente de Telefónica no Brasil, António Carlos Valente, foram recebidos em Brasília pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

quarta-feira, 17 de janeiro de 2007

Zambiasi participa da instalação do Foro Consultivo do Mercosul

O senador Sérgio Zambiasi (PTB-RS), primeiro presidente pro tempore do Parlamento do Mercosul, participará nesta quinta-feira (18) da reunião de instalação do Foro Consultivo de Municípios, Estados Federados, Províncias e Departamentos do Mercosul, no Hotel Intercontinental, no Rio de Janeiro. A abertura do evento seráàs 11h e poderá contar com a presença do presidente pro tempore do bloco, Luiz Inácio Lula da Silva, e do ministro-chefe da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República, Tarso Genro.

O Foro Consultivo, criado em dezembro de 2004 na Cúpula de Ouro Preto, visa ao diálogo e à cooperação das autoridades de nível municipal, estadual, provincial e departamental dos Estados Partes do Mercosul entre si e com os governos nacionais. O Foro será o espaço de participação direta dos governos subnacionais na estrutura institucional do Mercosul.

Dois comitês, cada um com nove participantes de cada país membro, comporão o Foro Consultivo: um dos municípios e outro dos estados, províncias e departamentos.

Representarão os governos locais brasileiros os municípios membros do Conselho de Mercocidades - Santo André (SP), São Carlos (SP) e Belo Horizonte (MG) -; a Confederação Nacional de Municípios (CNM); a Associação Brasileira de Municípios (ABM); a Frente Nacional de Prefeitos (FNP); e o Conselho dos Municípios Lindeiros do Lago de Itaipu (Bagé, Santa Maria e Quaraí, todos no Rio Grande do Sul).

Já o Comitê de Estados, Províncias e Departamentos terá como representantes do Brasil, seguindo o critério regional, os estados do Acre e Amazonas (pela Região Norte); Bahia e Ceará (pela Região Nordeste); Espírito Santo (pela Região Sudeste); Mato Grosso do Sul (pela Região Centro-Oeste); e Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul (pela Região Sul).

Reunião de cúpula do Mercosul modifica esquema de segurança no Rio

Soldados do Exército reforçaram o policamento na Linha Vermelha, no fim da manhã desta quarta-feira (17), passagem de quem chega ao Rio pelo Aeroporto Internacional Tom Jobim.


De acordo com o Comando Militar do Leste, a Marinha e a Força Aérea também vão trabalhar no esquema de segurança montado para a reunião de Cúpula do Mercosul, que começa nesta quinta-feira (18). Além das vias expressas, o Exército também fará o patrulhamento de áreas consideradas estratégicas.

Agentes da Polícia Federal de todo o país irão escoltar as comitivas dos onze chefes de estado durante a permanência no Brasil. As primeiras autoridades chegam nesta quarta-feira (17) aoo Rio. O primeiro-ministro da Guiana, Samuel Archibald, já está hospedado em um hotel.

A cúpula do Mercosul se reúne para discutir propostas de cooperação econômica entre os países que compõem o bloco. A expectatica é que os governos da Bolívia e do equador façam um pedido formal de adesão ao Mercosul.


Esta semana, o Rio ganhou ainda o reforço das tropas da Força Nacional de Segurança. Os soldados recebem as últimas instruções para começar a atuar nas divisas do estado na próxima sexta-feira.

Concessões do Brasil a sócios menores dividem Mercosul

A proposta de concessões que o Brasil quer discutir durante a reunião do Mercosul - que começa nesta quinta-feira no Rio de Janeiro - para tentar compensar o desequilíbrio de forças dentro do bloco causa divergências entre os sócios.
Com diferentes argumentos, as idéias apresentadas pelo ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, foram criticadas pelos governos de Paraguai, no Uruguai e na Argentina.

O chanceler brasileiro propôs eliminar a dupla cobrança de tarifa externa comum aos produtos de fora do bloco que entram por Paraguai e Uruguai, mas que têm o Brasil como destino.

Além disso, Amorim aceitou que produtos paraguaios e uruguaios possuam componentes de países de fora do Mercosul.

Ouvidos pela BBC Brasil, o secretário de Relações Econômicas Internacionais do Ministério das Relações Exteriores da Argentina, embaixador Alfredo Chiaradia, e o vice-ministro das Relações Exteriores para Assuntos Econômicos e Integração do Paraguai, Emílio Jimenez, discordaram das sugestões do ministro brasileiro.

Para Chiaradia, o “relaxamento” das chamadas regras de origem (conteúdo importado dos produtos fabricados no Paraguai e no Uruguai) pode abrir espaço para a entrada, no Mercosul, de componentes da China ou de outro país asiático.

“Setores sensíveis como calçados, linha branca (fogões e geladeiras) e bicicletas, fabricados pelos países do Mercosul, poderão sofrer com esta abertura anunciada pelo Brasil”, ressaltou o negociador argentino.

Chiradia disse ainda que o fim da cobrança dupla de tarifas ainda é visto "com muita cautela". A idéia estaria em discussão há pelo menos dois anos, de acordo com outros negociadores do bloco.

Uruguai e Paraguai

Em Montevidéu, o ministro da Economia, Danilo Astori, disse à imprensa local que a eliminação da dupla cobrança “não é uma solução e não resolve o problema de fundo” - que seria, segundo ele, a falta de acesso aos mercados dos outros membros do bloco.

País com três milhões de habitantes, o Uruguai tem se sentido – assim como o Paraguai – discriminado pelos dois sócios maiores, Brasil e Argentina. E, recentemente, acelerou seu interesse por maior aproximação com Estados Unidos – numa relação fora do bloco.

De Assunção, o vice-ministro das Relações Exteriores, Emilio Jimenez, agradeceu a iniciativa do governo brasileiro. Mas ressalvou: “É um avanço importante, mas não podemos considerar que estas medidas são suficientes para concluir o processo de assimetria no bloco”.

Para Jimenez, o Mercosul deve lutar para conquistar sua “meta número um”: o livre trânsito de bens dentro do bloco. “Que nossas mercadorias entrem no Mercosul sem nenhum tipo de barreira”. País com cerca de seis milhões de habitantes, o Paraguai, recordou o vice-ministro, exporta 50% de sua produção para os sócios do bloco.

Fundo de Convergência

A autoridade paraguaia acredita que o equilíbrio de forças no bloco começará a surgir, de fato, a partir do Fundo de Convergência Estrutural (Focem).

Este Fundo já conta, como informou o subsecretário de integração econômica da Argentina, Eduardo Sigal, com US$ 120 milhões. E deverá servir, principalmente, para ajudar aos dois menores sócios e socorrer na hora dos problemas conjuntos do bloco.

Adesão da Bolívia acentua divergências no Mercosul

A adesão da Bolívia ao Mercosul, que poderá ser anunciada na reunião de cúpula do bloco na sexta, no Rio, esbarra na TEC (Tarifa Externa Comum), o que caracteriza o bloco como uma união aduaneira.

O presidente da Bolívia, Evo Morales, enviou carta a todos os presidentes do Mercosul neste mês solicitando a criação de um grupo de estudos para incluir a Bolívia como membro pleno do bloco.

Como tem tarifas de comércio mais baixas que as do Mercosul, a Bolívia quer uma fórmula que resolva isso, que pode variar de uma lista de exceções e tratamentos diferenciados até a admitir o novo sócio sem que participe da TEC por algum tempo. A situação será discutida pelos especialistas.

"A Bolívia é um país muito pobre, e o Brasil não tem interesse em tirar vantagem. O que nos interessa é a estabilidade da Bolívia", disse o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, para quem os pedidos da Bolívia devem ser atendidos.

Caso se confirme a entrada da Bolívia, será consolidada a heterogeneidade política na integração do continente.

De um lado estarão Venezuela e Bolívia, com seus projetos de nacionalização; do outro, Brasil, Uruguai e Paraguai voltados para a consolidação da economia de mercado, e no meio a Argentina, que adota um modelo de economia de mercado, mas com o presidente Néstor Kirchner praticando controle de preços estratégicos.

Divisão

"Teoricamente, a adesão de membros menores é uma alternativa ao processo decisório do Mercosul, que não fica tão a favor dos interesses brasileiros, o que é bom para o processo de integração. Na prática, as exceções inviabilizam a união aduaneira", avalia Renato Baumann, diretor da Cepal (Comissão Econômica para América Latina e Caribe) no Brasil.

Segundo ele, o bloco vai ficar dividido. "Uma parte exige o direito à propriedade e a outra está nacionalizando investimentos. É difícil imaginar como isso vai funcionar. A Europa do Leste só entrou para a União Européia depois que aderiu à economia de mercado. Não é só questão de ideologia, mas de operacionalidade dos acordos que são assinados com regras de economia de mercado", afirma.

Dependendo da solução que for dada à Bolívia, o Mercosul poderá entrar em ebulição, já que as principais reivindicações do Uruguai e do Paraguai se referem justamente à obrigatoriedade do uso da TEC.

O Uruguai quer ainda autorização para fazer acordos comerciais com outros países. E a exceção à Bolívia pode melindrar Chile e México, que não foram admitidos no bloco por não poder aderir à TEC.

Lula aprova cortar R$ 6 bi de impostos para economia crescer

Em sua primeira reunião de trabalho depois das férias no Guarujá (SP), Lula aprovou nesta terça (16) as medidas que integrarão o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento). O pacote “destravador” da economia será anunciado na próxima segunda-feira (22).

Baseia-se num tripé: desoneração de tributos, pesada contenção dos gastos do governo e aumento dos investimentos públicos. Espera-se que as providências assegurem para 2008 um crescimento econômico de pelo menos 4% do PIB.

Reuniram-se com Lula seis ministros e o vice-presidente José Alencar. Um dos participantes do encontro informou ao blog que o corte de tributos será de cerca de R$ 6 bilhões nos anos de 2008 e 2009. A economia nos gastos públicos será de mais de R$ 16 bilhões. E os investimentos públicos serão tonificados em cerca de R$ 10 bilhões.

O pacote conterá também um conjunto de medidas de racionalização da gestão do setor previdenciário. Avesso à idéia de propor uma reforma previdenciária ampla, Lula aposta ma melhoria da gestão. Serão baixadas, por exemplo, normas que irão tornar mais restritivas as concessões de auxílio-doença. Seguirá para o Congresso, de resto, um projeto criando o fundo de previdência complementar para o funcionalismo público.

O governo irá disciplinar também a concessão de reajustes salariais no serviço público. Os vencimentos do funcionalismo serão reajustados pela variação do INPC, acrescida de 1,5% de aumento real ao ano. Será baixada ainda uma política permanente para o aumento do salário mínimo. Prevê a correção pelo INPC, mais um índice com a média da evolução do PIB.

A redução de impostos -sobretudo PIS e Cofins- visa estimular investimentos privados em habitação e infra-estrutura –setor elétrico e portos, por exemplo. Também as inversões do setor públicos, previstas no PPI (Projeto Piloto de Investimentos), serão voltadas para as obras de infra-estrutura. Inicialmente, o pacote incluía uma lista de cerca de 50 obras que mereceriam a atenção de Brasília. Esse número, agora, aproxima-se de cem.

A reunião de Lula com os ministros se arrastou por mais de cinco horas. O presidente viaja nesta quinta-feira para o Rio de Janeiro. Vai participar da Cúpula do Mercosul. E não queria provocar novo adiamento do anúncio do PAC, que deveria ter sido anunciado em dezembro. Estiveram no encontro os ministros Guido Mantega (Fazenda), Dilma Roussef (Casa Civil), Tarso Genro (Relações Institucionais), Paulo Bernardo (planejamento), Márcio Thomas Bastos (Justiça) e Luiz Dulci (Secretaria Geral da Presidência).

Os ministros que mais falaram durante a reunião foram Guido Mantega e Dilma Roussef. O primeiro fez uma exposição pormenorizada sobre os aspectos tributários e fiscais do pacote. A segunda discorreu sobre as obras que merecerão atenção especial do governo no segundo mandato.

As medidas incluídas no PAC serão baixadas por medidas provisórias e projetos de lei. Exigirão um esforço inusitado do governo para aprová-los no Congresso. Lula tem pressa. Deseja reunir, já na segunda-feira (22), antes do anúncio formal do pacote, os presidentes dos dez partidos que integram a coalizão governista.

O Palácio do Planalto tem um primeiro problema a administrar. O blog conversou na noite desta terça (16) com um o presidente de um dos partidos do consórcio governista. Ele disse que há um mal estar entre os políticos. “Nós fomos convidados para integrar uma coalizão. Isso pressupõe participação também na elaboração das medidas. E ninguém foi consultado para coisa nenhuma. Estão impondo aos partidos um prato feito”, disse ele.

Há, de resto, uma insatisfação latente com a demora de Lula em abrir as negociações para a composição do ministério do segundo mandato. Até o momento, os partidos não foram informados acerca do quinhão que caberá a cada um na Esplanada. Os auxiliares de Lula informam que o ministério está montado. Mas, por ora, o presidente confiou os nomes apenas aos ministros palacianos – Tarso Genro, Dilma Rousseff e Luiz Dulci. Daí a irritação dos partidos.

FMI ataca modelo da Venezuela e elogia o Brasil

O diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Rodrigo de Rato, criticou as medidas econômicas anunciadas pelo presidente da Venezuela, Hugo Chávez, e elogiou o desempenho da economia brasileira. “O governo (venezuelano) tem de levar em conta que decisões com objetivos de curto prazo, para aumentar a receita do governo, podem ir contra decisões de médio prazo, de aumentar investimentos; e, do ponto de vista de crescimento, investimento é um elemento muito mais importante.”

Ele ressalvou que não conhece detalhes da estatização anunciada por Chávez e não quer fazer “julgamentos ideológicos”. “Aconselharíamos o governo venezuelano a manter as condições de investimento estáveis; se decidir mudar a propriedade dos meios de produção, na nossa opinião, isso tem de ser feito de forma ordenada.”


Rato criticou também a iniciativa de Chávez de acabar com a autonomia do Banco Central. “A autonomia do BC é um elemento muito importante da estabilidade macroeconômica em qualquer país”, disse. Ele citou Brasil, México e Colômbia como exemplos de como “uma maior independência do Banco Central” favorece a política antiinflacionária.


Brasil


O diretor-gerente do Fundo elogiou ontem a política econômica brasileira. “No Brasil, vimos um desempenho muito bom em termos de estabilidade macroeconômica e redução de pressões inflacionárias”, disse Rato. Ele afirmou que o Fundo concorda com a agenda do governo brasileiro de aumentar o crescimento, mantendo estabilidade macroeconômica.


Mas Rato afirmou que, para o Brasil entrar em rota de crescimento sustentado, será necessário não apenas o ajuste fiscal que o País vem realizando. “O desafio é a qualidade do ajuste fiscal, em termos de gastos sociais e em infra-estrutura.”


Equador


Rato disse que prefere não especular sobre as declarações do presidente do Equador, Rafael Correa, que anunciou a intenção de renegociar a dívida do país e acabar com a independência do Banco Central. “Uma equipe do Fundo esteve com o ministro Patiño e ele disse que ainda não foram tomadas decisões sobre esse assunto.”


Petróleo


O líder do Fundo fez uma advertência aos países latino-americanos que vêm se beneficiando dos altos preços do petróleo. “As oportunidades proporcionadas pelo alto preço do petróleo deveriam ser base para uma transformação estrutural e aumento de transparência.” Mas, de forma geral, ele vê um cenário benigno para a região, que cresceu 5% no ano passado, a expansão mais vigorosa desde os anos 70.

Dívidas devem impedir Brasil de atingir grau de investimento, diz Fitch

É pouco provável que o Brasil consiga o "investment grade" ("grau de investimento", para países que representam baixo risco de calote) devido ao "pesado fardo do endividamento", informou nesta terça-feira a agência de classificação de risco "Fitch Ratings", em um relatório.

Segundo o documento, com déficits fiscais de 3% do PIB (Produto Interno Bruto) e um crescimento entre 3% e 4%, "a dinâmica não aponta para uma redução significativa do endividamento governamental". A nota da Fitch para o Brasil é "BB" --"estável", a dois degraus do grau de investimento.

A estimativa da Fitch de endividamento do governo brasileiro em 2006 é de 72% do PIB, enquanto para os países com a classificação BBB (já no território do "investment grade", que inclui, entre outros, o México e a Rússia) a previsão é de 34%.

"O desempenho do crescimento do Brasil é consideravelmente mais fraco que o da maioria dos países com grau de investimento", diz o relatório. Apesar de pontos positivos --como um superávit primário acima da meta do governo, inflação baixa e a menor vulnerabilidade às flutuações da taxa cambial--, o país precisa reduzir sua carga tributária, de uma reforma trabalhista e melhorar seus marcos regulatórios.

A agência recomenda ainda a independência do Banco Central. "A independência do Banco Central poderia reforçar mais a credibilidade de sua política monetária, e com isso reduzir os juros reais", diz o documento.

O texto acrescenta, no entanto, que o cenário político "volátil" torna tais reformas "bastante difíceis". "Para complicar ainda mais, a Constituição brasileira regula minúcias das políticas públicas, o que requer emendas constitucionais para reformas econômicas ordinárias", diz o documento. "Um feito difícil dada a atual composição do Congresso."

Brasil vai apoiar adesão plena da Bolívia ao Mercosul

- O governo brasileiro vai apoiar a adesão plena da Bolívia ao Mercosul, com "facilidades temporárias", no encontro dos presidentes dos cinco países do bloco, na próxima sexta-feira, no Rio de Janeiro. Nesta terça-feira, o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, deu um discreto sinal verde para essa posição. À imprensa, afirmou que o governo Luiz Inácio Lula da Silva tem o objetivo estratégico de promover a estabilidade econômica e política no país vizinho e que, para alcançá-lo, não se move por interesses "economicistas".

De acordo com Amorim, o pedido enviado pelo presidente boliviano, Evo Morales, será acolhido pelo Mercosul, que deverá criar um grupo de trabalho para avaliar o processo de adesão. A solicitação, entretanto, traz como exigência ao Mercosul um tratamento diferenciado, que permitiria à Bolívia esquivar-se do cumprimento da Tarifa Externa Comum (TEC), o pilar da união aduaneira. Essa questão deverá abrir uma polêmica entre as delegações do Paraguai e Uruguai - sócios que tiveram negados os seus pedidos de tratamento similar - e na do Chile, que jamais pôde aderir plenamente ao bloco pela sua impossibilidade de adotar a TEC.

"Não creio que a Bolívia queira refugar a TEC", afirmou Amorim, que indicou a possibilidade de o Mercosul oferecer exceções temporárias para os setores da Bolívia que necessitem de maior ou menor proteção comercial.

Amorim enfatizou, entretanto, que a possível adesão facilitada da Bolívia ao Mercosul não deve ser confundida com o "imbróglio" do Uruguai, que alimenta expectativas de assinar um Tratado de Livre Comércio (TLC) com os Estados Unidos. No final do mês, o país vizinho assina o Tratado de Promoção de Investimentos e Comércio com os Estados Unidos, que poderá ser o embrião do TLC. Conforme explicou o chanceler, uma exceção para Bolívia manter tarifas diferentes daquelas previstas na TEC "é algo contemplável".

"Haveria incompatibilidade entre a negociação (de um TLC com os Estados Unidos) e o Mercosul, como ele é hoje", afirmou. "Se os países resolverem mudar completamente o Mercosul será um equívoco. Eu, como chanceler brasileiro, não defenderei isso."


Estados Unidos
Amorim sustentou que a adesão plena da Venezuela, oficializada em agosto passado, não trará prejuízos para a agenda de negociações comerciais do Mercosul com outros países e blocos. Nem mesmo para a remota possibilidade de o bloco vir a negociar com os Estados Unidos. "É muito bom ganhar o mercado dos Estados Unidos e da Europa. Mas o Mercosul não foi feito com esse objetivo. Seu objetivo sempre foi o de fortalecer a própria integração", defendeu.

Para o chanceler, as mudanças na estrutura do governo venezuelano, anunciadas na semana passada pelo presidente Hugo Chávez, poderão ajudar o processo de integração. Entre elas, a que confere um papel maior à chancelaria venezuelana nas negociações dos processos de integração - o Mercosul e a Comunidade Sul-americana de Nações (Casa). Essas questões costumam ser conduzidas diretamente por Chávez que, nos encontros de cúpula, chega a desautorizar seu chanceler e os acordos fechados nesse nível de poder.

Essa situação deu a Amorim um argumento para defender o processo lento de negociação da adesão da Venezuela, ainda não concluído. Os cronogramas detalhados de convergência desse novo sócio à TEC e às regras do livre comércio do Mercosul devem ser fechados até março. Mas, por enquanto, não houve nenhuma rodada de negociação. "Às vezes, adiar um pouquinho não é nada mal", afirmou.