segunda-feira, 26 de fevereiro de 2007

Brasil deve superar produção de biodiesel para mistura obrigatória

O Brasil deve alcançar e superar em mais de 60%, ainda no primeiro semestre deste ano, a produção dos 800 milhões de litros de biodiesel necessários ao país para suprir a demanda gerada pela obrigatoriedade de mistura de 2% do biocombustível ao diesel normal. A previsão é do coordenador do Programa Nacional de Produção e Uso de Biodiesel, Arnoldo de Campos.

Segundo Campos, a capacidade de produção anual de 1,3 bilhão de litros de biodiesel deve ser alcançada com a conclusão das obras de 13 usinas, que devem se juntar às 11 já em operação no país. “Isso é quase o dobro do que é necessário para cumprir os 2% de biodiesel a ser adicionado ao diesel, previstos para janeiro de 2008", diz ele. "Ou seja, um ano antes, nós estamos conseguindo uma capacidade mais que suficiente para atender a meta estabelecida."

Ainda segundo o coordenador, essa escala de produção é que possibilitará que a meta de antecipar a obrigatoriedade da mistura de 5% para 2010. "Como a produção está num ritmo crescente, isso nos coloca num horizonte de antecipar a meta de 5% que deveria ser alcançada em 2013 para 2010”, calcula Campos.

Além de produzir um combustível menos poluente, o programa de biodiesel deverá permitir também que o Brasil deixe de importar diesel derivado de petróleo. Hoje, o consumo anual de diesel no Brasil é de cerca de 40 bilhões de litros, e 5% disso, ou seja, 2 bilhões de litros, são importados.

“Hoje, estamos perto da metade do que importamos que já pode ser substituída pelo biodiesel e, em breve, quando chegarmos aos 5% de biodiesel na composição do diesel, vamos substituir 100% da importação de diesel”, diz Campos.

Até o fim do ano, quando o programa de biodiesel estiver com 24 usinas em operação e com mais um leilão para compra do produto realizado, ele estima que 60% da produção do biocombustível será proveniente da soja, e 20%, da mamona.

Os 20% restantes terão como matéria-prima oleaginosas como a palma, o dendê, o amendoim, a canola, o girassol, o algodão e ainda o sebo bovino. “A mamona e o girassol vão entrar com maior força a partir do segundo semestre, quando vamos colher a segunda grande safra de mamona e a primeira de girassol, que está sendo plantada neste início de ano.”

Para o economista Adriano Pires, do Centro Brasileiro de Infra-estrutura (CBIE), empresa que presta consultoria em economia da indústria energética, a soja é a melhor oleaginosa para compor o biodiesel. Ele acredita que outras culturas tendem a ter uma participação marginal na produção do biocombustível.

“A principal matéria-prima tem que ser plantada em grande escala, o resto vai ser sempre uma contribuição marginal. Agora, diferente do programa do álcool, que só aceita a produção a partir da cana-de-açúcar, a planta do biodiesel é flex, ou seja, aceita outras fontes e sempre vai ter um pouco delas”, analisa Pires.

Fonte: Agência Brasil

Brasil deve lucrar com febre do etanol

A preocupação com o aquecimento global e a necessidade de se encontrar fontes alternativas aos combustíveis fósseis podem dar um impulso extra à onda de investimentos no setor sucroalcooleiro no Brasil. O tema ganhou força nas últimas semanas, depois que norte-americanos e brasileiros anunciaram a firme intenção de criar um mercado internacional para o álcool combustível. Representantes dos dois governos devem debater o assunto a partir do próximo dia 8, quando o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, che ga a Brasília para uma visita oficial.

“A queima de combustíveis fósseis está, comprovadamente, causando problemas irreversíveis. Isso despertou demanda por combustíveis renováveis, e vai gerar uma verdadeira revolução nos fluxos de investimentos, que vão se direcionar principalmente para o Brasil”, diz Virgílio Gibbon, coordenador da FGV Projetos e membro do recém-criado Comitê Interamericano de Etanol – que tem entre seus representantes o ex-governador da Flórida, Jeb Bush, e o ex-ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues.

Gibbon diz que os estrangeiros não precisam, necessariamente, fazer investimentos diretos no Brasil, construindo usinas próprias e “desnacionalizando” o setor. Para ele, os investidores podem financiar a construção de indústrias a juros baixos e mais tarde, ao importar álcool brasileiro, compensar emissões de poluentes por meio dos Mecanismos de Desenvolvimento Limpo (MDL) criados pelo Protocolo de Kyoto – o que é possível porque o álcool polui bem menos que a gasolina.

“Em vez de emprestar dinheiro a industriais brasileiros cobrando a variação do câmbio mais 8% ao ano, os estrangeiros podem cobrar o câmbio e mais 2%. O que eles perdem em juros, vão ganhar em dobro com a importação do álcool”, explica o coordenador da FGV Projetos. Segundo ele, o país desenvolvido que importar uma tonelada de etanol, em vez de comprar a mesma quantidade de gasolina, estará dispensando a emissão de 2,82 toneladas de carbono. Os créditos gerados a partir daí poderão compensar as emissões da empresa importadora.

Milho e soja

A febre do etanol pode ter outro efeito colateral positivo para o Brasil. Pelo menos dois importantes cultivos do país podem sair ganhando: milho e soja, dos quais os norte-americanos são, com folga, os maiores produtores do mundo. Como os EUA tendem a priorizar as vendas de milho para a produção interna de etanol, seus excedentes para exportação vão diminuir – isso abrirá espaço para o grão brasileiro no mercado internacional.

Além disso, a área de milho na próxima safra norte-americana deve crescer 17%, segundo estimativa da Agroconsult, tomando um razoável espaço da soja – cuja área deve cair 13%. Com a esperada redução na safra norte-americana, os preços internacionais da soja tendem a melhorar ao mesmo tempo em que os EUA terão menos soja disponível para exportação. Novamente, ponto para o Brasil, segundo maior produtor mundial.

Brasil questiona patenteamento de nomes de produtos nacionais por outros países

O Brasil questiona, atualmente, cerca de 20 casos de patenteamento de nomes de produtos tipicamente nacionais por outros países. Um dos casos mais conhecidos é o do açaí, cujo nome foi patenteado por uma empresa japonesa. Com isso, o fruto, de origem amazônica, só poderia ser exportado por brasileiros mediante autorização japonesa.

O exportador teria de pagar para isso, ou até mesmo ter negado o livre direito de vender o açaí, que só poderia ser comercializado livremente usando outro nome. Em fase de encaminhamento, o Brasil questiona também a utilização do nome acerola, outra fruta tropical brasileira, como marca no Japão. No caso do açaí, o desfecho da disputa deve sair na próxima semana.

Uma divisão do Ministério das Relações Exteriores, a de Propriedade Intelectual, cuida da proteção de tais produtos, para evitar que seus nomes sejam adotados em outros países como marcas patenteadas. “O Itamaraty realiza trabalho intensivo para proteger produtos brasileiros contra a adoção de seus nomes em outros países como marcas patenteadas”, diz o diplomata Otávio Brandelli, que chefia a divisão. Segundo ele, essa atuação visa "manter uma questão de princípios em relação aos direitos dos brasileiros e também proteger comercialmente produtos que possam ter significado econômico expressivo na política de exportações”.

Entre as situações semelhantes à do açaí questionadas pelo Brasil no exterior, uma dúzia está sendo com êxito para a ação brasileira e as demais, ainda pendentes de solução. A rapadura, o pau-brasil, o cupuaçu, a andiroba e a copaíba, bem como o uso do nome do sapo cambô, do qual foram originados dois medicamentos por laboratórios estrangeiros, identificados por essa marca, são outros exemplos de apropriação de nomes populares brasileiros para exploração comercial no exterior.

Brandelli destacou que isso não ocorre apenas no setor de alimentos, havendo casos de apropriação de nomes brasileiros em áreas como a de bebidas e outras. O diplomata lembrou que o Brasil é signatário de diversos acordos internacionais que protegem seus produtos, entre os quais a Convenção sobre a Diversidade Biológica, firmada em Genebra, onde documento brasileiro foi adotado pela Organização Mundial de Comércio, e o Acordo sobre Propriedade Intelectual da OMC. Outro exemplo são os compromissos negociados na Organização Mundial da Propriedade Intelectual.

De acordo com Brandelli, o público pode procurar o Itamaraty para denunciar casos que atentem contra os direitos de produtos brasileiros. Ele destacou, entretanto, que já houve denúncias improcedentes, como a de a marca "frango" estaria registrada em um determinado país. Depois de examinar a questão, o Itamaraty constatou que tratava-se de uma sigla, que apenas coincidia com o nome frango. Na Suécia, derrubou-se a patente “coxinha”, nome comum de um salgadinho brasileiro. Nesse caso, ressalta o diplomata, trata-se mais de defesa de princípio do que de importância comercial.

“Temos agido também com medidas preventivas e de caráter horizontal e transversal”. Nesse âmbito, o governo tomou duas iniciativas importantes: elaborou lista dos nomes de uso costumeiro no Brasil associados à biodiversidade e encaminhou a todos os países nos quais tem representação. Segundo Brandelli, a lista contém 3 mil nomes científicos, desdobrados em 5 mil designações genéricas.

No caso do açaí, conta o diplomata, o examinador homologou a marca no Japão, alegando que não sabia que se tratava do nome comum da fruta. Também foi dado conhecimento da lista a todos os institutos de propriedade de marcas e patentes que têm assento na OMC. “O Brasil segue à risca, no seu trabalho, o direito que tem assegurado em relação aos outros países”.

Para Brandelli, é preciso lembrar que, volta e meia o Brasil é questionado por determinados países sobre suas políticas de propriedade intelectual. "No entanto, na área da pirataria, o Brasil tem posição inovadora em relação aos demais países”, enfatizou. A pirataria na internet, por exemplo, ocorre de forma mais relevante exatamente em países desenvolvidos, na América do Norte e na Europa, observou o diplomata.

“De qualquer forma, o Brasil quer combater a pirataria pelos efeitos dela sobre a informalidade da economia, a evasão de impostos e a redução da oferta de empregos”. Brandelli diz que, na visão brasileira, há três vertentes para coibir a pirataria: a repressão, a educação e o aspecto econômico.

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2007

Reservas do País crescem a 65% da velocidade da China

O Brasil já está acumulando reservas a 65% da velocidade da China, apesar de a economia brasileira ser 36% da chinesa, e o saldo em conta corrente previsto pelo mercado para 2007, de US$ 7,6 bilhões, ser 27 vezes menor do que a projeção do Fundo Monetário Internacional (FMI) para o superávit em conta corrente chinês este ano, que é de US$ 206,5 bilhões.

O ritmo de aumento das reservas internacionais nos 13 primeiros dias úteis de fevereiro, de US$ 505 milhões por dia, corresponderia a um aumento anual de US$ 127 bilhões. Isto significa que em 12 meses as reservas brasileiras ultrapassariam US$ 220 bilhões, com um aumento de 130%.

A China, conhecida como o país que acumulou reservas de forma mais maciça nas últimas décadas, teve um ritmo de US$ 195 bilhões ano entre 2002 e 2006, o que fez o total aumentar de US$ 286 bilhões para US$ 1,066 trilhão em quatro anos.

As reservas internacionais representam o total de moeda estrangeira (principalmente dólares, no caso brasileiro) mantido pelo Banco Central (BC), disponível para uso imediato. Elas têm origem nos superávits do balanço de pagamentos: toda vez que há uma entrada de moeda estrangeira, o BC realiza o câmbio, ficando com os dólares e pagando os exportadores em reais.

Quando há mais entradas de dólares que saídas, o BC acumula reservas. Inversamente, quando o país é deficitário, há uma saída de divisas que o BC cobre fazendo uso das reservas acumuladas.

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2007

Brasil poderá produzir até julho 1,3 bilhão de litros de biodiesel

A inserção do biodiesel na matriz energética do país é uma realidade e o Brasil deverá chegar ao mês de julho deste ano com o parque industrial consolidado e uma produção estimada de 1,3 bilhão de litros. A estimativa foi feita pela coordenadora de Biodiesel do Ministério do Desenvolvimento Agrário, Edna Carmélia.

Segundo ela, a capacidade de produção atual é de cerca de 500 milhões de litros do produto. Desse total, cerca de 59% têm como matéria-prima o óleo de soja e cerca de 20% a mamona, principalmente na Região Nordeste.

“Hoje, já temos todas as condições de cumprir a primeira etapa da decisão governamental de adição, a partir de 2008, de 2% de biodiesel ao diesel (B2) e já podemos, inclusive, discutir com tranqüilidade a antecipação do B5 – que é a adição de 5% do produto ao diesel mineral, meta estipulado para 2014”, afirmou Carmélia.

Graças aos leilões de biodiesel promovidos pela Agência Nacional do Petróleo, Gás natural e Biocombustíveis (ANP), é cada vez maior a inserção de famílias de pequenos agricultores no processo produtivo, principalmente a partir da utilização de outras oleaginosas, como a própria mamona, o girassol e o dendê.

Em virtude dos leilões, o biodiesel já responde pela contratação da produção de cerca de 60 mil famílias que desenvolvem a agricultura familiar.

De acordo com a coordenadora de Biodiesel do MDA, a meta é chegar ao final de 2007 com aproximadamente 200 mil famílias de pequenos agricultores contratadas, passando a 350 mil até 2010.

“Das famílias envolvidas diretamente na produção de biodiesel, metade encontra-se na região nordestina. São agricultores familiares plantando mamona, soja, girassol, dendê e amendoim, entre outras culturas”, informou.

Ao realizar o 5o Leilão de Biodiesel, a ANP contabilizou 19 plantas de transesterificação (processo utilizado na produção em que o óleo vegetal é transformado em biodiesel) e outras 34 com novos pedidos de análise.

Nos cinco leilões de biodiesel realizados até agora, a ANP vendeu cerca de 840 milhões de litros, volume suficiente para cumprir a determinação governamental de adição de 2% do biodiesel ao óleo diesel mineral comercializado anualmente no país. Todo o volume foi adquirido pela Petrobras (73%) e a refinaria Alberto Pasqualini (Refap), de sua propriedade.

Pelas normas que regem o programa de biodiesel do governo federal, somente podem participar dos leilões produtores de biodiesel autorizados pela ANP, detentores do Selo Combustível Social do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) e que estejam habilitados no Sistema de Cadastramento Unificado de Fornecedores (Sicaf).

O objetivo dos leilões é garantir aos produtores de biodiesel e aos agricultores, especialmente os que praticam agricultura familiar, um mercado para a venda de sua produção, criando empregos e aumentando a inserção social no campo. A partir de 2008, a adição de 2% de biodiesel ao diesel derivado de petróleo, hoje facultativa, passará a ser obrigatória em todo o país.

Fonte: Agência Brasil

EUA descartam reduzir tarifa para etanol brasileiro

A parceria que Brasil e Estados Unidos visam firmar na produção de etanol não prevê redução de tarifas cobradas sobre o álcool brasileiro para entrar no mercado americano.

"O tema das tarifas não está na mesa de negociações", disse Greg Manuel, coordenador do setor de Energia do Departamento de Estado americano.

Atualmente, o álcool brasileiro paga sobretaxa de US$ 0,54 por galão (R$ 0,30 por litro) para entrar no mercado americano.

O representante dos Estados Unidos foi um dos participantes do evento “Etanol, Biodiesel e a Revolução dos Biocombustíveis”, realizado na terça-feira, 20, no Brazil Institute do centro de pesquisas políticas Woodrow Wilson Center, de Washington.

Ele versava sobre os assuntos relativos ao combustível que devem ser debatidos durante a visita do presidente americano, George W. Bush, ao Brasil no próximo dia 8 de março, e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva aos Estados Unidos no dia 31 do mesmo mês.

Visita

Segundo o representante americano, entre esses temas estão a cooperação em áreas de pesquisa e desenvolvimento, transferência de recursos do etanol para outros países, e a necessidade de criar um mercado global para o produto.

"A prioridade é apostar na criação de um mercado de commodity internacional. Para que isso aconteça, é preciso criar padrões comuns para o etanol, e ambos os países já estão atuando nesse sentido."

A transformação do álcool em commodity internacional seria o passo inicial para que ele venha ser negociado em bolsas de mercadorias, como o petróleo ou a soja.

Manuel disse ainda que os americanos desejam firmar parcerias público-privadas entre Brasil e Estados Unidos, através, por exemplo, de um projeto conjunto realizado em um país do Caribe ou da América Central.

O representante americano acredita que o etanol possa desempenhar um papel ainda mais ambicioso no cenário mundial, contribuindo até para coibir o narcotráfico.

"À medida que o etanol vai se tornando um produto de alto valor, fazendeiros que cultivavam produtos usados na produção de drogas poderiam passar para outras culturas", afirmou.

Manuel esteve recentemente no Brasil acompanhando o subsecretário de Estado americano, Nicholas Burns. Brasil e Estados Unidos respondem juntos por 70% do mercado mundial de etanol. O produto americano é produzido a partir de milho, ao passo que o brasileiro é feito de cana de açúcar.

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2007

Biodiesel: Brasil planeja instalar usina na Bolívia

O aumento no preço do gás boliviano que o Brasil importa não foi o único assunto discutido pelos dois governos no campo energético. Autoridades dos dois países mencionaram a possibilidade de produzir biodiesel na Bolívia com tecnologia brasileira. Segundo o ministro de Minas e Energia, Silas Rondeau, já está em andamento um plano de trabalho para construção de uma usina.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tocou no assunto na manhã de ontem, em encontro com o colega Evo Morales. O boliviano disse que seu governo já debate a possibilidade com técnicos do país.

Lula destacou que a usina poderá gerar postos de trabalho no país vizinho.

"O biodiesel pode significar oportunidade extraordinária de gerar emprego para a gente do campo na Bolívia. O biocombustível é a possibilidade dos países mais pobres conquistarem soberania, porque não é preciso ajuda dos países ricos". A Bolívia é a nação mais pobre da América do Sul.

Silas Rondeau afirmou que é possível viabilizar uma usina, de preferência em uma região produtora de soja. "Eles [bolivianos] se mostraram muito interessados e é um empreendimento absolutamente viável".

O ministro também disse que a Petrobras, junto com uma empresa parceira, deve implantar e operar essa usina, com investimento de US$ 50 milhões. Este valor é metade do que o aumento no preço do gás natural deve custar aos cofres da Petrobras, segundo estimativa do governo boliviano.

Rondeau também mencionou a possibilidade de ser construído um pólo petroquímico na Bolívia. A proposta foi apresentada pela empresa privada Braskem ontem ao governo boliviano. "Marcamos uma reunião na Bolívia na primeira quinzena depois do carnaval, com técnicos da Braskem e do Ministério de Minas e Energia, para detalhar o projeto aos técnicos bolivianos". Com informações da Agência Brasil.

Com acordo, Brasil quer proteger Petrobras

O recuo brasileiro, determinado pelo presidente Lula, quis poupar a Petrobras de perder o direito de operar dois megacampos de gás no país

O acordo Brasil-Bolívia sobre o gás deverá evitar a renegociação do contrato que transformou a Petrobras em uma prestadora de serviços na Bolívia. Ele foi firmado em outubro de 2006 com a estatal YPFB (Yacimientos Petrolíferos Fiscales de Bolívia).
Obtido do governo brasileiro pela Bolívia na noite de quarta-feira, o acordo previu a elevação do preço do gás boliviano importado pelo país e a promessa de investimento de US$ 3 bilhões na construção de um pólo gás-químico do lado boliviano da fronteira.
O recuo brasileiro, determinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, teve pelo menos um objetivo prático: poupar a Petrobras de novos problemas jurídicos na Bolívia que, em última instância, poderiam significar a perda de seu direito de operação em dois megacampos de gás no país.
Na negociação, o presidente boliviano, Evo Morales, garantiu ao governo brasileiro que o contrato de outubro será desengavetado e enviado o mais rapidamente possível para a aprovação do Congresso. Essa promessa deixou claro que a ameaça do novo presidente da YPFB, Manuel Morales, de rever o contrato foi colocada como moeda de troca na mesa de negociação.
Na noite de quinta, com o retorno de Morales e de sua delegação a La Paz, o governo boliviano deu sinais de que poderá cumprir a contrapartida. O ministro de Hidrocarbonetos, Carlos Villegas, declarou na ocasião que os contratos da YPFB com a Petrobras e com outras 11 empresas serão encaminhados ao Congresso boliviano até o próximo dia 15 de março.
“O governo tem urgência porque, uma vez que os contratos sejam protocolados (registrados como recebidos pelo Congresso), seus termos começarão a ser implementados e isso significa maiores investimentos”, afirmou Villegas, conforme nota da Agência Boliviana de Informação (ABI).
A iniciativa, entretanto, deverá desencadear uma nova disputa interna dentro do governo boliviano. Empossado no último dia 29 de janeiro, Manuel Morales tem um projeto claro: rever todos os 44 contratos assinados pela estatal com as companhias multinacionais que atuam nos setores de gás e de petróleo no final de outubro.
Fiel seguidor do partido de Evo Morales, o Movimento ao Socialismo (MAS), Manuel Morales substituiu Juan Carlos Ortíz, profissional do setor que antes havia presidido a Petrobras da Bolívia.
A moeda de troca imposta na negociação desta semana, em Brasília, faz parte da estratégia de Evo Morales de alcançar seus objetivos. Não se trata de uma novidade para o governo brasileiro nem para a Petrobras. O contrato de outubro foi “arrancado” sob a clara ameaça de a companhia ser expulsa da Bolívia, o que poderia reduzir as garantias de abastecimento de gás ao Brasil.

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2007

Na Câmara, Mantega diz que atual economia possibilita PAC

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou nesta terça-feira que o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) só vai-se viabilizar se houver estreita cooperação entre Executivo e Legislativo. Durante sua apresentação aos deputados em audiência pública no plenário da Câmara, Mantega afirmou que o PAC só é possível porque o Brasil está com fundamentos econômicos fortalecidos, como o da estabilidade monetária.

O ministro destacou que a inflação abaixo do centro da meta cria um cenário favorável ao crescimento econômico. Disse que o Brasil "conseguiu reduzir sua vulnerabilidade externa ao menor nível de todos os tempos" e lembrou que as reservas internacionais brasileiras já atingiram a marca de US$ 94 bilhões. "Estamos vacinados, até certo ponto, de crises internacionais", afirmou o ministro.

Mantega ressaltou que o PAC preserva a responsabilidade fiscal. Segundo ele, o governo vai perseguir a meta de 4,25% do PIB para o superávit primário, mas pode usando o PPI (Projeto Piloto de Investimento) reduzir o superávit primário para 3,75% do PIB. Mesmo nessa "pior das hipóteses", o ministro destacou que a relação dívida/PIB vai cair abaixo de 40% até 2010 e o déficit nominal vai ficar muito próximo de zero. "Vamos continuar dando prosseguimento à política de responsabilidade fiscal."

"Todos os objetivos da Política Econômica (mais investimentos, juro menor, menor déficit nominal, queda na relação dívida/PIB e mais crescimento) podem ser alcançados por meio do PAC."

Sem fazer um apelo contundente aos deputados para aprovar o PAC, Mantega destacou que o programa é um esforço de aumentar tanto o investimento privado como o público. Ele afirmou que o cenário interno e o externo favorecem o maior crescimento, mas é preciso trabalhar para dar mais competitividade às empresas brasileiras tanto para disputa no mercado interno como para a melhor concorrência no mercado internacional.

Nesse sentido, ele afirmou que o PAC busca ampliar e baratear o crédito, desonerar sobretudo os investimentos, melhorar a oferta de infra-estrutura para reduzir o custo das empresas, aperfeiçoar os marcos regulatórios para tornar o ambiente econômico mais propício aos investimentos e também garantir a disciplina fiscal de modo que, ao longo do tempo, haja mais espaço para o setor público investir e reduzir a carga tributária.

Brasil tem condições para acelerar crescimento, diz Fiocca

SÃO PAULO - O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Demian Fiocca, disse nesta terça-feira, 13, que os investimentos devem crescer mais este ano em comparação ao ano passado e que o Brasil tem todas as condições para acelerar o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB).

Para ele, não há riscos de um crescimento mais acelerado. "Talvez o Brasil esteja numa das melhores plataformas do ponto de vista de fundamentos para crescer das últimas décadas. Não vejo nenhuma nuvem no horizonte", afirmou em entrevista à Agência Estado.

Segundo Fiocca, o Brasil sofreu por um longo período, pelo menos 25 anos, com descontrole de inflação, dificuldades com balanço de pagamentos, dúvidas na área fiscal e também de natureza política ou institucional.

"Acho que superamos todas essas fragilidades. Temos uma trajetória de dívida pública em queda, balanço de pagamentos com números excepcionalmente bons, inflação até abaixo da meta e claramente uma estabilidade política e institucional", explicou.

Fiocca vê continuidade dos investimentos em insumos básicos, como papel e celulose, petroquímica e siderurgia, além de um crescimento "bem distribuído" na indústria.

Ele destacou ainda as perspectivas de aceleração do crescimento em infra-estrutura. "Acredito que o setor está bastante estruturado para crescer de maneira mais robusta", disse Fiocca, para quem o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) servirá de alavanca para o setor.

Juro

O presidente do BNDES afirmou que a Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP), em 6,5%, "está em um nível atraente para investimento". A TJLP é usada nos financiamentos concedidos pelo BNDES, acrescida pelo spread da instituição federal e, se for o caso, pelo de agente financeiro repassador dos recursos.

Ele também considera que os spreads (diferença entre juros pagos pelos bancos na captação e os cobrados nos empréstimos) cobrados pelo banco estão em nível adequado, depois de terem passado por reduções nos últimos anos. De acordo com ele, o lucro recorde do BNDES no ano passado, de R$ 6,3 bilhões, "não vem de spreads altos".

O presidente explicou que esse resultado veio em grande parte de ganhos atípicos com recuperação de crédito (R$ 2,8 bilhões) e com operações de renda variável (R$ 2,4 bilhões), como dividendos pagos por empresas e vendas de ações. O lucro com os spreads foi de apenas R$ 1 bilhão, o que não considera ser um patamar alto que abra espaço para novas reduções dos spreads.

Oferta

Segundo Fiocca, O BNDES está preparado para o aumento da oferta. "Estamos preparados para o aumento da oferta. Na verdade, mais do que preparados apenas de maneira moral ou como perspectiva. Nós estamos verificando já isto", disse.

De acordo com ele, isso pode ser observado pela expansão do valor total das operações aprovadas pelo BNDES de apoio a investimentos. Nos últimos 12 meses até janeiro, este valor alcançou R$ 79,167 bilhões, 43% mais do que no período imediatamente anterior de 12 meses, terminado em janeiro de 2006.

"As aprovações mostram a concretização de duas coisas. Primeiro, a disposição dos investidores de empreender, de fazerem seu investimento e crescerem. E em segundo lugar a capacidade do BNDES de responder a essa demanda", disse. "Estamos preparados e vendo dados muito concretos, concretizados em aprovações que indicam expansão da oferta", repetiu. Fiocca não comentou as preocupações do Banco Central com o aumento da demanda.

Fiocca disse que o banco está preparado para o crescimento da oferta tanto do ponto de vista operacional quanto pelo volume de recursos necessários para o futuro desembolso que essas aprovações vão provocar.

O presidente do BNDES disse ainda que nenhum membro do primeiro escalão do governo poderia responder se vão manter seus cargos porque "não seria adequado falar sobre o próprio futuro".

Ferrovias

Fiocca disse que a parte logística do Brasil está melhor hoje para comportar um crescimento mais acelerado do País. "Nós estamos verificando nos últimos dois, três anos um avanço positivo em ferrovias", salientou. Segundo ele, havia nós no setor que foram solucionados. "Vemos esse setor investindo", acrescentou.

O presidente do BNDES espera que os investimentos em portos também avance e disse que o setor elétrico está preparado para permitir que o País cresça. "O modelo atual do setor elétrico tem como reagir ao aumento da demanda. Hoje o investimento (no setor) se tornou mais atraente", afirmou. "O investimento em energia sempre terá que se balizar pelo crescimento da demanda."

Nuclear: Brasil pode erguer quatro a seis centrais até 2030

O governo brasileiro está a avaliar um programa de energia nuclear que prevê a construção de quatro a seis centrais termonucleares a partir da próxima década e até 2030, divulgou hoje o jornal Estado de São Paulo.

O plano inclui também a conclusão da central Angra 3, a 130 quilómetros do Rio de Janeiro.

De acordo com o jornal, a proposta de retoma dos investimentos em energia nuclear no Brasil prevê a construção de uma nova central a cada três anos, até que a tecnologia responda por 5% do parque gerador.

A primeira central seria instalada na região Nordeste e a segunda em local a ser ainda definido.

O presidente da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), Odair Gonçalves, admitiu ao Estado de São Paulo que o programa já foi encaminhado para avaliação do governo.

Gonçalves disse também que o projecto apresenta soluções para questões polémicas, como o destino dos rejeitos radioactivos, a principal crítica dos ambientalistas, e detalha as fontes de recursos para o desenvolvimento das tecnologias necessárias.

A viabilidade do plano depende, entretanto, da decisão sobre a retoma das obras da central Angra 3, com capacidade de 1,3 mil megawatts (MW), que, se iniciadas agora, poderão estar concluídas entre 2012 e 2013.

O Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), divulgado no mês passado pelo Presidente Lula da Silva, prevê que as obras de Angra 3, paralisadas há 20 anos, sejam reiniciadas em seis meses.

No ano passado, o ministro da Ciência e Tecnologia, Sérgio Rezende, já havia admitido que o governo brasileiro pretendia diversificar a sua matriz energética e que o funcionamento de Angra 3 é considerado importante para garantir o suprimento de energia do país a partir de 2012.

As razões que levaram o governo brasileiro a uma reavaliação favorável da opção nuclear foram a crise do petróleo e o encarecimento da energia de outras fontes de produção, incluindo a hidroeléctrica.

Para além disso, com o problema do aquecimento global, a tecnologia nuclear ganha espaço ante alternativas como petróleo e carvão.

Segundo Rezende, a aposta em energias renováveis em substituição aos combustíveis fósseis ainda não se mostrou viável em larga escala, sendo a energia nuclear a alternativa capaz de atender a demanda energética mundial de forma limpa e segura.

No início deste mês, uma delegação francesa liderada pela ministra de Comércio Exterior, Christine Lagarde, visitou as centrais em Angra dos Reis, complexo nuclear instalado perto de três grandes pólos consumidores de energia - Rio de Janeiro, São Paulo e Belo Horizonte.

O governo francês está interessado numa parceria com o Brasil na área nuclear e já anunciou a abertura do país da Agência Francesa de Desenvolvimento para financiar projectos nomeadamente neste sector.

António Mexia alerta para risco de apagão no Brasil em 2010

O presidente do Conselho de Administração do grupo Energias de Portugal (EDP), António Mexia, alertou na última sexta-feira, 9, que o Brasil corre o risco de enfrentar uma nova crise de abastecimento de energia elétrica a partir de 2010.

Ao falar durante o Fórum Brasil 2007, ele salientou que o setor de geração vai exigir investimentos de R$ 85 bilhões até 2015 para que a oferta de eletricidade seja compatível com o crescimento da economia nesse período. "Mas para isso é preciso que os preços dos leilões de energia nova deixem de ser artificialmente mantidos baixos pelas estatais", disse.

"Os subsídios através das estatais reduzem o incentivo aos investimentos."

No entanto, segundo Mexia, o grande desafio do governo é remover os obstáculos ambientais para a construção de novas hidrelétricas. "Apenas vinte quatro horas de um leilão não sabemos se uma liminar ambiental foi derrubada ou não", disse. "É um sistema difícil quando se quer investir 300 ou 400 milhões de euros em barragens."

A Energias do Brasil, subsidiária da EDP, vai investir um mínimo de 1,2 milhões de euros até 2010 e está interessada em projectos de geração com capacidade entre 300 e 400 Mega Watts (MW), disse António Mexia.

Segundo Mexia, em 2007, "70% da contribuição para o EBITDA da Energias do Brasil virá do setor de distribuição e 30% da geração", realçando que, "mesmo assim, a participação da geração neste ano será o dobro da de 2006, com a entrada em funcionamento de Peixe Angical".

Em 2005, a geração da Energias do Brasil tinha uma capacidade instalada de 530 megawatts (MW) e está a expandir a capacidade em 556 MW com a construção da central hidrelétrica de Peixe Angical - 452 MW - que já arrancou e de mais três projectos de produção.

O objectivo da Energias do Brasil é atingir uma capacidade instalada de 1.500 MW e cerca de 3,5 milhões de clientes. Atualmente, tem cerca de três milhões de clientes.

"Entre 2006 e 2010 vamos fazer um investimento significativo de 1.2 milhões de euros (M€), este é o mínimo de investimento, talvez consigamos fazer mais", disse António Mexia, no Fórum Brasil 2007.

"O Brasil tem um bom ambiente macroeconômico e bom ambiente regulatório (...) e estamos interessados em desenvolver projetos entre 300 e 400 MW ", afirmou o presidente da Energias de Portugal.

Plano Nuclear do Brasil prevê seis novas usinas

Rio de Janeiro - A proposta de retomada dos investimentos em energia nuclear no Brasil prevê, além da conclusão de Angra 3, uma nova usina a cada três anos, até que a tecnologia responda por 5% do parque gerador. Está prevista a construção de quatro a seis usinas, a partir da próxima década, até 2030, em duas centrais de porte semelhante à de Angra dos Reis.

Esse é o teor do programa de energia nuclear já encaminhado para avaliação do governo, segundo o presidente da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), Odair Gonçalves. A primeira central seria instalada no Nordeste e a segunda, em local a ser definido.

Viabilidade

A viabilidade do programa, porém, depende da decisão sobre a retomada das obras de Angra 3, remanescente do programa nuclear da década de 70, com capacidade de 1,3 mil megawatts (MW).

O tema seria discutido em reunião do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) no último dia 31 de janeiro, que foi adiada. Técnicos do setor acreditam que, após os alertas sobre o aquecimento global, a tecnologia ganha espaço ante alternativas como petróleo e carvão.

Responsável pela formulação de políticas e fiscalização do setor nuclear brasileiro, a CNEN elaborou um projeto detalhado sobre o futuro da tecnologia no país. Nele, diz Gonçalves, há soluções para problemas polêmicos, como o destino dos rejeitos radioativos, principal crítica de grupos ambientalistas, e fontes de recursos para o desenvolvimento das tecnologias necessárias.

Segundo o executivo, o Brasil deve se tornar exportador de urânio para financiar os US$ 500 milhões necessários em equipamentos para produzir combustível nuclear para todas as centrais. Atualmente, apenas 6% das necessidades das usinas de Angra 1 e 2 são totalmente produzidas no Brasil.

"O tema é polêmico", admite o presidente da CNEN. "Mas precisa ser aprovado ainda neste governo, já que leva tempo para construir usinas." Gonçalves trabalha com o prazo do Plano Nacional de Energia 2030, elaborado pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), que lista a energia nuclear como alternativa para a geração de 4 mil MW novos no período.

Angra 3

No setor, é dada como certa a aprovação de Angra 3 na próxima reunião do CNPE, o que abriria espaço para as discussões sobre as novas centrais. "Está na hora de o Brasil debater o tema", concorda o físico Luiz Pinguelli Rosa, do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas.

Atualmente, a ministra de Meio Ambiente, Marina Silva, é a única voz contrária à conclusão do projeto no conselho, formado por sete ministros, um representante dos Estados e dois da sociedade civil.

A ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, teria mudado de opinião após a divulgação de novos cálculos sobre o preço da energia de Angra 3, a R$ 138 por MWh, próximo dos padrões dos últimos leilões de energia.

As informações são do jornal O Globo e da Agência Estado.

Brasil saiu na frente com produção do biodiesel, diz Lula

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva iniciou hoje (12) o programa de rádio semanal Café com presidente destacando o esforço do governo e dos empresários brasileiros para promover a utilização do álcool em outros países e, ao mesmo tempo, produzir biodiesel.

Segundo o presidente, o Brasil produz hoje 16,5 bilhões de litros de álcool. Essa produção, aliada à adição de 23% de álcool na gasolina, coloca o país na frente de outros países na utilização de combustíveis menos poluentes.

“O Brasil vive um momento muito interessante, eu diria um momento auspicioso porque detém a tecnologia da produção de álcool como nenhum outro país do mundo detém”, disse Lula.

Ele ressaltou que há um trabalho feito entre governo e empresários brasileiros “na tentativa de convencer o mundo desenvolvido a colocar álcool na gasolina para diminuir a emissão de gases que tanto poluem o planeta Terra e tanto preocupam os países do mundo e preocupam os ambientalistas”.

Além do álcool, com a produção do biodiesel – combustível feito à base de sementes oleaginosas como mamona, pinhão manso, girassol, caroço de algodão e soja – o Brasil “deu mais um passo na frente”, na opinião do presidente.

“Nós estamos outra vez na frente mostrando ao mundo que é possível ter um combustível renovável, menos poluente, muito mais barato, muito mais rentável e muito mais gerador de emprego porque você contrata isso da agricultura familiar.”

Marinho diz que Brasil precisa de reforma da Previdência

O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, que sempre foi contrário a mudanças na Previdência, afirmou nesta segunda-feira, após o lançamento do Fórum Nacional da Previdência Social, que o Brasil precisa da reforma no INSS. "Tanto é que estamos discutindo."

Ele disse esperar que o Fórum conclua seus trabalhos apresentando uma proposta de reforma, mas manifestou-se contrário à mudança na idade mínima para a aposentadoria, além de defender a manutenção dos direitos adquiridos dos trabalhadores. "Esperamos que a gente tenha uma conclusão de preservar totalmente os direitos dos atuais trabalhadores."

Inicialmente, Marinho se manifestou reticente a responder perguntas sobre o Fórum e a reforma. Segundo ele, esta atribuição era do ministro da Previdência. Diante da insistência, ao ser questionado sobre o que achava do fórum, ele respondeu: "esperamos que conclua o processo com tranqüilidade".

Sobre a idade mínima, o ministro respondeu que o Brasil já tem idade mínima. "Vamos primeiro partir de um diagnóstico. Como disse o ministro Nelson Machado, olhar para o futuro. É preciso preservar totalmente os direitos adquiridos", afirmou.

Bush vem ao Brasil acompanhado de Condoleezza Rice

O Presidente George W. Bush virá ao Brasil acompanhado da secretária de Estado, Condoleezza Rice, do secretário de Segurança Interna, Michael Chertoff, do secretário de Saúde, Mike Leavitt, de Thomas Shannon, subsecretário de Estado para o Hemisfério Ocidental e da primeira-dama Laura Bush. A visita começa no dia 8 de março, em São Paulo, e a comitiva segue para o Uruguai, Colômbia, Guatemala e México, voltando para os EUA no dia 14.
“O presidente Bush está muito interessado em sua visita à região porque 2007 é o ano de compromisso com a América Latina”, disse ontem Nicholas Burns, subsecretário de Estado para Assuntos Políticos. Segundo Burns, Bush vai visitar países que o convidaram ou nações com as quais os EUA mantêm intensas relações bilaterais.
O presidente americano não incluiu a Argentina em seu roteiro. Segundo diplomatas, Bush não recebeu um convite de Néstor Kirchner, que não quer parecer muito próximo do presidente americano em ano eleitoral. “Não vamos à Argentina porque o presidente Bush já foi a Mar Del Plata, em 2005, e porque o chanceler argentino Jorge Tayana virá para Washington em uma visita de Estado”, justificou Burns.
A visita de Bush ao Brasil, segundo o subsecretário, terá como principal tema o biocombustível, além de questões que exigem um “multilateralismo” dos países do hemisfério, como crime, terrorismo, narcotráfico, meio ambiente, transporte entre os dois países, turismo e política externa.
Burns ressaltou a relação “muito próxima” que os EUA têm com o Brasil, e a relação do país com a Argentina, “que está melhorando”. Segundo o subsecretário, com o Brasil, os EUA têm um tipo de relacionamento que só é comparável à relação que os americanos mantêm com alguns poucos países, como Japão, Índia e União Européia. Burns nega que a intenção da visita de Bush à região seja conter a expansão da influência da China e do Irã na América Latina, ou neutralizar o discurso da Venezuela.
Burns voltou a alfinetar Chávez, afirmando que o governante venezuelano está se isolando por causa de sua rodada de nacionalização de empresas. “Se você olhar para os países realmente dinâmicos no mundo, como Brasil, Argentina, China e Índia, esses países não estão nacionalizando, eles estão se abrindo para o comércio e livre mercado”, disse.
“O crescimento não vem com políticas fracassadas do passado.” “Chávez está em um desacordo tão grande com o resto do mundo, que nossa preocupação é de que as vítimas serão o povo venezuelano.” Mas ele afirmou que continuam abertos a diálogo com Chávez, embora “diálogo exija duas pessoas, não dá para conversar sozinho.”

domingo, 11 de fevereiro de 2007

HP comemora 10 milhões de impressoras no país

A fabricação local de impressoras foi iniciada em 1998 e o primeiro modelo produzido no país foi a impressora jato de tinta colorida HP Deskjet 692C.

Em menos de dez anos a fabricante atingiu a marca de 10 milhões de impressoras e multifuncionais manufaturadas. "Esta impressionante marca foi fundamental para a HP conquistar a liderança absoluta com uma participação de 69% das unidades do mercado brasileiro em 2006", afirmou Edson Shiwa, vice-presidente do grupo de Imagem e Impressão da empresa.

A HP também destaca a marca de 1 milhão de impressoras lasers fabricadas no país.
O Brasil é a única manufatura HP de impressoras jato de tinta localizada fora da Ásia. Este processo desenvolve uma grande cadeia de parceiros e fornecedores, gerando 2.000 empregos diretos e 5.000 indiretos. Além disso, a fabricante líder de mercado mantém um alto índice de nacionalização no processo de produção local, com cerca de 65% das partes e peças utilizadas em impressoras e multifuncionais jato de tinta e aproximadamente 20% dos produtos lasers fabricados no Brasil, incluindo também impressoras e multifuncionais.

"Somos a única manufatura da HP no mundo 100% integrada e com tecnologia RFID (Radio Frequency ID) em toda a cadeia produtiva. Atendemos 90% da demanda de hardware no Mercosul e 50% na América Latina. E no último ano, tivermos investimentos de cerca de US$ 50 milhões para a ampliação da capacidade produtiva, introdução de novos modelos e aprimoramento dos processos de testes de qualidade dos produtos. Temos orgulho de atingir esta grande marca em tão pouco tempo", disse Kami Saidi, diretor de operações da HP para o Mercosul.

Mas, os números grandiosos não impedem a empresa de ser ambientalmente correta. A iniciativa de Design for Environment contempla o desenvolvimento do produto até a sua própria reciclagem, utilizando matérias-primas durante a fabricação que garantem o compromisso de sustentabilidade ambiental da HP.

Brasil pode se transformar em potência em álcool

O Brasil pode se tornar uma potência de álcool, substituindo 10% da gasolina consumida no mundo por etanol produzido no país até 2025, de acordo com pesquisa apresentada, ontem, na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). Para atingir essa meta, o país terá que multiplicar por cinco a atual área plantada destinada à cana-de-açúcar. Essa é uma das avaliações do Projeto Etanol, uma parceria do Nipe (Núcleo Interdisciplinar de Planejamento Energético) da Unicamp com o Ministério de Ciência e Tecnologia para estudar cenários da produção de álcool etílico no Brasil num prazo de 20 anos - o projeto começou em 2005.

Seria necessário um investimento anual de R$ 20 bilhões, que viria essencialmente do setor privado, embora o BNDES também possa financiar. O retorno viria nos últimos sete ou oito anos desse período. Apesar do aumento da área plantada de cana dos atuais 5,6 milhões a 6 milhões de hectares para 30 milhões de hectares até 2025, não seria necessária a utilização de áreas florestais. “Para viabilizar a substituição de 10% da gasolina por etanol brasileiro, seria necessário ocupar menos de 10% da área agricultável do Brasil com cana-de-açúcar”, afirmou ontem Rogério Cezar de Cerqueira Leite, coordenador do Projeto Etanol e professor emérito da Unicamp.

O cenário para substituir 10% prevê que o volume exportado de etanol salte dos atuais 2,8 bilhões de litros para até 200 bilhões de litros nesse período, por meio da maior área plantada, da construção de usinas, da melhoria da infra-estrutura e do desenvolvimento de novas tecnologias. Cerqueira Leite ressaltou que novos processos de hidrólise, que permitam, por exemplo, utilizar o bagaço da cana e aumentar a eficiência na produção do combustível, tendem a ser tornar comercialmente viáveis em até 15 anos.

Para o presidente do Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool de Pernambuco (Sindaçúcar-PE), Renato Cunha, o projeto é audacioso, mas é preciso atentar para a concentração da produção. “A cana não pode ficar toda no Oeste de São Paulo ou no Mato Grosso do Sul porque isso pode criar gargalos no escoamento da produção”, comentou. No Nordeste, a expansão só seria possível nas áreas próximas do Rio São Francisco, no Sertão, porque no Litoral não há mais espaço para plantar. “Em Pernambuco, seriam mais 130 mil hectares e de 10 a 12 milhões de toneladas de cana-de-açúcar no Vale do São Francisco”, completou Cunha.

Mas, para substituir 10% da gasolina do mundo por etanol, seria preciso mais do que apenas produzir o combustível no Brasil, lembrou Cunha. “É necessária a criação de um padrão internacional de etanol, para regular a produção, a instituição de novos marcos regulatórios em diversos países do mundo, como o Japão, e a queda das barreiras tarifárias para exportação do álcool em países como os Estados Unidos”, concluiu.

(Folha de Pernambuco)

sábado, 10 de fevereiro de 2007

Na Argentina, Nicholas Burns elogia Brasil e critica Chávez

O subsecretário de Assuntos Políticos do Departamento de Estado norte-americano, Nicholas Burns, elogiou o Brasil nesta sexta-feira durante sua visita à Argentina. Em Buenos Aires, ele afirmou que sua viagem ao Brasil foi "fantástica" e que a "conexão" entre os dois países é "muito forte".

Segundo Burns, "essa conexão será melhor ainda depois da visita do presidente George W. Bush, em março". "Nossa relação não é tão boa com o governo de Hugo Chávez", acrescentou. Por sua vez, o subsecretário de Assuntos Hemisféricos, Thomas Shannon, completou dizendo que a atual relação entre Estados Unidos e Venezuela é "péssima".

Em março, além do Brasil, Bush visitará Uruguai, Colômbia, Guatemala e México, mas não Argentina e Chile.

Burns fez palestra nesta sexta-feira no Conselho Argentino para Relações Internacionais (Cari), para acadêmicos, ex-diplomatas e assessores do governo argentino.

Segundo ele, o governo americano está hoje "concentrado" na relação com Brasil, Argentina e Colômbia, dentro da América do Sul, e que também quer "ajudar" Bolívia e Equador - nos dois casos, os governantes afirmam identificar-se com Chávez.

Divergências com Chávez

Na hora das perguntas, Burns reiterou as divergências do governo norte-americano com Chávez: "A verdade é que não estamos muito voltados para Hugo Chávez, mas esperamos que a democracia seja mantida na Venezuela".

Burns falou ainda sobre seu desejo de que a transição democrática seja "pacífica" em Cuba após a morte de Fidel Castro, onde durante 50 anos, destacou, faltou esta liberdade institucional. Ao discursar, Burns colocou Venezuela e Cuba em um mesmo contexto, separando os dois países do restante da região, onde a democracia e a abertura econômica, disse, "transformaram a América do Sul".

Segundo a imprensa argentina, Thomas Shannon foi ainda mais severo na hora de falar sobre a Venezuela. Além de afirmar que a relação é "péssima", acrescentou: "Até o momento, o presidente Chávez não nos deu espaço ou oportunidade para o diálogo".

Recado de Kirchner

A visita das autoridades do governo Bush ocorre poucas horas depois que o presidente argentino Néstor Kirchner mandou recado aos Estados Unidos, dizendo que seu país "não é uma republiqueta" e que "não vai tolerar pressões de ninguém".

No discurso da véspera, na Casa Rosada, sede da Presidência da República, Kirchner demonstrou que não gostou da notícia (do jornal Clarín) de que o embaixador dos Estados Unidos na Argentina, Earl Wayne, teria tentado interferir a favor de um fundo americano de investimentos que espera aprovação do governo argentino para formalizar a compra da Transener, empresa de energia elétrica.

Burns minimizou os ataques de Kirchner. Disse que foi um "mal entendido", mas esclareceu que a chamada "diplomacia empresarial", a favor das empresas americanas, é normal e vai continuar.

Apesar das críticas, Kirchner reuniu-se, nesta sexta, com Burns e Shannon. Não foi divulgada a data do embarque das autoridades americanas de volta aos Estados Unidos.

Brasil e EUA estudam produzir etanol na América Central e Caribe

A ministra da Casa Civil, Dilma Roussef, afirmou que o encontro com o subsecretário norte-americano para Assuntos Políticos, Nicholas Burns, nessa quinta (8), foi muito produtivo. Para Dilma, a vinda de Burns ao Brasil “é muito importante porque introduz a visita do presidente George Bush, no início de março”.

Um comunicado oficial publicado nessa quinta na página da Casa Branca revela que o presidente norte-americano e sua esposa, a senadora Laura Bush, visitarão o Brasil, Uruguai, Colômbia, Guatemala e México entre os dias 8 e 14 de março. Segundo a ministra, o subsecretário teria dito que Brasil e Estados Unidos têm uma boa relação, mas que ela pode se tornar uma grande relação. “Burns manifestou um imenso interesse numa parceria estratégica entre o Brasil e os Estados Unidos para a área de biocombustíveis. O governo norte-americano reconhece que somos um dos protagonistas tanto na questão do etanol, como do biocombustível”.

De acordo com Dilma, o governo norte-americano propõe que ambos os países se unam a fim de produzir etanol em outros países. “Acertamos de fazer um projeto-piloto em um país caribenho ou da América Central. Este projeto será uma porta para outros projetos em várias partes do mundo, onde acharmos oportuno”.

Dilma disse que a sugestão brasileira de priorizar a participação dos investidores privados foi bem aceita pelo representante norte-americano. “Os Estados Unidos também acham que o ator principal nesta cena é o investidor privado, pois é ele que detêm a experiência e a capacidade de gestão". A ministra também revelou que Burns propôs que seja criado um fórum que reúna dirigentes empresariais de ambos os países.

Bush vem ao Brasil para discutir questão energética

A assessoria de comunicação da Casa Branca informou nesta quinta-feira (8/2) que o presidente George W. Bush virá ao Brasil no dia 8 de março, com a finalidade principal de discutir questões relacionadas à energia e ao comércio entre os dois países.

Bush fará sua segunda visita ao Brasil Ainda de acordo com a informação divulgada pela Casa Branca, Bush ainda visitará o Uruguai, a Colômbia, a Guatemala e o México.

O anúncio da visita ao Brasil ocorre na mesma semana que em os Estados Unidos enviaram ao país dois representantes do Departamento de Estado para tratar de questões relativas a uma possível parceria no setor de biocombustíveis, em especial o etanol. Não se falou nada a respeito da diminuição das tarifas protecionistas aplicadas pelos EUA em relação ao produtos brasileiros.

Depois de ter prometido, já no seu mês de posse, em janeiro de 2001, que a América latina ''era prioridade'' de seu governo, Bush deixou o continente em segundo plano, principalmente após o ataque de 11 de Setembro e as guerras no Afeganistão e no Iraque.

Bush deve aproveitar seus dois últimos anos no governo para tentar reverter parte desse quadro. Na viagem, segundo a Casa Branca, ele deve tratar do acordo bilateral com o uruguaio Tabaré Vázquez, da guerra ao narcoterrorismo com o colombiano Álvaro Uribe, das relações bilaterais com o guatemalteco Oscar Berger e dos problemas econômicos por que passa o México com o recém-eleito Felipe Calderón.

Parceria
O Brasil e os Estados Unidos vão se unir em um projeto-piloto para produção de álcool em outros países, possivelmente começando pelo Caribe, como forma de ampliar a produção e o mercado para o biocombustível, afirmou nesta quinta-feira a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff.

''Nós acertamos que iremos fazer um projeto-piloto num dos países do Caribe ou da América Central, e esse projeto será uma porta para novos outros em várias partes do mundo onde se achar que seja oportuno'', disse Dilma a jornalistas, após encontro com o subsecretário de Estado dos EUA para Assuntos Políticos, Nicholas Burns.

''O governo norte-americano reconhece o Brasil como um dos protagonistas dessa questão do biocombustível... No caso do etanol, especificamente, eles propõe que nós façamos uma parceria e atuemos em terceiros países'', acrescentou a ministra.

Um eventual projeto no Caribe poderia ampliar as vendas do biocombustível brasileiro aos EUA, na medida em que atualmente empresas produtoras de álcool no Brasil já usam a região como plataforma exportadora para o território norte-americano.

Isso acontece porque as vendas por meio de países caribenhos não são taxadas pelos EUA. Para uma empresa exportar aos norte-americanos a partir do Brasil, o produto é taxado em 0,54 dólar por galão, o que limita as vendas brasileiras. Ainda assim, os EUA são os principais compradores do álcool brasileiro.

A ministra enfatizou a importância da participação dos grupos privados nacionais no projeto no exterior em parceria com os EUA, uma vez que os brasileiros já têm vasta experiência no setor.

O Brasil é o maior produtor de álcool de cana-de-açúcar do mundo, enquanto os EUA são os maiores produtores de álcool a partir do milho. Antes de ir a Brasília, o subsecretário já havia demonstrado em São Paulo interesse no desenvolvimento de uma parceria com os brasileiros, com a intenção de reduzir a dependência norte-americana do petróleo importado, além de reduzir a influência de países produtores de petróleo.

Nestlé Brasil inaugura fábrica em Feira de Santana

A Nestlé Brasil lança hoje unidade industrial em Feira de Santana, a 110 km de Salvador. Trata-se da segunda fábrica da empresa no Estado da Bahia. O empreendimento, que teve aporte aproximado de R$ 100 milhões, terá ainda um Centro de Distribuição (CD) e produzirá inicialmente massas lámen e envasará bebidas achocolatadas, cereais e café solúvel. No futuro, fabricará também cereais, bebidas achocolatadas, sorvetes, iogurtes, biscoitos, sopas e caldos.

Com capacidade inicial de produção de 40 mil toneladas por ano, a fábrica abrirá mais de 2.000 postos de trabalho diretos e indiretos, além de movimentar a cadeia produtiva da região e arrecadar inicialmente cerca de R$ 25 milhões em impostos municipais e estaduais. O empreendimento contará com fornecedores locais de serviços de segurança, alimentação e limpeza e 75% do maquinário das linhas de produção e envase da nova unidade foram adquiridos no Brasil. A nova unidade contará ainda com uma zona de tratamento de efluentes, caldeira para combustão à base de gás natural e programas internos de reciclagem de materiais.

Instalado no Centro Industrial de Subaé (CIS), o empreendimento ocupa 66 mil m² de área total construída, dos quais 18 mil m² apenas para o Centro de Distribuição. A expansão desta unidade fabril já está em estudos e deve ser concluída em duas fases futuras. “A nova fábrica da Nestlé na Bahia reforça nossa confiança no País e o compromisso de gerar oportunidades de emprego e renda para a população, principalmente do Nordeste, que consideramos uma região estratégica em nossos planos de crescimento”, diz o presidente da Nestlé, Ivan F. Zurita.

Segundo Zurita, a cidade foi escolhida por contar com um importante pólo industrial na região e por estar estrategicamente localizada, o que contribuirá para reduzir os custos – principalmente logísticos –, e fazer com que os produtos da Nestlé sejam comercializados a preços mais compatíveis com a renda da população local.

A fábrica e o Centro de Distribuição de Feira de Santana atenderão ao aumento da demanda do mercado nordestino por produtos da Nestlé, que cresceu mais do que o dobro se comparado a outras regiões do País. Esse crescimento é reflexo do investimento que a empresa vem realizando para aumentar sua presença no Nordeste, dentro do projeto de regionalização iniciado em 2004, um dos pilares de crescimento da companhia para os próximos anos.

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2007

UE defende isenção para tecnologia de produção de biocombustível

Em 2050, a renda per capita no Brasil será equivalente à existente hoje na Europa, segundo um estudo sobre o futuro da economia dos países que compõem o grupo conhecido como BRIC (sigla para Brasil, Rússia, Índia e China) divulgado em Londres.

"O Brasil não estará tão bem quanto a China e a Índia, mas é possível dizer que, com base na renda per capita, daqui a 45 anos, os brasileiros terão um padrão de vida equivalente ao existente hoje (2005) na Europa", disse à BBC Brasil o autor das projeções, Peter Gutmann, analista da consultoria Experian Business Strategies.

Segundo o estudo, a renda per capita (cálculo do valor do PIB dividido pela população) no Brasil será de US$ 27,13 mil em 2050 (cerca de três vezes maior do que a medida atual), um valor apenas um pouco inferior à renda per capita na Europa (países que adotaram o euro) em 2005, que ficou em US$ 29,47 mil.

O autor reconhece que o cálculo da renda per capita serve apenas de parâmetro para a comparação já que fatores como a má distribuição de renda podem impedir que o crescimento da economia previsto beneficie a maior parte da população.

Estados Unidos

No quesito renda per capita, os Estados Unidos, incluídos nas projeções para servir de base para comparação, continuarão muito à frente da China que será, então, a maior economia do mundo.

De acordo com as previsões, a renda per capita americana terá subido de US$ 41,30 mil em 2005 para US$ 100,08 mil em 2050.

Nesse patamar, será cerca de 30% maior do que a da China e em torno de 350% maior do que a renda per capita no Brasil.

A renda per capita na Índia ficará em US$ 36,21 mil e na China, em US$ 74,40.

Segundo Gutmann, o maior risco para que as previsões se tornem realidade está na dúvida sobre se os recursos do planeta darão conta da maior demanda por tanto tempo.

"Mudança climática, devastação de grandes áreas e esgotamento de recursos naturais já estão ocorrendo. O risco é que os recursos, simplesmente, não consigam sustentar o crescimento projetado", disse Gutmann.

Poder de compra

O estudo feito pela Experian Business Strategies e divulgado pela consultoria Grant Thornton International calcula o valor do Produto Interno Bruto dos quatro países e também dos EUA com base na PPC (Paridade do Poder de Compra ou ou Purchase Power Parity, em inglês).

Com isso, a base de 2005 considera o PIB brasileiro em US$ 1,53 trilhão, o da Rússia em US$ 1,58 trilhão, o da Índia em US$ 3,66 trilhões e o da China em US$ 8,88 trilhões.

Segundo as projeções, o Brasil crescerá, em média, 3,5% ao ano até 2050, quando a economia brasileira valerá US$ 7,22 trilhões, ou seja, será quase cinco vezes maior do que foi em 2005, medida com base na PPC.

O estudo segue o caminho aberto pela Goldman & Sachs que, em 2003, cunhou a sigla BRIC prevendo que os quatro países seriam superpotências em 2050.

Otimismo

Outro capítulo do relatório, que fala sobre otimismo nos BRICs, diz que o empresariado brasileiro é o mais pessimista entre os emergentes que compõem o grupo.

A Índia está no topo da lista que elenca 32 países de acordo com o percentual de empresários que se declararam otimistas para os próximos 12 meses. Segundo a pesquisa, que ouviu 7,2 mil empresários, 97% dos indianos estão otimistas.

No Brasil, 47% se declararam otimistas, na Rússia, 57%, e na China, 86%. A média global foi de 45%.[1]

Segundo a pesquisa, dificuldades para se conseguir empréstimos, escassez de financiamento de longo prazo e pessimismo com as exportações ajudam a explicar o resultado do Brasil.

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2007

EUA buscam Brasil para mediar relação com Chávez

A visita do subsecretário de Estado dos Estados Unidos para Assuntos Políticos, Nicholas Burns, é o primeiro passo concreto de um esforço para intensificar a relação entre os dois países, que inclui visita da secretária de Estado Condoleezza Rice ao Brasil e a ida do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Washington. Do lado americano, a idéia é habilitar o Brasil a desempenhar novo papel na América Latina e atuar como intermediário na relação com o presidente da Venezuela, Hugo Chávez. ?Este será o ano de aproximação com todos os governos eleitos na América Latina, em especial o Brasil?, disse Burns em palestra em São Paulo.

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, que se reuniu com o subsecretário durante uma hora ontem em Brasília, não rejeitou a idéia da intermediação, mas definiu condições. ?O Brasil não fica passando recado de ninguém. Eles têm embaixador lá (em Caracas). Há formas de diálogo sem necessidade de o Brasil se arvorar sobre mediação?, afirmou. Durante a conversa com Burns, o ministro Amorim lembrou o papel de mediador já foi exercido pelo governo brasileiro no passado.

Os dois resistiram a admitir que a questão da Venezuela teria sido tema das discussões bilaterais. O subsecretário americano deixou claro que o tema foi tratado, mas preferiu não revelar detalhes. ?Eu acho que um assunto como este é melhor ser deixado para ser tratado de maneira privada?, disse.

?Trocamos idéias sobre a Venezuela?, relatou Amorim. ?O que sempre digo é que boa política não é a do isolamento, mas a do diálogo. É claro que é preciso que os dois queiram dialogar. Falamos um pouco do passado, como nas ocasiões, inclusive, em que o Brasil pôde ajudar no diálogo entre a Venezuela e outros países?, explicou o chanceler. ?Ouvi dele que eles também têm disposição para o diálogo. Agora, como se processa o diálogo, não chegamos a este ponto.?

Visitas

Celso Amorim admitiu a necessidade de aumentar o nível de consultas e visitas entre Brasil e EUA, como deseja o governo Bush. Nos próximos dias, será confirmada a data da chegada da secretária de Estado Condoleezza Rice e anunciada a ida do presidente Lula a Washington para um encontro com o presidente George W. Bush. Além disso, funcionários de escalões intermediários de ambos os países vão ampliar as consultas e visitas bilaterais.

A viagem do subsecretário Burns tem como objetivo mostrar que os EUA estão dispostos a dar uma guinada em sua política externa. ?O Brasil é uma potência regional e me espanta o fato de não termos um acordo bilateral na área de comércio e investimentos?, disse Burns anteontem. Ele justificou o fato de a América Latina ter ficado à margem das preocupações americanas em 2006 alegando que foi um ano eleitoral nos EUA. A verdadeira explicação vai além. Depois de seis anos centrando esforços nos conflitos no Oriente Médio, foi a vitória democrata nas eleições legislativas - encaradas como referendo sobre o Iraque - que fez o governo Bush perceber que é preciso mudar de rumo.

Saíram de cena os discursos inflamados sobre o dever americano de proteger o mundo de países que representam ameaças globais - o chamado ?eixo do mal?. Entraram, ao menos na retórica, as preocupações com a questão ambiental, o respeito ao multilateralismo e a busca de novas alianças. ?Vivemos em um mundo multilateral. Não podemos enfrentar todos os problemas sozinhos?, disse Burns. Bush planeja um giro pela América Latina - que inclui México, Guatemala e passagem em março pelo Uruguai.

Neste contexto, o Brasil seria um importante parceiro dos EUA na região. ?Partilhamos as mesmas preocupações: combater ameaças como a criminalidade e o narcotráfico e defender a democracia e a abertura econômica?, disse Burns.

O subsecretário propôs ampliar os investimentos em pesquisa e produção de biocombustíveis como primeiro passo dessa aproximação. Ontem, ele se encontrou com o ministro do Desenvolvimento, Luiz Fernando Furlan, que em seguida disse estarem Brasil e EUA estudando parceria para criar um projeto de produção de etanol na América Central. A idéia foi lançada em reunião do subsecretário com a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, na tarde de ontem. ?Vários países da região são importadores de petróleo e têm condições de produzir localmente o etanol, com tecnologia brasileira e americana?, disse Furlan. O ministro explicou que o próximo passo é escolher um país para colocar em prática um projeto-piloto. Colaboraram Leonardo Goy e Ruth Costas

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2007

Brasil e Estados Unidos discutem parceria para ampliar o uso de álcool no mercado mundial

Líderes mundiais na produção de etanol, Brasil e Estados Unidos, querem ampliar o uso do etanol aos combustíveis derivados do petróleo. A substância é menos poluente que a gasolina e o diesel e pode ajudar a reduzir a dependência mundial do petróleo para produção de combustíveis. Hoje, o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, se reúne com o subsecretário de Estado de Assuntos Políticos dos Estados Unidos, Thomas Shannon. Segundo o Itamaraty, o tema do etanol deve estar entre os assuntos da reunião.

Atualmente Brasil e Estados Unidos respondem por mais de 70% da produção mundial de álcool, somando cerca de 35 bilhões de litros de etanol por safra. Os norte-americanos produzem grande volume de etanol a partir do milho, diferentemente do Brasil que prioriza a cultura da cana-de-açúcar. No ano passado, os dois países em parceria com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), lançaram um protocolo para a criação da Comissão Interamericana do Etanol. O objetivo da entidade é o do promover e ampliar o uso do produto no continente americano.

A entidade nascerá para promover o uso do álcool como alternativa e aditivo do petróleo no mundo e ainda para "integrar a América por meio do fomento ao combustível". Entre os objetivos específicos a serem desenvolvidos pela entidade está a integração técnica e cientifica; a avaliação de investimentos para o desenvolvimento da agricultura e da infra-estrutura produtiva da região; e a definição de políticas para a criação de um mercado internacional para o etanol.

Em 2006, a produção norte-americana deverá ultrapassar os 20 bilhões de litros. Além de serem os maiores produtores, os Estados Unidos querem também se tornarem os maiores consumidores do produto, conforme declarações recentes do próprio presidente George W. Bush, que indicou a vontade de ampliar para 20% a quantidade de etanol adicionada aos combustíveis do país. Isso ampliaria a demanda do mercado por importações de etanol.

Em discurso recente em um fórum agrícola, Bush defendeu os benefícios dos bio-combustíveis como o etanol e o biodiesel para o país e a inclusão de ambos no plano nacional de energia do país. "Além dos benefícios ambientais, esses bio-combustíveis podem ser renovados ano a ano, e podem ajudar a nossa economia no setor agrícola e quanto a dependência de combustíveis fósseis. Esses serão os combustíveis do futuro nesse país", afirmou na ocasião.

O uso de etanol também deve abrir novas oportunidades para países que exportam o combustível aos EUA, que ainda contam com uma parcela de mercado muito baixa, por causa das tarifas de importação. Estados Unidos cobram, por exemplo, sobre o produto brasileiro US$ 0,54 por galão de etanol.

Aeroportos terão quiosques públicos para exposição e venda de produtos artesanais

O Ministério da Integração Nacional e a Empresa Brasileira de Infra-estrutura Aeroportuária (Infraero) vão instalar nos aeroportos quiosques para exposição e venda de produtos artesanais. O primeiro ponto de venda deve ser inaugurado em 90 dias no Aeroporto Internacional de Brasília, onde circulam, anualmente, cerca de 10 milhões de pessoas.

As comunidades tradicionais que fazem parte do Programa de Organização Produtiva de Comunidades (Produzir) terão prioridade nos quiosques. Por meio desse programa, artesãos de todo o País transformam couro de animais, sementes de plantas de florestas brasileiras, escamas de peixe, palha e pedras em jóias e assessórios.

Segundo o coordenador-geral de projetos especiais da Secretaria de Políticas Regionais do Ministério da Integração, Sérgio Pinho, as chamadas biojóias são bem aceitas pelos consumidores. Porém, a falta de acesso dos artesãos aos centros de consumo faz com que os atravessadores fiquem com todo o lucro na venda das peças.

“A idéia é que, quando você vende uma biojóia por R$ 300, boa parte desse dinheiro vá para as mãos de quem produziu a peça”, explica Pinho. De acordo com ele, os produtos serão comercializados por organizações não-governamentais de comércio justo, entidades que repassam a maior parte do lucro das vendas para seus fabricantes.

Brasil e Itália firmam acordo para melhorias no transporte público

Desenvolver ações para fortalecer a gestão do transporte público, com projetos que respeitem o meio ambiente e valorizem a circulação de pedestres e passageiros, é finalidade da parceria que o ministro das Cidades, Marcio Fortes de Almeida, e Armando Cocuccioni, representante da Associação de Transportes ASSTRA, assinaram nesta terça-feira (7). "Este acordo favorece o intercâmbio de experiências, em especial na área de regulação dos serviços", destacou o ministro, lembrando que o governo brasileiro trabalha na elaboração de uma política nacional para o setor.

"A gestão metropolitana do transporte é um modelo consolidado na Itália e será uma das principais linhas de atuação dessa parceria", ressaltou o secretário nacional de Transporte e Mobilidade, José Carlos Xavier. "Nosso objetivo é de que a solução para os problemas de transporte considerem o planejamento urbanístico da cidade e as necessidades da população", completou.

A parceria é realizada no âmbito do programa "100 Cidades para 100 Projetos", que já desenvolve projetos em cooperação com o Brasil na área de saneamento. O objetivo é ampliar a parceria também para a reabilitação e requalificação urbana. Os cinco eixos temáticos do programa são água, transporte, habitação, direitos das mulheres e políticas para a infância e juventude. "O 100 cidades nasceu para fortalecer as ações que são de responsabilidade dos governos locais", afirmou Cocuccioni. No Brasil, 60 municípios participam da iniciativa.

Governo investe quase R$ 400 milhões em segurança nos Jogos Pan-Americanos

O governo federal investe R$ 1,5 bilhão nos Jogos Pan-Americanos, sendo que R$ 385 milhões vão para o sistema de segurança. A informação foi dada hoje (5) pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva no programa de rádio Café com o Presidente.

Segundo Lula, o sistema permanecerá no Estado após o término dos jogos, que serão realizados em julho deste ano. “Na verdade, esse sistema de segurança que nós estamos fazendo vai ser um modelo para o Brasil, vai ficar sediado no Rio de Janeiro. Quando nós precisarmos de uma segurança especializada, já temos um modelo, um projeto, uma coisa funcionando bem”, afirmou.

O presidente visita amanhã (6) o Centro de Operações Tecnológicas dos jogos, que terá a função de controlar o andamento do evento. Ainda de acordo com Lula, o governo vai investir na modernização do aeroporto Santos Dumont e na capacitação de jovens carentes para os jogos. Esses jovens estão aprendendo inglês, espanhol e outras atividades para poder participar dos jogos. “Eu acho que é uma coisa extremamente importante, porque pensar segurança envolvendo a comunidade e pensar Jogos Pan-Americanos envolvendo a comunidade são duas novidades que, penso, darão bons resultados, quem sabe até merecerão medalha de ouro quando terminar os Jogos Pan-Americanos”, afirmou.

Para o presidente, o Brasil precisa realizar o evento esportivo com qualidade, para mostrar que tem capacidade de sediar a Copa do Mundo de 2014 ou Olimpíadas. “Temos que fazer não apenas o Pan, mas o melhor Pan já feito no continente americano”, destacou.

Brasil e França firmam acordo para defesa da propriedade industrial

O Instituto Nacional de Propriedade Industrial (Inpi) firma hoje (5) acordo com o governo francês para a cooperação entre os dois países na defesa dos direitos da propriedade industrial. Durante a assinatura do acordo, também será inaugurada uma exposição sobre produtos falsificados.

A solenidade será às 11 horas no hall do Inpi, no Rio. Estarão presentes a ministra de Comércio Exterior da França, Christine Lagarde, o secretário executivo da Câmara de Comércio Exterior do Brasil (Camex), Mario Mugnaini, o presidente do Inpi, Jorge Ávila, e o presidente do Inpi francês, Benoit Battistelli.

Brasil foi maior exportador mundial de carne em 2006

As exportações brasileiras de carne aumentaram 28%, para 3,92 mil milhões de dólares (3,03 mil milhões de e uros), no ano passado, face a 2005, anunciaram empresários do sector.

O resultado transformou o Brasil no maior exportador mundial do produto , ao superar a Austrália, informou a Confederação Nacional da Agricultura (CNA), entidade que representa o sector.

Contribuíram para o bom desempenho, o aumento do consumo mundial e a conquista de novos mercados pelo Brasil, antes abastecidos por produtores da Argentina, Estados Unidos e da União Europeia.

O presidente da CNA, Antenor Nogueira, citado no comunicado, salientou que o aumento das exportações foi obtido apesar das dificuldades vividas pelo sector, com a recente descoberta de focos de febre aftosa em algumas regiões do Brasil.

Os focos de febre aftosa foram detectados nos Estados do Mato Grosso do Sul e do Paraná, na região fronteiriça com o Paraguai, em Outubro de 2005, o que levou dezenas de países a suspenderem a compra de carne brasileira.

Com o controlo dos focos, a CNA reivindica agora da Organização Interna cional de Saúde Animal a recuperação do título de área livre de febre aftosa.

A CNA quer ainda que o Governo brasileiro crie um programa sanitário para evitar a eventual contaminação das suas manadas por focos de febre aftosa em países vizinhos, como a Bolívia.

Actualmente, o Brasil tem uma das maiores manadas mundiais, com cerca de 195 milhões de cabeças, sendo 25 milhões (12,8 por cento) no Estado de Mato Grosso do Sul, na região Centro Oeste do país.

EUA querem parceria com Brasil para produzir biocombustível

Os EUA pretendem investir em pesquisa e produção de biocombustíveis em conjunto com o Brasil para reduzir em 20% seu consumo de derivados de petróleo - hoje o grande trunfo político e econômico de países críticos do governo americano, como Venezuela e Irã. Essa estratégia da Casa Branca ficou evidente ontem durante um encontro do subsecretário de Estado americano, Nicholas Burns, e do secretário-adjunto para a América Latina, Thomas Shannon, com jornalistas em São Paulo.

Burns - o terceiro na hierarquia do Departamento de Estado, depois da secretária Condoleezza Rice e do vice John Negroponte - chegou ontem ao País para uma visita de três dias. Ele deve sugerir ao governo brasileiro um "amplo processo de negociação" entre os dois países para aumentar a cooperação técnica e científica na área de biocombustíveis. O objetivo, segundo Burns, é transformar os biocombustíveis "num tema central do relacionamento bilateral". "EUA e Brasil, juntos, respondem por 80% da produção mundial de etanol. Precisamos estimular outros países a produzir mais para que o etanol se transforme numa commodity de exportação", disse.

Ele deixou claro, porém, que a iniciativa não significa a criação de uma versão da Opep (o cartel dos países produtores de petróleo) para o etanol. "Não somos favoráveis à criação de cartéis, e sim pelo livre comércio", acrescentou. Burns conta que se reuniu com o governador José Serra e ouviu dele queixas sobre o imposto de importação de etanol, que dificulta a entrada de produtores brasileiros no mercado americano.

Burns mostrou-se preocupado em apagar a imagem de vilão do governo do presidente George W. Bush em relação ao aquecimento global. "Investimos, desde 2001, US$ 29 bilhões em pesquisas de tecnologia limpa."

Outra preocupação de Burns foi desprezar as ofensas do presidente venezuelano Hugo Chávez ao governo americano. "Não somos obcecados por Chávez, não pensamos muito nele; preferimos investir nossa energia em países produtivos", cutucou. Burns também relevou a suposta influência de Chávez nos países da região. "O sentimento predominante no continente é de celebração da democracia, se ele quiser usar políticas ultrapassadas, problema dele."

As maiores críticas, porém, foram endereçadas ao Irã. Burns deixou claro que os EUA só aceitam negociar se Teerã abrir mão de sua política nuclear. "Não é inteligente da parte deles impedir as inspeções das usinas nucleares, isso só amplia o isolamento internacional do país", advertiu. "Estamos sendo pacientes com o Irã. A secretária Rice já se ofereceu para sentar com outros países em busca de uma solução pacífica, mas eles insistem em desafiar a comunidade internacional", acrescentou. "Sabemos que eles tentaram derrubar o governo do Líbano e agora estão fornecendo tecnologia para atentados terroristas. O Irã está cavando um buraco e isolando-se cada vez mais."

Para Lula, Pan é propaganda para o Brasil receber a Copa

Preocupado com o que vão pensar do Brasil lá fora, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deixou claro que a organização dos Jogos Pan-americanos do Rio de Janeiro deverá ser a melhor possível, principalmente pelo fato do país ser o grande favorito para ser sede da Copa do Mundo de 2014 e desejar, em breve, abrigar uma Olimpíada.

"Os jogos serão uma espécie de aval, fundo garantidor, prova de que o Brasil pode sediar eventos desse tipo. Não podemos brincar em serviço. Se sair bom, todo mundo ganha. Se sair ruim, só nós perdemos. Agora não tem partido político, crença religiosa, escola de samba ou time de futebol. Somos todos Pan", disse Lula, nesta terça-feira, durante visita ás obras do COT (Centro de Operações Tecnológicas) do Pan, na capital Fluminense.

Desde que venceu as eleições para seu segundo mandato, Lula vem acompanhando de perto as obras do principal evento esportivo das Américas neste ano. Para uma boa organização, principalmente com relação ao funcionamento da cidade, o governo federal escancarou a porta do cofre e investiu bilhões. De acordo com Lula, somente a União injetou praticamente 1,5 bilhão em obras no Rio.

terça-feira, 6 de fevereiro de 2007

Lula: "Pan 2007 vai ser um vestibular para o Brasil"

Em visita ao Rio para inaugurar o Centro de Tecnologia do Comitê Organizador dos Jogos Pan-Americanos Rio 2007, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que não medirá esforços para o Pan ser um sucesso e é hora de todos se unirem em torno do mesmo ideal.

Para o presidente, o país precisa provar que pode pleitear eventos maiores, como a Copa do Mundo e as Olimpíadas.

- Será um grande vestibular para o país, já que o Pan é a grande chance de provar que temos condições de organizar um grande evento. Agora só depende do Brasil, se tudo for bem, todos ganham, se for mal, apenas eu, o governador e o prefeito perdemos - afirma.

Para uma possível Copa do Mundo no Brasil, Lula sabe que serão necessários investimentos, principalmente em estádios.

- Sabemos que para fazer uma Copa do Mundo precisamos de novos estádios e podemos fazê-los através da iniciativa privada - garante.

O presidente ressalta a importância que eventos como o Pan e os Jogos Olímpicos têm na vida social da cidade que os recebe.

- O Pan vai deixar vários legados para o Rio. Os jovens que vão trabalhar como voluntários terão uma outra visão do mundo, e os computadaores deste centro de técnologia irão para comunidades carentes e para o sistema público de segurança - disse.

Em seu discurso, Lula frisou que é preciso todas as instâncias governamentais, assim como toda a população, se juntarem para garantir o sucesso do evento.

- Não tem partido, eleição, crença religiosa ou escola de samba. Agora todo mundo é Pan - declara.

Segundo o presidente, o governo federal não tem medido esforços para ajudar a organização dos Jogos e continuará a cumprir o seu papel.

- Estamos fazendo todos os esforços, e quero que o ministro dos Esportes, Orlando Silva Júnior, e a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, acompanhem milimetricamente tudo o que disser respeito ao Pan - declara.

domingo, 4 de fevereiro de 2007

Brasil acha insuficiente nova política agrícola dos EUA

A proposta do governo norte-americano para a nova lei agrícola do país não agradou o governo brasileiro, segundo o sub-secretário geral de assuntos econômicos do Itamaraty, Roberto Azevedo. Em uma análise preliminar do documento, encaminhado pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos ao Congresso, o Brasil não vê mudanças significativas na política de apoio financeiro aos agricultores norte-americanos, o que representa poucas perspectivas de avanço na atual rodada de negociações da Organização Mundial do Comércio (OMC). "A proposta tem alguns elementos positivos mas, claramente, a nossa percepção, agora, é de isso seria insuficiente para viabilizar o desfecho das negociações", avaliou o

A lei agrícola é o documento que define os programas norte-americanos de apoio à agricultura, incluindo o volume de recursos destinados a subsídios. E a redução dos subsídios é um dos elementos-chave da Rodada Doha, séride de negociações da OMC iniciada em 2001. O que travou as negociações, em julho de 2006, foi justamente a falta de acordo na questão agrícola – os países em desenvolvimento esperam melhores propostas em termos de redução substancial dos subsídios americanos e corte nas tarifas para entrada de produtos agrícolas no mercado europeu. Em contrapartida, deverão oferecer facilidades para a entrada de produtos industriais e para participação de empresas estrangeiras no setor de serviços.

"A evolução das negociações sempre esteve nas mãos dos principais negociadores, que são Estados Unidos e União Européia, porque são as economias que têm o maior grau de distorção na sua produção agrícola e na comercialização de produtos agrícolas”, destacou Azevedo. “Está nas mãos de quem distorce, reduzir as distorções".

De acordo com o diplomata, há elementos positivos na proposta da nova lei agrícola. O chefe da área econômica do Itamaraty diz que o documento “parece sugerir”, por exemplo, a transferência de alguns recursos para programas menos distorcivos de apoio aos agricultores. Mas ainda há dúvidas sobre o impacto real disso. “Não chegamos a nenhuma conclusão de onde exatamente estão estes cortes e onde estão estes ganhos”, revelou.

O diplomata garantiu que o Brasil e todos os demais países diretamente interessados nos resultados da Rodada Doha analisarão o documento cuidadosamente nas próximas semana. O G20 – grupo de países em desenvolvimento liderado pelo Brasil e pela Índia que negocia questões agrícolas – provavelmente se pronunciará sobre a nova lei agrícola americana na próxima semana, quando os países membros do grupo estarão em Genebra para a reunião do Comitê de Negociações Comerciais da OMC (que acontece no dia 7 de fevereiro).

Independente destas análises, seguem as articulações pela retomada das negociações da Rodada Doha. Azevedo diz que na reunião da próxima semana talvez seja acertada a retomada das negociações. Há pressa em se obter algum avanço antes de julho, para que o governo norte-americano possa negociar a renovação de seu mandato negociador para acordos comerciais - a chamado TPA (Trade Promotion Authority) que vence no dia 1º de julho. “Se a TPA não for renovado o processo, em Genebra, se encontra em risco considerável”, alerta o diplomata.

Ele destaca que as negociações na OMC e as discussões da lei agrícola no Congresso dos EUA são “dois processos independentes e paralelos”. E eventuais avanços nas negociações multilaterais deverão ser incorporados às regras norte-americanas. "Em conversas que mantive com congressistas norte-americanos, todos disseram, com muita clareza, que a discussão da lei agrícola no Congresso será, futuramente, alimentada por desfechos negociadores que possam acontecer em Genebra”, revelou.

Brasil apresenta tecnologia flex-fuel à ministra de Comércio Exterior

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior recebeu uma delegação de altas autoridades e empresários franceses, chefiada pela ministra de Comércio Exterior deste país, Christine Lagarde. Além da discussão de temas que podem incrementar o comércio bilateral, como Rodada Doha e biocombustíveis, foram assinados três acordos nas áreas de nanotecnologia, promoção comercial e propriedade industrial.

Entre as autoridades e empresários participantes da delegação estavam o diretor do Grupo AFG (agência francesa responsável por financiar o desenvolvimento em países pobres), Michel Jacquier, a presidente do grupo Areva (que fornece tecnologia para geração de energia nuclear e elétrica), Anne Lauvergeon, e o diretor para Américas da Alstom, Thibault Desteract.

Segundo o ministro interino, Mugnaini Jr, que recebeu a delegação, o Brasil apresentou a tecnologia flex-fuel, inclusive já utilizada por montadoras francesas instaladas no Brasil, uma vez que a França é o país da União Européia que optou por uma maior porcentagem de álcool à sua gasolina a partir de 2008 — 5,75%. Atualmente, o percentual utilizado é de 2% (2007). "Os franceses podem fazer parcerias para a produção de álcool no Brasil e em outros países, pois não queremos ser os únicos fornecedores", explicou Mugnaini.

Também foi discutida uma futura harmonização de estatísticas, visto que hoje os dois países se consideram deficitários no comércio bilateral. Segundo Mugnaini, um grupo de trabalho já está atuando de forma a minimizar diferenças. Outro assunto importante da pauta foi o andamento da Rodada Doha e o papel de Brasil e França nesta negociação e também na que envolve Mercosul e União Européia. "Eu expus à ministra que o Brasil está disposto e preparado para dar continuidade às negociações da OMC", afirmou Mugnaini.

Bento XVI chega ao Brasil dia 9 de maio

A agenda do papa Bento XVI a ser cumprida no Brasil não está completamente definida. Apesar de as informações terem caráter extra-oficial, o administrador apostólico da Arquidiocese de São Paulo, dom Manuel Parrado Carral, adiantou quatro grandes eventos em que ele deverá estar presente.

O sumo sacerdote desembarcará no Aeroporto Internacional de Guarulhos (Cumbica) em 9 de maio e permanecerá na capital paulista até o dia 11. O primeiro compromisso seria a reunião com autoridades brasileiras.

Em São Paulo, está previsto um grande encontro com a juventude brasileira no estádio municipal Paulo Machado de Carvalho, conhecido como Pacaembu. “No dia 11, uma missa deve ser realizada no Campo de Marte, localizado próximo ao centro. Prevemos mais de 1 milhão de pessoas na celebração”, disse Carral.

No final dessa mesma tarde, o papa receberia o episcopado brasileiro, tanto aqueles em atividade quanto os eméritos, na Catedral da Sé. São esperados cerca de 400 bispos. Ainda se cogita a possibilidade de algumas beatificações nos ritos litúrgicos que o papa Bento XVI presidirá, porém, Carral preferiu não comentálas.

Há rumores de que o espanhol Emanuele Gómez González e os brasileiros Adilio Daronch, Albertina Berkenbrock e Lindalva Justo de Oliveira tornariamse beatos.

“Como não há nada oficial, não temos condições de sustentar esses dados. O que a gente imagina é a canonização de frei Galvão. O decreto desse processo já está assinado pelo papa, mas também não há confirmação de que ele possa ser canonizado”, explicou.

Aparecida
A viagem do papa Bento XVI termina em Aparecida. A princípio, ele fará uma celebração eucarística aberta ao público no dia 13 de maio e, no período da tarde, participará da abertura da 5ª Conferência Geral do Episcopado da América Latina e do Caribe.

Segundo o arcebispo da cidade, dom Raymundo Damasceno Assis, a escolha para realizar o evento no município foi do próprio pontífice. “Decisão esta que nos causou muita surpresa, alegria e honra”, diz.

Serão 19 dias de discussões dos temas comuns entre essas duas regiões geográficas, com término no último mês.

Conforme o bispo auxiliar da Arquidiocese de Belo Horizonte, dom Joaquim Giovani Mol Guimarães, a conferência acontece, geralmente, uma vez a cada década e pretende criar um momento de reflexão e conhecimento da realidade latino-americana e caribenha.

“A partir do aprofundamento dessas questões, poderemos criar orientações para a caminhada da Igreja nos próximos anos.”

Foram eleitos 22 delegados para levar uma síntese do Brasil à conferência e um deles é o arcebispo metropolitano da capital, dom Walmor Oliveira de Azevedo. O último evento do tipo aconteceu em 1992, na cidade de Santo Domingo (República Dominicana).

Esperança
“Refletiremos também sobre a questão da identidade do católico diante do pluralismo religioso, os problemas da miséria e pobreza que não conseguimos superar. Enfim, debateremos sobre a integralidade da vida”, disse dom Damasceno.

Ele ainda acrescentou que, como pastor de toda a Igreja Católica, Bento XVI vem “ao encontro de suas ovelhas para mostrar sua solidariedade, sua preocupação e para trazer uma palavra de ânimo e esperança ao maior país católico”, conclui.

Na última quinta-feira, a Arquidiocese de São Paulo inaugurou a secretaria executiva da visita do papa. Ela vai centralizar os trabalhos da comissão organizadora. Os interessados em obter mais informações sobre a passagem do sumo sacerdote podem visitar o site: www.visitadopapa.org.br.

Mosteiro em São Paulo abrigará sumo pontífice

O mosteiro São Bento, situado no centro de São Paulo, passa por reformas para acomodar o papa Bento XVI, enquanto ele estiver em passagem pela capital paulista. As mudanças na infra-estrutura são para melhor acolher a comitiva do papa, composta por 12 pessoas.

As alterações começaram no mês passado. Todos os monges que habitavam o primeiro andar do local foram remanejados para os outros dois andares da edificação. A intenção é facilitar a mobilidade dos integrantes da comitiva. Em Aparecida, ele ficará hospedado no seminário da arquidiocese do município.

“Todos os quartos têm banheiro. Para não alterar a rotina dos monges, vamos manter um serviço de refeitório especial devido a agenda diferenciada do papa”, explica o primor do mosteiro, dom João Evangelista Kovas. O aposento do sumo sacerdote terá 38 metros quadrados e será dividido em três ambientes.

“A localização de sua hospedagem é de frente para o jardim do mosteiro, chamado de claustro. Nossa vontade é que ele possa ter as melhores condições para seu descanso e que tenha um ambiente familiar. Como o papa gosta de piano, em uma das salas será colocado um”, diz.

O prédio foi fundado em 1598 e acompanhou o crescimento da cidade de São Paulo. Ele ainda preserva uma série de exemplares de arte alemã. “Os mosteiros beneditinos do Brasil foram instalados por alemães, a mesma nacionalidade do papa”, destaca Kovas. (FP)

Fazenda de recuperação aguarda a visita

Se a juventude brasileira está na pauta dessa viagem do papa ao Brasil, um público com histórico de vida bem peculiar também aguarda ansioso pela chegada do sumo sacerdote.

Existe a possibilidade de que o papa Bento XVI visite a Fazenda da Esperança, um local de tratamento e recuperação de dependentes químicos ou físicos, em Guaratinguetá, a poucos quilômetros de distância de Aparecida.

Segundo o assessor de comunicação e membro da família esperança, Klaus Rautenberg, o convite ao pontífice foi feito em janeiro do ano passado e, verbalmente, ele aceitou conhecer o local.

“O papa chegaria na manhã do dia 12 de maio. Há previsão de que ele fique por duas horas na casa-mãe. Além de assistir a apresentações culturais de vários países, ele solicitou cerca de 20 minutos para conversar com os jovens recuperados ou em tratamento”, diz Rautenberg.

A filosofia da fazenda é calcada em um tripé: auto-sustentação, vida em família e espiritualidade.

“Somos quase 250 internos de dez nacionalidades, somando as unidades masculina e feminina. Em todas as fazendas distribuídas no mundo, são aproximadamente 2.000 pessoas. Nosso desafio é trazer todas elas para acompanhar a visita do papa”, disse.

Para superar esse desafio, cada voluntário da fazenda que colabora na assistência dos jovens irá vender CDs produzidos pelos próprios para arrecadação de verbas. (FP)

Ministro quer que Brasil volte a investir em energia nuclear

As conseqüências catastróficas do aquecimento global, previstas pelo relatório lançado pelo Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) na sexta-feira, trouxeram munição para dois grupos que historicamente atuam em campos opostos: ambientalistas e cientistas defensores da retomada da energia nuclear.

O ministro da Ciência e Tecnologia, Sérgio Rezende, é o mais ilustre defensor deste segundo grupo. Tão logo os resultados do painel foram divulgados, ele não hesitou em defender que o Brasil retome o modelo nuclear como uma das fontes de obtenção de energia. “Precisamos adotar modelos limpos. E a produção de 1 quilowatt nuclear emite 250 vezes menos gases poluentes do que carvão, 200 vezes menos do que óleo”, afirma. “O assunto precisa voltar à pauta”, diz em referência ao projeto da usina Angra 3.

O ministro não está sozinho nesta defesa. Em nome da redução da emissão na atmosfera de gases que provocam o efeito estufa, o planeta vive uma retomada do modelo nuclear, há tempos abandonado por vários países.

Hoje há no mundo projetos para construção ou reativação de 25 usinas, afirma Rezende. E outros 50 projetos estão em estudo. “O Brasil tem a sexta maior reserva de minério de urânio, já é um indício de que a adoção do modelo é uma das coisas mais inteligentes para se fazer”, defende. Para ele, mesmo o problema do destino dos rejeitos nucleares já tem solução. “Há formas de armazená-los sem riscos pelos próximos 100 anos.”

O secretário-executivo do Ministério do Meio Ambiente, Cláudio Langone, é radicalmente contra essa proposta. “Seria trocar um câncer pelo outro. Há risco de acidentes, não se sabe quais as conseqüências que tais depósitos terão, ao longo dos anos”, avalia.

Convicto de que a energia nuclear é uma das saídas para o aquecimento global, Rezende não se deixa abater. Observa que num país com as dimensões do Brasil, o importante é recorrer a várias matrizes energéticas. “Uma das regiões mais carentes de energia é o Sudeste. De que adianta construir uma hidrelétrica no Norte? No caminho da transmissão, necessariamente terá de haver um desmatamento. Sem falar que parte vai se perder no trajeto entre a usina e o ponto de chegada.”

Para o ministro, os resultados do relatório exigem medidas imediatas no País. Além do debate sobre modelos de produção de energia, ele afirma que o ministério já encomendou ao Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) relatórios sobre os trabalhos realizados na área de clima.

A partir desses dados, o ministério pretende formar uma rede de instituições para interligar pesquisas de diagnóstico do aquecimento global e que ofereçam formas de enfrentá-lo. Rezende espera que até a próxima semana o primeiro levantamento sobre os trabalhos brasileiros chegue às suas mãos.

“A partir dessa análise, vamos concentrar esforços, verificar quais trabalhos são prioritários”, afirma. Para financiar as linhas de pesquisa, Rezende pretende contar com recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico. São R$ 8 bilhões para os próximos quatro anos, R$ 1,4 bilhão para 2007. “Este montante terá de ser repartido para todas as linhas de pesquisa. Mas uma fatia certamente irá para o estudo e desenvolvimento de ações para enfrentar o aquecimento global.”

Transgênicos de 2ª geração

Entre as linhas de pesquisa que ele considera fundamental, estão os transgênicos de segunda geração, sementes desenvolvidas para suportar altas temperaturas e oferta restrita de água. Tais sementes são apontadas por alguns grupos como a grande saída para evitar perdas na agricultura, o que poderia provocar prejuízo e fome.

“É chegada a hora de as pessoas perderem o medo dos transgênicos. Há tempos eles estão aí, mas se criou uma idéia incorreta de que eles são inseguros.”

Assim como a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, Rezende avalia que o Brasil tem do que se orgulhar no que se refere a medidas para evitar o aquecimento. “Reduzimos o desmatamento, produzimos biocombustível, fomos atores importantes na discussão internacional que definiu a criação dos créditos de carbono”, afirma.

A política de créditos de carbono é uma espécie de compensação, em que países desenvolvidos depositam num fundo valores que podem ser usados por países subdesenvolvidos, para implantação e projetos de políticas de produção limpa.

sábado, 3 de fevereiro de 2007

Brasil considera pacote agrícola dos EUA positivo, mas tímido

As recomendações apresentadas pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) para a nova lei agrícola não propiciam "avanços necessários a um desfecho satisfatório e equilibrado da Rodada de Doha", segundo o governo brasileiro.

Uma nota divulgada na sexta-feira pelo Ministério das Relações Exteriores afirma que o documento de 183 páginas apresentado ao Congresso americano na quarta-feira "está sendo cuidadosamente analisado por especialistas do governo brasileiro".

"Sem prejuízo das conclusões a que possam chegar os especialistas, o governo brasileiro, em avaliação preliminar do documento, vê elementos positivos na proposta que, por exemplo, parece sugerir a transferência de alguns recursos para programas menos distorcivos", diz a nota.

"Entretanto, as alterações discerníveis no documento são modestas se comparadas com os resultados que se esperam das negociações multilaterais."

Distorções comerciais

O comunicado afirma que a avaliação do documento prosseguirá "nos próximos dias ou semanas, não apenas no Brasil, mas em todos os demais países que têm interesse direto nos resultados das negociações multilaterais de comércio da OMC, a Rodada Doha".

"Os países do G20 estão igualmente examinando o texto divulgado pelo USDA, e o grupo poderá em breve pronunciar-se sobre o assunto, talvez já na próxima reunião do Comitê de Negociações Comerciais da OMC, em Genebra, que terá lugar na próxima quarta-feira, dia 7 de fevereiro", afirma.

A nota diz ainda que "o Brasil continuará defendendo as propostas já apresentadas pelo G20. Também seguirá trabalhando com os demais membros do grupo com vistas a propiciar movimentos de convergência que redundem em desfecho negociador com redução expressiva das distorções comerciais introduzidas pelos subsídios excessivos e protecionismo exacerbado de alguns países ricos".

Redução de gastos

Na quarta-feira, o secretário da Agricultura dos Estados Unidos, Mike Johanns, apresentou um novo pacote agrícola que, se aprovado pelo Congresso, pode propiciar uma redução de gastos de US$ 10 bilhões nos próximos cinco anos. O pacote prevê um investimento total de US$ 87 bilhões.

Os subsídios agrícolas que os Estados Unidos e a União Européia destinam a seus produtores rurais são os principais entraves para o avanço da Rodada de Doha de liberalização do comércio internacional. A rodada chegou a um impasse em julho do ano passado, quando Brasil, Estados Unidos e europeus nã conseguiram chegar a um consenso sobre o tema.

O projeto americano propõe o corte de subsídios para produtores com renda bruta superior a US$ 200 mil ao ano, a fixação de tetos para empréstimos agrícolas e um teto de US$ 360 mil em subsídios por indivíduo.

O pacote prevê gastos inferiores aos dos gerados pelo pacote agrícola de 2002, que até o momento já chegam a US$ 105 bilhões.